-Avisei para não tocar nela.- Henrique passou na minha frente encarando o segurança de cima.
-Os dois, fora.- O homem barbado e bombadão que vestia um terno azul barato falou apontando para rua.
-Aquele ali tentou me comprar por um dólar e eu que preciso sair?
-Se não quer ser confundida com uma puta é só não se vestir como uma.
-Retire o que disse ou te mando direto para o seu velório.- Esse doido tá querendo levar um soco. Olhei para a arma do segurança reluzindo em sua cintura, eu não quero morrer.
-Não me importo que pensem isso de mim, o problema é ele achar que eu ia topar por UM dólar.
-EU PAGO MIL!- Alguém gritou da fila mas não olhei antes de responder.
-SUA MÃE TOPOU POR MENOS!
O segurança se virou voltando para o clube enquanto nós ficávamos parados ali.
-Qual a droga do seu problema?-Ele sabe que podia ter levado um tiro? O que eu ia fazer se ele levasse um tiro? Não sei primeiros socorros, ia deixar ele morrer só de raiva. Passei horas pensando em um roteiro legal e ele simplesmente nos fez ser expulsos de um dos melhores lugares em Vegas.
-Meu problema? Eu estava protegendo você!
-Me protegendo do que?
-Ele chamou você de puta.
-Eu sou?- Ele fez uma cara confusa como se eu tivesse dito a coisa mais idiota do planeta.
-O que quer dizer? Claro que não.
-Então por que se importar com o que um estranho aleatório pensa de mim?
Tentei lembrar que não posso surtar sempre que algo foge do meu controle. Me virei e segui andando, dobrei a esquina em uma rua lateral vazia, a luz amarela de dois pequenos postes faziam parecer que entrei em outro mundo, andei até o banco de madeira escura na outra calçada, uma lojinha de doces acabara de mudar a plaquinha para "fechado".
Sentei no banco enquanto tirava meus saltos, uma lufada do vento gelado me lembrou que o céu aqui é melhor que em NY, olhei para cima e os pontos brilhantes por toda parte se misturavam com as luzes de holofotes que passavam rapidamente, a lua cheia ainda estava em um ponto baixo. Ouvi alguns passos ao longe e vi quando ele dobrou a esquina com o terno jogado sobre o braço, as mangas da camisa branca enroladas na altura do cotovelo. Henrique se sentou ao meu lado olhando para o céu.
-Onde estamos?- Eu também não sabia, a rua pequena e sem saída era habitada por 6 pequenas lojas com faixadas que lembravam um filme de faroeste, uma doceria, uma biblioteca de livros antigos com lombadas marrons e letras douradas, uma com vários relógios antigos na vitrine. Me virei pra descobrir quais as três atrás de nós, uma vendia quadros muito bonitos e com molduras bem desenhadas, a outra tinha prateleiras cheias de discos de vinil, uma vitrola antiga reluzia no balcão, a última loja que aparentemente estava aberta era...
-Não.- Henrique seguiu meu olhar.
-Ah.- Me levantei e fui até lá, um manequim vestido de pirata tinha um papagaio colorido e despenteado no ombro enquanto um bailarina vestia um tutu rosa claro brilhante, dentro da loja uma garota lia um livro de capa marrom desgastada, apoiada na caixa registradora, enquanto estava rodeada de diversas fantasias, bruxas, duendes e princesas.
-Que porra é isso?- Henrique sussurrou ao meu lado. Eu preciso conhecer esse lugar, girei a maçaneta dourada e os sininhos acima da porta anunciaram nossa chegada. A garota de cabelo castanho claro e óculos redondos sorriu quando me aproximei.
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Dama de Espadas
FanfictionNicole Montreal tem 25 anos e um império para comandar, ela é de longe a brasileira mais intensa que você vai conhecer em Nova York. Qual palavra definiria a Nic? Tempestade, com certeza. Porém como a vida não dá ponto sem nó, tem um CEO gostosão qu...
