Capítulo 34

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- Onde você tá?

- Atrás de você, Tine. - Ela se virou e dei um passo para trás antes que o cabelo loiro voasse no meu rosto.

- Oi, Nic! - Encarei esperando ela perceber que ainda falava comigo pelo telefone. - O que?

- Se vai falar comigo pela ligação enquanto estou aqui, vai precisar de mais bateria.

- Ah! - Ela sorriu e encerrou a ligação na minha cara.

- Não, não, atenda novamente. - Liguei para ela que tinha uma cara confusa, levei o aparelho até o ouvido. - Agora se despeça antes de desligar, mal educada.

- Tchau, NicNic. - E desligou. - Oi, NicNic.

- Agora podemos ir. - Começamos a caminhar pelo shopping que estava pouco movimentado naquele horário.

- Então, novidades?

- Sim, vou trabalhar com a OHM.

- Finalmente! Fico feliz por você. - Ela disse dando um tapinha na minha mão.

- É, mesmo sabendo que Henrique influenciou um pouco a situação, fico feliz que ela tenha gostado a ponto de aceitar.

- Henrique?

- Eles são amigos.

- Hummm.

- O que?

- Nada.

- Tine.

- Só acho que se ele fez o esforço de influenciar a Heloise a aceitar, você sabe. - Não, não sei.

- Sei o que, Christine?

- Ele pode estar...

- Não termine esta frase. - Não consigo passar um dia sem que alguém ao meu redor aponte que aquele quase desconhecido sente algo por mim além de ódio.

- Não pode ignorar sempre que um bom partido aparece, Nicole.

- Bom partido? Sou campanha eleitoral?

- Haha. Uh, Valentino! - Senti meu braço ser puxado enquanto ela andava até a loja. Tine entrou na loja e suspirou. - Amo este lugar. Samanta?

Uma porta se abriu e Samanta apareceu com um sorriso gigante, Tine sempre tem uma vendedora favorita em cada loja que ela costuma ir.

- Mon cher! Que prazer ver você pela décima vez na semana! - Olhei para Tine, décima vez?

- Não precisava contar.

- Pois bem Mon cher, o que deseja?

- Algo rosa, por favor. - Senti minha cabeça começar a latejar percebendo que ficaria horas ali.

Sentei na poltrona de frente para os provadores esperando Tine se trocar. Foram várias roupas, uma era longa demais, curta demais, pouco brilho, muito sem graça, parece que saiu de um lixão, parece uma galinha depenada, mas era moda.

- Acho que não é rosa o suficiente. - Ela abriu a cortina, um conjunto de alfaiataria que parecia ter sido lavado demais e acabou desbotando, era horrível, mas em Tine caía como uma luva, pessoas pagariam milhões por aquela roupa caso ela fosse a modelo.

- Odiei. - Falei fazendo uma careta.

- Vou levar. - Nós rimos enquanto ela dava voltinhas na frente do espelho.

- Próximo. - Ela voltou para experimentar outra roupa.

- Então.

- O que?

- Henrique.

- Meu Deus, que obsessão.

- Estou curiosa, Nicole. - Que pena.

- Sobre o que?

- Você gosta dele?

- Eu não gosto dele.

- Por que não?

- Não preciso justificar.

- Então não tem motivos.

- Ele é insuportável.

- Mas você também é. - Justo.

- Horrorosa.

- Narcisista.

- Obrigada.

- Esse? - Uma saia com bolsos e a parte de cima que parecia ter sido feita por uma criança, pelo menos era rosa.

- Horrível.

- Vou levar também.

- Não gosto dele.

- Você que está voltando no assunto.

- Porque você está enganada.

- Tudo bem, mas deveria dar uma chance.

- Dar uma chance?

- Sim.

- Por que eu daria chance de alguma coisa a um desconhecido?

- Não sei.

- Ótimo.

- Mas precisamos conversar.

- Não. - Ela riu.

- Sim. - Tine saiu do provador e Samanta apareceu. - Quero esses.

- Venha comigo, Mon cher.

- Nic?

- Hum?

- Vamos.

Saímos da loja em direção a praça de alimentação, compramos sorvetes e encontramos uma mesa mais afastada, sentei de frente pra Tine. - Como você está?

- Bem.

- Mesmo?

- Sim. E você?

- Bem. Me fale sobre a Heloise.

- Ela é incrível.

Passamos um tempo conversando sobre Olivia, contei cada detalhe da reunião pulando a parte sobre a virgindade de Henrique, falamos sobre os cassinos, as empresas de Tine e o Brasil.

- Não vamos ignorar o elefante na sala.

- Hum.

- Não vou falar sobre Henrique.

- Que bom.

- Sua mãe?

- Prefiro o Henrique.

- HUMMMM!

- NÃO NESSE SENTIDO CHRISTINE!

- Droga.

- Não falo com ela há alguns dias, o assunto é sempre o mesmo.

- Sinto muito, mas mudando de assunto, lembra da Larissa?

- Que encheu...

- Nicole!

- Foi mal.

- A do ensino médio.

- Lembro.

- O bebê dela nasceu ontem, um menino.

- Gravidez na adolescência né.

- Ela tem 29 anos, Nicole.

- Ah. Me sinto velha.

- Seu aniversário está chegando.

- Realmente.

- 7 de março. Vai fazer alguma coisa?

- Não, eu acho.

- Claro que vai.

- Não tô afim.

- Mas vai.

Olhei para ela que comia um sorvete de chocolate, com cobertura de chocolate, gotas de chocolate e uma colherzinha de chocolate. Desisti de pegar no pé dela por conta disso há uns bons anos, Tine com certeza era parente distante de formigas.
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Então amores, tudo mto calmo né? Pois é, esse é o último capítulo de paz e calmaria por aqui, boa sorte.

Dama de EspadasOnde histórias criam vida. Descubra agora