[2] Meu vizinho é um Lobsomen?

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#OperacaoVizinhoLobsomen🐺

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#OperacaoVizinhoLobsomen🐺


Meu pai sempre me levava em suas saídas. Lembro-me quando pequeno conhecendo seus amigos e ele falando algo como "esse é o meu garotinho". Eddie não era um bom pai, mas era um ótimo homem. Como é possível alguém ser um ótimo homem e não ser um bom pai? Bem, eu não sei. Mas ele era. Podia não ser perfeito mas eu sei que ele tentava, e mesmo com todas as dificuldades e brigas ele nunca levantou a mão para minha mãe, nunca. Ele havia mudado, não sei porque os pais mudam quando ganham filhos, talvez não gostassem de dividir a esposa com uma criança, talvez se sentissem pressionados ou quem sabe, seja uma decepção por não ter sido criado como os filhos são criados. Ele queria um menino, mas acho que não fui o que ele esperava, e eu sabia que era a decepção dele. Não fui criado como imaginei que seria, uma família estável e tranquila. Sem brigas, no início era assim. Todos os três reunidos na sala comendo pipoca e bebendo Coca-Cola até não aguentar mais, com o volume da TV quase no máximo com os sons de tiro. Eu tentava continuar acordado para terminar de ver o filme. Não sei quantos anos tinha quando cenas como essa nunca mais aconteceram.

Me lembro dele distante, distante demais de mim. Não me olhava mais com orgulho, não me levava para sair, reclamava de mim para minha mãe, implicava com meus cortes de cabelo, com minhas roupas, com minhas decorações. Nunca entendi o que havia mudado, o que eu havia feito, acho que eu nunca entenderei. Cresci, sabendo que ele me odiava, pelo menos era isso que minha mãe dizia. "Fique longe dele, ele não te ama", talvez não fosse totalmente mentira, mas de fato eu me afastei, e ele percebeu isso, fiquei mais próximo de minha mãe e isso irritou ele. O que eu podia fazer? Eu era pequeno demais para entender.

Como todas as crianças, eu tinha medo de monstros. Mas não dos monstros que apareciam na TV e que se escondiam debaixo da minha cama, esse era diferente, ele andava como meu pai, falava como meu pai, agia como meu pai, mas não era meu pai.

Minhas experiências sobrenaturais não se remetiam a só ver vultos e ter sonhos bizarros que se realizavam alguns dias depois como as previsões da Raven ou algo do gênero. Mesmo não querendo acreditar, sabia que minha vida mudaria de certa forma. Era como... uma sensação de angústia que sempre existia em meu peito, eu olhava para o céu e via cores roxas e rosa e pensava se algum anjo desastrado tinha derrubado tinta pelo céu, e se a enorme mancha escura de azul era uma tentativa de Deus para tentar apagar o erro do anjo atrapalhado. Minha mãe acreditava em Deus, e por alguns anos eu também acreditei, até perceber que ele não ouvia minhas orações nem as da minha mãe, foi quando percebi que Deus só existe para aqueles que não precisam deles porque são brancos de classe alta ou são pastores, que no caso as duas coisas são a mesma coisa. Para o resto da população vivendo em condições de miséria e preconceito seja por sua cor, etnia, sexualidade e gênero, Deus não existia.

Na verdade acho que nós matamos o verdadeiro Deus, o assassinamos da pior forma possível e essa face que vemos pregada nos quadros assustadores é só uma representação do impostor a qual eu chamo de verdadeiro diabo, pois nenhuma das suas palavras me soa como um amor verdadeiro que todos dizem ouvir.

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