44 - despedida🥀

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Alicia Narrando

Depois de tudo que o outro jogou na minha cara, eu engoli todas as palavras e resolvi me retirar. Pelo bem da minha saúde e da saúde do meu bebê! Acordei com o sol iluminando todo o quarto, Bruno não havia dormindo em casa, seu lugar na cama estava intacto. Tomei um banho demorado, coloquei uma roupa confortável, fiz um coque no topo da cabeça e desci até a cozinha, preparei um café da manhã e aguardei as crianças descerem, Luna e Arthur tomaram cafe rapidamente e se apressaram mais ainda ao ouvir as buzinadas desesperadas do pai, ele não fez questão de nos acompanhar durante o café ou de descer do carro para saber como eu estava, ele simplesmente me ignorou!
Levei os dois até o carro, e ele fingiu não se importar com a minha presença, apesar do choro ter chegado até a garganta, engoli toda a tristeza voltando até nossa casa...
Lavei todas as roupas, limpei todos os cômodos, aprontei o almoço, no fim da manhã eu estava exausta, é todo um esforço que se torna ainda mais complicado com o peso da barriga

Alicia: Obrigada Jardel! Você conseguiu comprar tudo que te pedi?

Jardel: Patroa tá ligado que nessas parada de fruta e verdura, é mó complicado. Tive que pedir ajuda a minha coroa, ela escolheu umas coisa maneiras! Se precisar de mais alguma coisa aí, só mandar o papo

Sorri agradecendo a gentileza dele, com a quantidade de coisas que eu tinha para fazer acabou me faltando tempo de fazer as compras. Higienizei tudo e resolvi fazer uma sala de frutas para comermos na sobremesa...
E o Bruno não nos acompanhou mais uma vez, me mantive forte, lavei os pratos do almoço, limpei a cozinha, ajudei meus filhos na tarefa de casa, passei o dia esperando sua chegada, mas em casa ele não apareceu.
Deitei na cama gelada perguntando a Deus se eu tinha realmente feito a escolha certa, o bebê estava quietinho, mexendo levemente... parecia sentir toda minha tristeza, apaguei todas as luzes e adormeci
Acordei assustada com o barulho de algo caindo no chão, o perfume amadeirado dele preenchia todo o quarto, seu olhar logo foi de encontro ao meu

Terror: Ih te acordei, foi mal aí, bagulho escorregou da minha mão

Só então analisei ele por completo, calça jeans preta rasgada, tênis e boné da Nike, camisa da Lacoste no ombro e a corrente de ouro com o crucifixo que eu dei pra ele no início do nosso relacionamento... ele estava perfeito

Alicia: é... você me acordou! - falei deixando ele sem graça - Aconteceu alguma coisa? - ele me encarou, confuso - você tá todo arrumado, vai sair de madrugada? É que normalmente não tem baile dia de hoje

Terror: Baile? - ele soltou um pequeno sorriso - fica sussa, RL marcou uma reunião com o conselho, vou ter que piar no Leblon, os cara trabalha que nem morcego, bagulho é atividade na madruga...
Esses dias não vou dormir em casa, tá mó corre, se precisar de alguma coisa os menó aí da frente tão à disposição, Luna e Arthur tão andando na linha? - concordei - e a cria que tá aí dentro?

Alicia: Estamos todos bem.

Falei curta e grossa, ele apenas concordou, colocou a arma na cintura e saiu do quarto sem dizer nada mais...
A semana foi inteira assim, poucas vezes o encontrei, não nos falamos mais; as vezes eu o via parado no muro, fumando com alguns meninos da boca ou dando ordens em seu radinho, ele sempre ignorava minha presença e fingia não me ver ali, eu sabia do assalto e estava bem apreensiva enquanto a isso, todos os dias eu rezava pela sua proteção e a dos demais, enxuguei o rosto e respirei fundo me assustando ao ouvir o barulho da porta do quarto sendo aberta

Terror: Coé, tu tá bem?

Alicia: Não Bruno! Eu sei o porque de você está aqui. E eu tô com medo! Eu tô com medo de ficar sozinha, eu não sei se sou forte o suficiente pra aguentar essa realidade aqui sem você.

TIPO ESCOBAR - MORROOnde histórias criam vida. Descubra agora