Capítulo 15

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Eu a deixei passar na minha frente, andamos por um corredor estreito e bem iluminado, a música estava alta, as vozes animadas, o som do gelo sendo despejado em taças e drinks sendo feitos, sinto falta dos meus cassinos.

Tine me puxou para uma mesa alta perto do bar e eu sentei na cadeira de frente pra ela.

- É legal aqui! - ela disse por cima da música alta e eu assenti. - Vou pegar alguma coisa pra beber!

-OK! - fiz um legal com a mão e ela saiu sumindo no meio das pessoas.

[...]
Minha mente se esvaziou, o calor humano, as risadas, a música animada, pessoas sendo felizes ao menos por alguns minutos, tudo isso ajudou a entorpecer meu cérebro. Meu corpo se mexia no ritmo da música, os quadris se moviam com a batida animada, mas tinha algo errado, eu sentia algo diferente, a sensação caminhava pelo meu corpo como um toque invisível passando pela minha clavícula, acompanhando o formato do meu vestido, todas as partes de mim que estavam expostas. Abri os olhos para tentar entender mas só haviam as mesmas pessoas dançando ao meu redor, ninguém perto o suficiente pra me tocar, tô ficando maluca só pode, voltei a me mover com a música e a sensação voltou ainda mais forte, era como se alguém realmente estivesse me tocando mas não havia ninguém, eu tenho medo de assombração.

Parei de dançar e olhei ao meu redor, ninguém prestava o mínimo de atenção em mim, todos concentrados nas próprias danças desengonçadas o que significa que eu tô doida e imaginando coisas, saí da bagunça ali e voltei pra mesa, Christine não estava lá, a julgar pela taça vazia ela deve ter ido buscar bebida de novo, olhei o cardápio que estava na mesa.

-Sex on the beach?- levantei a cabeça e vi Tine com uma taça enorme na mão, ela se sentou e esticou a bebida na minha direção.

-Nem vem.- empurrei de volta pra ela.

-Tem a opção sem álcool também.- ergui uma sobrancelha- Desculpa, às vezes esqueço dessa coisa toda do seu pai.

Assenti e ela se concentrou em beber o líquido vermelho e amarelo.

-Ai meu deus- Tine estava congelada no lugar olhando pro lado direito, tentei seguir a direção mas não vi nada além de gente dançando- a gente precisa ir embora.

-O que? Por que?

-Olha- Ela se virou pra mim e apontou com a cabeça pra mesma direção de antes, olhei novamente e esperei alguns segundos, consegui ver uma mesa específica do outro lado da boate, tá de sacanagem.

O girafa de salto estava usando um terno preto, o que já começa errado porque ninguém usa terno em boate, pelo tamanho do copo em sua mão dava pra saber que era whisky, ele olhava as pessoas dançando e parecia procurar alguém enquanto conversava com o cara ao lado dele, estranhamente esse parecia o superman, eu com certeza tô maluca. Não consegui virar meu rosto pra Christine a tempo, meu olhar se encontrou com o dele, o movimento circular que ele fazia com o copo parou, de repente todo o barulho da boate parecia ter sumido, a sensação apareceu novamente, muito mais forte, senti minha pele se arrepiar e meu coração acelerou, mesmo de longe eu conseguia ver o reflexo dos olhos claros toda vez que a luz passava pelo rosto dele, esse cara tá me perseguindo.

-Nic?- Olhei pra tine que parecia nervosa, por que ela tá nervosa?

-O que?

-A gente pode ir embora?- franzi o cenho.

-Por que? Eu tô bem.

-Não é isso, eu...então, lembra da inauguração do cassino, certo?

-Claro.- A taça dela já estava vazia, gente que cachaceira.

-Lembra que eu sumi por um tempinho?

-Lembro.- ela respirou fundo.

-E que eu me perdi tentando achar o banheiro, certo?

Dama de EspadasOnde histórias criam vida. Descubra agora