Capítulo 41

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*Capítulo não revisado.

- Eu deveria ter denunciado você.

- Por qual motivo?

- Você me persegue desde a primeira vez que me viu.

- Apenas coincidências.

- Você construiu o prédio que eu moro.

- Não, você mora no prédio que eu construí.- Era um bom ponto.

- Blábláblá.

- A vista é uma das melhores de Nova York.

- Eu sei, é minha casa.

- Na verdade, é minha.

- Eu comprei.

- De mim.

- Henrique, cala boca.

- Vamos.

- Para onde?

- Falei que ia deixar você em casa.

Atravessamos a rua, senti cada músculo da minha perna reclamar e aparentemente Henrique também porque andava mais devagar que uma lesma.

- Sedentário.- Resmunguei.

- Hum?

- Dois.- disse em português.

- Do o que?

- Dois.

- Do...

- Is.

- O que quer dizer?

- Dois.

- Dois?

- Dois.

- Ah, dois.

Olhei para ele e ri, a corrida afetou nosso raciocínio. Chegamos a entrada do prédio onde coloquei minha digital e a câmera fez reconhecimento facial.

- Deseja permitir a entrada de um acompanhante?- A voz soou pronunciando o "um" de maneira esquisita como sempre acontece.

- Sim.

- Acesso liberado, senhorita Montreal.- Resisti ao impulso de falar "obrigada" como sempre faço, Henrique me acharia louca, mas gosto de responder a robô, em uma possível revolta das máquinas ela vai lembrar disso.

- Valeu maquininha.- Olhei para Henrique em choque.- O que? No futuro ela não vai me matar.

Ele passou por mim andando na direção do elevador enquanto eu continuava tentando entender o que aconteceu, temos os mesmos neurônios?!

- Em qual você mora?- Ele perguntou quando entramos no elevador panorâmico.

Apertei o botão da cobertura e digitei a senha, o elevador começou a subir e tive vontade de dormir no chão ali mesmo. Era sempre a mesma sensação, casa era o lugar que eu ia apenas para dormir, nunca um lar, apenas paredes e móveis. O elevador parou e abriu as portas revelando o corredor branco, alguns quadros com fotos de animais marinhos na parede, 2 vasos de plantas e uma mesa preta com um vaso transparente, algumas flores se misturavam dentro dele.

- Seu vizinho parece um bom decorador.

- Não tenho vizinhos.

- Comprou os dois apartamentos?

- Sim.

- Por que precisa de dois apartamentos?

- Às vezes organizo encontros com amigos.- Menti, ele não precisava saber o que tinha lá dentro, tentei imaginar a reação de Henrique com o quarto vermelho, seria engraçado.

- Legal.

Parei na porta do meu apartamento e me virei para ele que olhava a cidade pela parede de vidro no fim do corredor.

- Então.- Ele ainda parecia triste.- Como vai voltar para casa?

- Meu motorista deixou o carro no fim da rua, pedi quando saímos correndo.

Não acho que seja uma boa ideia deixar ele dirigir, vai que bate em uma árvore ou cai em um rio.

- Pode ficar aqui essa noite se quiser, não me parece bem para dirigir, pode acabar batendo em um poste.- Ele riu.

- É uma proposta tentadora.- Henrique apoiou a mão na porta atrás de mim. - Mas sei que não conseguiria descansar estando tão perto de você, nos veremos em breve. Boa noite, Nicole.- Ele beijou o topo da minha cabeça e se virou indo para o elevador, observei Henrique ir embora antes de entrar no apartamento.

[...]

Finalmente deitei na cama acompanhada de pandora que logo se jogou no travesseiro dela, tentei relaxar para dormir mas meu cérebro insistia em imaginar um carro partindo um poste ao meio. Me assustei quando meu telefone acendeu com uma notificação, olhei a mensagem pela tela e ri, não precisava muito esforço para saber quem era o número não salvo.

"Não bati o carro, Pimentinha."
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Voltei glr, perdoem a demora, tava com mta coisa na cabeça mas tenho alguns capítulos prontos que vou postar em breve.


Dama de EspadasOnde histórias criam vida. Descubra agora