Alicia Narrando
Passou-se uns três dias após a reunião na boca, não vi mais o Bruno depois disso, tenho ficado mais caseira, a rua é cheia de problemas e eu tenho filha pequena pra criar.
Fiquei sabendo que tem baile hoje, é aniversários do NC, vou dar as caras... desejar uma feliz vida pro querido, balançar a raba e voltar pra casa. A intenção é ir na tranquilidade e voltar na paz... vou conseguir? Provavelmente não, mas não custa nada tentar.
Fiz a minha vida inteira longe daqui, criei toda uma independência, cresci da maneira mais solitária possível, mas tô viva até hoje!
Terminei de passar o batom, dei uma última escovada no cabelo e sai de casa dando um beijo na minha bebê.
Entrei no baile e me senti uma artista, a comunidade toda olhava pra mim... como se fosse um crime eu está aqui, encostei no bar pedindo uma cervejinha, hoje eu estava afim de ficar leve.
Joana: Tá pianinha no baile né, gata? Deixa só o chefe saber disso, com quem deixou a cria?
Só pode ser brincadeira. Não se pode ter paz, o satanás sempre manda um enviado do inferno pra me atentar! Olhei a Joana dos pés a cabeça e fiquei incrédula ao ouvir isso da boca de uma mulher, que por incrível que pareça, também é mãe.
Alicia: o baile é pra todos, né minha consagrada!? E porque você não sobe aquelas escadinhas ali, e vai perguntar ao chefe - falei fazendo movimento de aspas com a mão - aonde tá a filha dele? Porque até aonde eu sei, eu não fiz a menina sozinha.
Ela fez uma certa cara de desprezo e saiu jogando a bunda de grilo dela, duvido muito que o Bruno tenha que ouviu esse tipo de pergunta. Só ele que tem direito de curtir a vida? Eu tenho que me matar dentro de uma casa, pelo simples fato de ser mãe? Amo muito a minha filha. Mas eu tenho que ser responsável pela minha liberdade! Fiquei bebendo minha cervejinha na humildade, quando vejo ele passando em direção ao camarote, semblante fechado, bem arrumado e acompanhado da tal tropa dele. Quieta estava, quieta permaneci! Poucas vezes olhei para o camarote, ele parecia bem feliz com os amigos e putas ao redor. Essa é a vida dele, essa sempre foi a vida dele.
Talvez eu tenha sido um momento da vida dele, aonde ele precisava se libertar da rotina e procurar algo novo. Uma âncora pra fugir da realidade, mas quando buscamos nos ancorar em uma pessoa, o mar sempre fica agitado, tem que ser ótimo marinheiro pra saber guiar. E quando um temporal nos atingiu, ele escolheu pular do barco e nadar de volta a praia. Enxuguei a lágrima que escorreu, enquanto vi ele sorrir.
Essa é a felicidade dele, esse é o lugar dele. Eu preciso encontrar o meu!
Levantei do banco, paguei a conta e agradeci o serviço do rapaz que me atendeu... caminhei para fora do baile, fui pensativa até chegar em casa, a casa que era nossa. Aonde vivemos tanto e tantos momentos...
Peguei uma mala, e coloquei o básico de coisas que eu e minha filha precisávamos, roupas, produtos de higiene, dinheiro em espécie e documentos, não vou correr o risco de levar cartão. Coloquei as no porta mala do carro, eu iria com ele até certo ponto, de lá pediria um Uber...
Acordei a Talita que dormia com a Jade, disse que a mesma já poderia ir e entreguei o dinheiro pagando seu serviço. Coloquei a Jade ainda meio sonolenta na cadeirinha, e entrei no carro... eu sabia que iria ser questionada sobre minha saída.
Parei na barreira e avisei o vapor que fazia a segurança, desci o vidro e chamei o moleque que parecia ser novo no movimento.
Alicia: Boa noite, vou dar uma saída rápida... a neném tá com febre, não é nada grave, vou levar ela pra aferir a temperatura e tomar medicamento. Já avisei ao terror, ele pediu pra eu comunicar vocês!
O menino só concordou com a cabeça, subi o vidro e passei na tranquilidade. Parei o carro próximo à praia, pedi um Uber até o aeroporto, lá mesmo comprei outro telefone e chip, e joguei o meu no lixo do banheiro. Disquei alguns números
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TIPO ESCOBAR - MORRO
No Ficción"Passo na favela, onde eu cresci Brota criançada que a favela merece sorrir Churras pra criança, Whisky pra nóis" Ele crescido no tráfico, treinado para matar. Ela batalhando desde sempre para ter uma boa vida. Ambos tem em comum, o temperamento for...
