[21] O Lobisomen no meio da sala

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Tem gatilhos de mutilação nesse capítulo 📌

Era difícil de concentrar com os olhos fechados quando sua mente só voltava o ocorrido para lhe assombrar, como se soubesse exatamente onde tocar para engatilhar seus piores e mais profundos medos

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Era difícil de concentrar com os olhos fechados quando sua mente só voltava o ocorrido para lhe assombrar, como se soubesse exatamente onde tocar para engatilhar seus piores e mais profundos medos. A mente podia ser bem sádica às vezes.

Minha mente brincava comigo. Naquela escuridão do quarto com o som da goteira do banheiro de meu quarto ecoando como o som de sinos badalando, minha mente vagou nos fleches da ambulância, da dor, dos gritos. Monstros se formavam nas sombras das janelas e arranhavam o chão debaixo da minha cama, a noite podia ser um refúgio para muitos é um pesadelo para aqueles que tem seus demônios à solta.

Marcelo estava no canto, acordado, seus olhos brilhavam no escuro como os de Frida, era assustador se encarasse por muito tempo, a figura humana se pedia na animalesca e mesclava os instintos mais primitivos. ele estava inquieto, ansioso, a noite parecia eterna, e deixava-o mais próximo de seu animal interior, jin diz que lobisomens recém transformados eram perigosos pelo fato de não terem controle de seu instinto, como nós humanos temos, ou pelo menos, alguns de nós. Ele parecia com fome, o que lobisomens comiam, eles podiam comer chocolate?

— Você está com fome?

Marcelo levantou a mão.. ou seria pata? Talvez mãopata.

Ele levanta a mãopata como se pisasse em pregos. Era o mesmo sentimento que eu sentia sempre que colocava sapatinhos na Frida e ela detestava.

— Certo.. vou vê se tem algo pra você comer.

Ele recua, indo pra escuridão, se ele fechasse os olhos nem poderia vê-lo de tanto que sua pelugem se fundia ao ambiente escuro.

— Jungkook não está atendendo minha ligação, parece que quando eu preciso dele, ele não aparece. — resmungo enquanto coloco os chinelos.

Marcelo me encarava como um filho encara a mãe que dizia a típica frase: "você não faz nada direito! Quero ver no dia que eu morrer"

Quem nunca se sentiu mal ouvindo isso que atire a primeira pedra.

E se você nunca ouviu.

Você é sortudo..

— Fica Marcelo, vou vê se tem algo pra você na geladeira.

Enquanto eu vasculhava a geladeira em busca de algum resto de pizza ou sobrado de lasanha, me perguntei onde em algum lugar do Jimin do passado estaria quase duas horas da manhã buscando comida para um lobisomem recém transformado que estava preso no meu quarto. Parecia história pra criança dormir.

No fundo da geladeira, entre os pratos de queijo e panela de feijão achei um sanduíche que eu tinha feito antes de sair para praia mas acabei por não comer por causa da ansiedade.

Pego o prato e coloco em cima da mesa.

Um vulto passa pela janela do lado de fora, pela minha visão periférica.

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