9. Só perguntar para ela

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Se não estiver aguentando o calor, tire uma camada de roupa.
— Gizelly


— E aí, foi romântico? — Gizelly estava dançando pelo apartamento de pijama, com fones nos ouvidos e folhas de papel-alumínio no cabelo, quando Bianca chegou em casa, vinte minutos depois.

— Não foi um encontro, foi uma visita ao local da festa. — Bianca jogou as chaves sobre a mesa, com a cabeça ainda girando. Observou a amiga, descrente. — Você parece ter vindo de outro planeta. O que aconteceu com seu cabelo?

— Hã? — Gizelly estava mexendo o quadril e a cabeça ao ritmo da música, e Bianca tirou um dos fones do ouvido dela.

— Até aprender a fazer leitura labial, você vai ter que tirar isso aqui para conversar.

Gizelly pendurou os fones no pescoço.

— Estou me dando um mimo. É uma máscara de óleo de coco. Como um milagre numa caixinha. Você devia experimentar. Deixa o cabelo que nem seda. No meu caso, uma seda amarrotada.

— Vou precisar de mais do que um milagre para resolver meus problemas. — Cansada e confusa, Bianca descalçou os sapatos, foi até o banheiro, tirou o vestido e entrou no banho.

Ao sair, viu que Gizelly tinha feito chá e estava encolhida na cama de Bianca.

— Me conte sobre os seus problemas.

Bianca ligou a luminária ao lado da cama.

Como foi que aconteceu? Quem tinha começado tudo? Ela não conseguia nem se lembrar. Num instante, estava em pânico; no outro, estavam se beijando enlouquecidamente.

Bianca sentiu um lampejo de horror. Aquilo tinha sido pouco profissional.

— Esse evento... — A voz dela transmitia urgência. — Tem que ser a melhor coisa que já fizemos na vida.

— É claro. Vai ser incrível. Você nunca organizou algo que não tenha sido assim. O que foi que aconteceu? Sente-se e converse comigo. — Com o olhar emanando bondade, Gizelly deu um tapinha na cama. — A Rafa não gostou do lugar?

— Eu... — Bianca percebeu que não sabia. — Eu não perguntei.

— Mas foi por isso que vocês foram lá hoje, não foi? Para mostrar o local a ela. Deu tudo certo?

— Sim. Foi ótimo. Lindo. — Romântico. Ah, droga, tinha sido romântico. Com a cidade inteira esparramada diante deles, brilhando como
diamantes na Tiffany's.

— Que bom. — Gizelly envolveu a caneca com os dedos. — E a pessoa que beijou você, foi no começo ou no final da festa?

— O que faz você pensar que alguém me beijou?

— Essa pele irritada no seu pescoço é uma pista, e também o fato de não haver nenhum vestígio de batom em nenhum lugar do seu rosto. O único momento que vejo você sem batom é quando está dormindo. — Gizelly abaixou a caneca de chá. — Eu sou a primeira a confessar que sou ruim com números, mas sou fluente em linguagem corporal e do amor, e você está mostrando todos os sinais de alguém que ganhou um beijo profundo e delicioso de alguém que sabia exatamente o que estava fazendo. Me conte tudo.

O que poderia dizer?

— É tarde... A gente deveria ir dormir.

— Nós duas sabemos que você não vai pegar no sono depois desse beijo e que não vou dormir até você me contar tudo o que quero saber, então é melhor você ir satisfazendo minha curiosidade. Além disso, tenho que ficar mais dez minutos com esse negócio fedido de coco no cabelo, ou não vai fazer efeito, e não vou gastar esse dinheiro todo por nada. — Ela deu um empurrãozinho em Bianca com o cotovelo e pegou a caneca de novo. — Me conta. Quem foi? Você vai sair com ele de novo? E como você fez para se livrar da Rafa?

Eventualmente Histórias para pegar e não largar. Descubra agora