Segundo Lana, não tinha nada de importante para me contar, pois eu não conhecia as pessoas de São Paulo e nunca fui lá. O que poderia me contar seria apenas como é a cidade. Eu fiquei contente em conhecer a cidade, mesmo estando distante. São Paulo é enorme, com grande número de habitantes nativos de vários países e os maiores são japoneses. Existem algumas tribos indígenas dentro da cidade. Minha irmã comentou que já foi em uma delas, fazer uma visita e aceitou-os fazer traços em seu rosto e a tinta é muito resistente a água.
Lana mencionou também sobre a família que a acolheu, são descendentes africanos. Sua mãe Kalifa, tem um restaurante culinário típico do seu país, a Angola. O seu pai Yooku, é advogado, que tirou férias para acompanhá-la até essa cidade, já o irmão Nassur cursou psicologia e ama fazer palestras, e está de férias antecipada. Já o outro irmão, o Zaki está cursando medicina e não pode vir. Ela é a única branca na família, mas não se sente rejeitada, e sim, muito amada.
Pelo seu olhar, dá para perceber que ama muito a família que a adotou. Lana me disse que quando chegou em São Paulo, Nassur tinha 12 e Zaki 10 anos. Na metade desse ano ela se formou em RH e ainda não começou a trabalhar na área. Minha irmã ama ler livros, como eu. Os lugares que ela mais gosta de frequentar além da academia, são os parques e shoppings. O transito onde ela mora é muito caótico, demora uma eternidade para chegar nos locais desejados. A cidade que moro tem uma grande vantagem referente a isso, não é grande tem quase cinquenta mil habitantes.
— E você, não tem namorado? — questiono assim que termina de me contar um pouco de sua história.
— Não — desvia o olhar para o lado. — Está na hora de almoçar — olha em seu relógio.
— Verdade, vamos? — chamo e levanto passando a mão na parte detrás da roupa, sempre faço isso quando sento em áreas externas, pode ter algum resquício de pó.
Não sei se é coisa da minha cabeça, parece que minha irmã não quer tocar no assunto " namorado". Algum relacionamento fracassado a fez ficar desse jeito? Bom, hoje não irei questioná-la, mas vou querer saber o que se passa.
Lana me segue até o restaurante próximo da praça, não é um chique como o que Thiago me levou é bem simples e eu prefiro assim.
Por fora é cinza chumbo e por dentro um branco alaranjado. Eu já frenquentei o restaurante O Sabor algumas vezes, nunca para almoçar, somente para lanchar e jantar. A dona dele é conhecida da minha tia por esse motivo gostava de frequentá-lo.
As cadeiras brancas com mesas pretas combinam com o piso madeira. Mal sentamos, logo uma garçonete vem até nós com os cardápios em mãos, com um largo sorriso:
— Bem vindas ao restaurante O Sabor, quando escolher o pedido pode me chamar.
Depois que assentimos, ela sai para atender outra mesa que a chama.
— O que vai querer? — pergunto a minha irmã começando a abrir o cardápio.
— Calma sua apressada! Eu nem abri ainda — sorri.
Eu não tinha experimentado muitas comidas aqui, porque geralmente eu lanchava. Mas a diferença desse restaurante é que conheço todas as comidas do cardápio, não é como o outro.
— Você tem alguma opinião sobre algum prato? — Lana indaga abaixando um pouco o menu para me olhar.
— Humm… Deixa eu ver — confiro rolando o dedo indicador para baixo analisando as refeições, por mais que soubesse de praticamente todas queria verificar melhor. — Tem Galinhada com Tropeiro, eu amo esse. Mas tem também, Galinhada com Pequi, Maria Izabel, Farofa de Catador Verde, Cuscuz com Carne e o tradicional que é arroz, feijão e algum outro acompanhamento.
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Sem Direção (Concluido)
Teen FictionEm busca de uma vida melhor e para esquecer os seus problemas, Alice Dantas foge de sua casa. Sem muitas escolhas ela percorre sem rumo por um caminho desconhecido. Ao se ver perdida numa mata, pensando ser o seu fim, um desconhecido salva a sua vid...
