- Voltei, entra Pi. - Continuei escrevendo em minha agenda evitando a situação que me meti. Olhei para Louis que se sentou ao meu lado em um cadeira que ele puxou. - Então, o Sr. Delyon veio nos alertar sobre o orçamento da atual obra.
- Me chame de Henrique. - Louis deu uma risadinha como uma adolescente apaixonada.
- Certo, Henrique me enviou os gastos das últimas semanas. Pietro?
- Ainda não vejo motivo para alarde, podemos fazer alguns cortes.
- Ainda? Já passamos de 30%. - Henrique olhou como se Pietro tivesse dito a coisa mais estúpida que ele já ouviu.
- É uma obra grande.
- Esse não é o problema. - Uma pequena ruga de estresse surgiu entre as sobrancelhas dele.
- Henrique, a suíte seria uma opção para reduzir? - Ele sorriu.
- Sim. - Pietro interrompeu.
- Não, não se preocupe com isso.
- É um gasto desnecessário, Nicole. - Pietro disse.
- É necessário para mim. Se vou cobrir os gastos adicionais preciso de algo que faça isso valer.
- Achei que ninguém poderia saber.
- Eu decido quem pode saber, Pietro.
- Está cobrindo a quebra no orçamento? - Olhei para Henrique, uma hora ele ia perceber, não é tão burro quanto aquela família.
- Eles não sabem, se abrir a boca acabo com você.
- Voltando ao assunto, antes que a chefinha espanque vocês, nosso fornecedor ainda não entrou em contato sobre as máquinas.
- Vou enviar um e-mail agora. - abri o bloco de notas no notebook e comecei a escrever um rascunho, o único barulho no ambiente eram as teclas na minha frente, Louis escrevia algo em seu caderninho e eu sentia os dois pares de olhos em mim, forcei meu cérebro a se concentrar no que escrevia mas não consegui, de repente, a sala parecia quente demais e eu só conseguia pensar em não ficar vermelha, listei mentalmente todos os livros que precisava comprar, aniversários que estavam por vir, os sobrenomes mais estranhos que já vi, ao mesmo tempo escrevia o e-mail. Mas o silêncio foi quebrado por duas leves risadas em sincronia, levantei o olhar e percebi o que tinha acabado de acontecer, os dois achavam engraçado eu estar corada mas ninguém esperava risadinhas sincronizadas que deixariam um clima ainda mais desconfortável, olhei para o lado onde Louis comprimia os lábios com força tentando não reagir.
Passamos cerca de meia hora em silêncio enquanto eu finalizava e enviava o e-mail, Louis saiu e entrou da sala algumas vezes de maneira sorrateira, Henrique estava no sofá de couro de frente para a cidade, Pietro mexia em seu celular freneticamente, aparentemente resolvendo algo importante. Louis entrou na sala mais uma vez trazendo uma lista de possíveis cortes no orçamento, ele entregou uma cópia para cada, alguns minutos avaliando antes de Henrique falar.
- Pimentinha.
- Hum? - Era estranho eu responder por esse maldito nome tão automaticamente.
- Insisto para que tire a suíte da lista.
- Nicole... - Pietro era o único que insistia em não fazermos essa parte da obra.
- Deixe a suíte, cortaremos em último caso.
- Preciso voltar para empresa. - Olhei para Henrique tentando imaginá-lo atrás de uma mesa feita de mogno escuro, uma sala sem cores e com fotos de família, pensei que talvez um dia eu acabasse conhecendo a empresa dele em alguma reunião sobre o cassino, mas descartei a ideia.
- Resolvemos daqui, obrigada.
- Sempre a postos, Pimentinha. Louis, até a próxima. - Ele levantou estendendo a mão para Lou que apertou com um sorriso estampado no rosto, Henrique me deu uma piscadela acompanhada de um sorrisinho de canto, que sempre caía muito bem nele. - Pietro.
Henrique saiu da sala sem esperar uma resposta ao cumprimento, ouvi sua voz no corredor falando com Lily e depois silêncio.
- Mais alguma coisa? Vou avaliar a lista hoje mas preciso ir para outra reunião agora.
- Terminamos, boa sorte chefinha. - Sorri e ele saiu da sala, Pietro continuava ali me encarando, comecei a arrumar minha mesa e me levantei, ele não havia movido um músculo, os braços cruzados e a expressão séria.
- Não vai sair? - Perguntei sorrindo para não soar grossa, o que ele ainda tá fazendo aqui?
- Pimentinha, hum? - Meu sorriso sumiu automaticamente.
- O que?
- Achei que só funcionava comigo.
-O que quer dizer?
- Nada, não sabia que corava quando outros homens te encaravam. - Oi? O tom de voz dele não era de quem fazia uma piada, parecia mais uma cobrança.
- Pietro, independente do que aconteceu ou deixou de acontecer entre nós, ainda sou sua chefe e exijo respeito, meça suas palavras comigo antes de insinuar qualquer coisa.
- Eu...você está certa, me desculpe Nicole.
- Ótimo.
- Mas não posso fingir que gostei dele. - Não preciso da avaliação dele sobre Henrique.
- Caso esteja incomodado com as escolhas de sócios para minha empresa, peça demissão, abra seu próprio negócio e contrate quem bem entender, mas enquanto estiver aqui faça seu trabalho e não se meta nas minhas decisões.
Não esperei resposta, saí da sala passando pela recepção onde Lily e Louis estavam resolvendo algo em ligação, entrei no elevador e respirei fundo mantendo o foco na próxima reunião.
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Nicolinha entregando lacres ✨, semana que vem tem mais glr!
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Dama de Espadas
FanfictionNicole Montreal tem 25 anos e um império para comandar, ela é de longe a brasileira mais intensa que você vai conhecer em Nova York. Qual palavra definiria a Nic? Tempestade, com certeza. Porém como a vida não dá ponto sem nó, tem um CEO gostosão qu...
