Capítulo 30

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Acordei com o sol atravessando uma fresta da cortina branca e atrapalhando meu casamento com o Michele Morrone, que droga. Levantei e caminhei até a cortina para espiar o clima que estava lá fora, o sol alto apesar da hora iluminava as janelas dos prédios e refletia no teto dos carros deixando a paisagem distorcida pelas ondas de calor, claramente um dia perfeito para piscina, corri até o telefone para reservar a local por umas duas horas.

-Oi, bom dia, a piscina está disponível?

-Bom dia, só um minuto.

-Tá.

-Por quanto tempo deseja reservar?

-Duas horas, agora pela manhã.

-De 7 ás 9?

-Pode ser, obrigada.- Desliguei o telefone e fui até o banheiro para tomar um banho, soltei o cabelo e me olhei no espelho, que horror.

-Tribufu.- Falei para o meu reflexo e entrei no box, a água gelada arrepiou meu corpo inteiro enquanto eu saltitava para tentar diminuir o frio, parei quando lembrei que poderia escorregar, bater a cabeça e morrer. Meu medo é morrer? Não, é ser encontrada morta pelada no banheiro, humilhação demais para o meu gosto.

Lavei o cabelo já que na noite anterior dormi enquanto lia e não tomei banho, ter sono de uma idosa é complicado, voltei para o quarto vestindo o roupão branco com meu nome nele, obviamente minha mala era grande e pesada demais para colocar na cama, me sentei no chão abrindo os saquinhos que organizei as roupas.

-Cadê você biquininho?- Revirei mais algumas vezes as roupas até aceitar que esqueci meu biquíni.- Porcaria.

Por conta do horário na piscina não tinha como ir comprar um novo e eu não ia perder essa oportunidade, olhei para o relógio, 06:45, bati o dedo indicador no queixo repetidamente tentando pensar em algo.

-E se...- Olhei pra o saquinho jogado no chão que tinha um tecido vermelho dentro.- Ninguém sabe a diferença mesmo.

Peguei o pacotinho e corri de volta para o banheiro com um sorriso, tirei o roupão e segui o costume de olhar no espelho, obriguei meu cérebro a parar de procurar defeitos que me fariam não ir para piscina.

-Você vai passar o dia catando defeito e não vai achar. Eu sou uma gostosa, levemente narcisista porém totalmente perfeita.

Vesti as duas peças e peguei uma camisa de botão florida que ia até metade da minha coxa, deixei meu celular no carregador e saí do quarto rezando para não dar de cara com o paspalhão. Andei até o elevador e esperei.

-Esqueci de fazer xixi.-Comecei a correr de volta mas parei assim que minha sandália fez um barulho alto o suficiente para se ouvir da recepção.- Cala boca.

Voltei a andar lentamente e na ponta do pé, quase conseguia ouvir a música tema da pantera cor de rosa tocando, tanantanan tanan tanantanantanan tanan tanan tanananan.

Foi o xixi mais rápido da minha vida, voltei para o corredor e ouvi o plim do elevador se abrindo então corri como se não houvesse amanhã, a poucos passos de lá ouvi uma porta sendo destrancada.

-Nicole?-A voz rouca de quem acabou de acordar quase me fez parar mas fui forte, entrei no elevador com um tropeço e apertei o botão do primeiro andar desesperadamente.

-Fecha, fecha, fecha...AH!- Joguei o tubo de protetor solar na altura do peito dele por impulso, a porta não se fechou rápido o suficiente pra evitar a situação.

-Da próxima vez, não corra.- Ele bloqueou a porta com uma mão e me entregou o protetor que ele não deixou cair. Henrique usava uma calça moletom cinza e uma camisa preta, o cabelo castanho bagunçado com alguns cachinhos se formando e um que caía sobre a testa dele.

Dama de EspadasOnde histórias criam vida. Descubra agora