[7] Flores de camomila e lavanda

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Contém gatilhos com suicídio

Contém gatilhos com suicídio

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Minha mãe e eu brigamos.

Não foi uma briga simples, e não foi como as outras. Eu e minha mãe tínhamos um relacionamento complicado, se é que posso dizer assim. Quando pequeno, eu achava que era normal o jeito que ela me ignorava e às vezes me espancava, muito, nem mesmo meu pai se orgulhava disso, pois ele nunca me bateu igual a ela, entretanto, ele também não fazia nada para impedir. Quando maior, começou a melhorar, mas ainda não conseguia ter contato com ela, prefira passar minhas dores para amigos virtuais e coisas do gênero, ela começou a implicar com minha independência, começou me impedindo de sair até na padaria, depois ficou dizendo coisas, mas isso com o tempo foi melhorando, até então, não era nada demais, depois, comecei a querer me matar mas ela sem dúvida não se importava, dei a ideia para ela me levar ao psicólogo e ela surtou dizendo que Deus iria me curar e que eu não confiava nela para contar os problemas, sendo que ela era o motivo deles.

Quando nos mudamos para vovó, as coisas ficaram mais difíceis, e hoje, tivemos nossa primeira e sem dúvida não a última briga. Eu tinha surtos quando crianças, não sei muito bem como funciona isso, eu me expressava ou sobrecarregava porque algo dava errado, começava a andar de um lado pro outro chorando e socando minha própria cabeça. Nesses surtos, poderia levar minutos ou horas, mas eu sempre me acalmava, e nesse meio tempo ninguém podia falar ou me tocar, eu ficava agressivo, jogava as coisas no chão e poderia machucar alguém nisso tudo.

Sempre convivi com isso, e achava que todos tinham e que era algo comum, mas comecei a perceber que quase ninguém do meu convívio havia passado por isso. Acabei tendo uma crise, quando meu amuleto quebrou, chorei e comecei a jogar as coisas no chão, não era nada que poderia quebrar, era meus matérias de biscuit e a massinha de argila, ela entrou no quarto me viu e começamos a discutir. Ela disse para eu parar de gritar e eu disse que não conseguia. Falei que ela era uma hipócrita porque quando ela surtava eu não dizia nada, como se eu não tivesse o direito de surtar também. Ela começou a dizer coisas idiotas como por exemplo, como ela se matava de fazer as coisas pra mim, de me dar de bom e do melhor, que eu era ingrato, disse também que meus Deuses eram uma merda e que eles nunca me ajudaram. Nessa hora fiquei com raiva e joguei na cara que o Deus dela nunca fez nada de bom, deixou ela casar com um Zé ninguém que só faltava bater nela e trazer uma puta em casa, que não deu emprego pra ela e que volta e meia ela se sentia desamparada porque sabia que Deus não estava fazendo nada. Ela ficou com raiva, deu socos na própria mão e ameaçou me bater, ela ficou tão diferente que pensei por alguns segundos se ela era realmente minha mãe. E depois de dizer para eu me matar com uma faca enfiada no peito porque era mais fácil, decidir fazer o que ela queria, me matar.

Fui ao banheiro e procurei os remédios da minha avó, eram remédios de pressão então me perguntei o que aconteceria com meu corpo se eu tomasse todas as cartelas. Será que doeria? Seria rápido? Um ataque cardíaco ou algo assim? Me pergunto se as pessoas que se jogam dos prédios sentem um arrependimento depois que fazem, sabe, antes de seus corpos encostarem no chão, eles deviam pensar em algo, ou talvez não. Eu acho que não, mas aquilo não era um prédio, e sem dúvida não seria uma morte rápida e indolor, eu provavelmente iria agonizar em meus últimos segundos e iria me arrepender de deixar meus amigos e meus livros incompletos. Me sentei encostado na parede fria, ouvindo todas aquelas palavras que ela disse para mim. "Eu odeio VOCÊ!" Ela disse, "odeio" voltou a repetir, "se mate". Essas palavras me machucaram tanto, que nunca pensei que fosse ficar tão afetado. E pensar que realmente estava cogitando sustentar minha mãe e levá-la comigo para morar junto, depois dessa, eu nem sei se eu realmente considerava ela minha mãe. A pior parte nisso tudo é que, nem com raiva eu estava, eu devia, mas não estava, o que senti era uma mistura de tristeza e desapontamento.

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