Saí do condomínio enquanto minha música favorita inundava o carro, as ruas da cidade que nunca dorme já repletas de carros causando pequenos engarrafamentos, mudei de rota e parei no sinal vermelho.
- Someday I'll wish upon a star...que droga.- A música foi interrompida por uma ligação de número desconhecido, cobrança?- Alô?
- Pimentinha!
- Nãaaao!- Vou fingir que não sei como Henrique conseguiu meu número, Louis é oficialmente o maior boca de sacola que eu conheço.
- Tenho notícias sobre a suíte.
- O que?
- Cheguei a uma decisão sobre a estrutura.- Ai.
- Conta logo, Henrique. - O sinal ficou verde e segui em frente evitando as avenidas principais.
- Não.
- Por que não?
- Precisa ser pessoalmente.
- Não pode falar por aqui?
- Não, quero ver sua reação.
- Pode passar na empresa?
- Não, jante comigo hoje.
- Não.
- Então não contarei minha decisão.- Droga.
- Onde?- Ouvi a risada leve dele do outro lado da linha e cada átomo do meu corpo entrou em alerta, apertei o volante com mais força.
- Vou mandar meu motorista pegar você na empresa às 21h.
- Tenho carro.
- Meu motorista também, te vejo à noite.
Ele desligou na minha cara. Cheguei na empresa minutos depois, Louis estava concentrado em seu computador e Lily deve ter saído para resolver algo.
- Lou?- Ele levantou o olhar e sorriu.
- Oooi chefinha.
- Preciso que passe no meu apartamento hoje. Tenho um jantar de negócios com Henrique à noite, pegue uma peça de roupa, por favor.
- JANTAR COM QUEM?!- Tenha santa paciência.
- De negócios, com um sócio.
- Claro, claro. Eu resolvo.- Entreguei a chave para ele e entrei na minha sala. Espero que ele não destrua minha casa.
[...]
Entrei no camarim do escritório e vi a capa branca pendurada, embaixo uma caixa de uma marca de sapatos que eu não lembrava de ter, fui para o banheiro antes de olhar a roupa, confio na escolha de Louis.
- FILHO DE UMA MÃE!- Confiar em Louis foi uma péssima ideia. Procurei o contato dele e esperei.
- Ooooi chefinha!
- Louis.
- Sim?
- Qual parte do "jantar de negócios" você não entendeu?
- Jantar de negócios? Oh, desculpe, ouvi jantar com o Henrique.- Senti meu sangue fervilhar, preciso de um novo secretário.
- Louis, é uma reunião.
- Ops! Mas como é uma ótima chefe, não fará desfeita com minha escolha, aproveite a noite e me deve 300 dólares pelos sapatos, não vou cobrar o vestido.
- Não tá achando que eu vou...- Ele desligou, na minha cara, é a segunda vez que isso acontece hoje.
Não tenho tempo para pegar outra roupa e odeio atrasos, tirei o vestido do cabide pensando na demissão de Louis, não sei se gostava por ao menos ser vermelho ou se odiava mais ainda por ser vermelho. Será que eu conseguiria costurar essa fenda? Não, vai ficar horrível. Tudo bem, é só uma roupa.
A empresa estava vazia, apenas os seguranças de cada andar estavam ali, peguei o elevador para a recepção e assim que saí vi o carro que Henrique usou para chegar ao aeroporto quando viajamos, eu realmente tinha gostado daquele carro e essa foi uma coincidência agradável. Saí do prédio e prontamente um homem baixinho com uniforme preto veio me receber.
- Senhorita Montreal. - Ele tirou o chapéu fazendo uma leve reverência, meu Deus moço.- Permita-me dizer que está muito bonita.
- Obrigada, podemos ir?
- Claro.- Ele abriu a porta do banco traseiro e esperou que eu entrasse, assim que me acomodei percebi algo ao meu lado.- São para a senhorita.
Um buquê. Não um buquê comum de rosas vermelhas, mas sim de girassóis, não girassóis amarelos, eram vermelhos. As flores combinavam com a cor do vestido, o que me fazia pensar se Henrique estava por trás da escolha de Louis, no meio do buquê havia um cartãozinho com uma letra quadrada e sem borrões, tinha meu nome, abri e lembrei que coincidências não existem.
"Vi que gostou do carro."
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Dama de Espadas
FanfictionNicole Montreal tem 25 anos e um império para comandar, ela é de longe a brasileira mais intensa que você vai conhecer em Nova York. Qual palavra definiria a Nic? Tempestade, com certeza. Porém como a vida não dá ponto sem nó, tem um CEO gostosão qu...
