Capítulo sete.

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Capítulo sete: Meu nome.

Há dias que tenho vontade de arrancar meus cabelos.

As horas se passam arrastadas. A energia humana que habita em mim parece ser completamente drenada. Eu só quero a minha cama para cair num sono profundo para acordar somente quando o mundo entrar em órbita novamente.

A semana de provas na faculdade está me desgastando. As reclamações de falta de dinheiro dos meus pais me desestabiliza. O estágio de merda mal paga as contas mais rasas que eu tenho. Hoje é um daqueles dias que eu gostaria de recorrer à medicamentos, e para ser sincero, até pensei em pegar alguns comprimidos de diazepam no hospital.

Às vezes tenho vontade de desistir de tudo.

De me desligar do mundo. De viver uma eterna procrastinação. De realmente desistir. Mas, ao invés de fazer isso, eu simplesmente faço tudo o que preciso fazer, sem vontade alguma.

Chego em casa depois da faculdade, completamente exausto. Zayn está no banho e eu me irrito um pouco mais. Esse é o lado ruim de morar com alguém: sempre quando você precisa urgentemente usar o banheiro, ele já está ocupado. Bufo, em frustração, e vou até a cozinha, lavando as mãos e abrindo a geladeira. Não há nada de bom para comer e como sempre, me sucumbo a comer um miojo enquanto Zayn cantarola irritantemente alto no banho.

Termino de comer e vou para o meu quarto, deixando a minha mochila na cama. Tiro os meus sapatos e me jogo nos lençóis, que não fiz questão de alinhar esta manhã.

O dia está uma merda e eu só quero que Zayn desocupe logo o banheiro para que eu possa tomar um banho e dormir. Eu preciso dormir.

Fecho os olhos levando os punhos até a testa, sentindo minha cabeça latejar por completo. Só preciso de uma boa noite de sono para me reajustar. Percebo que desde que terminei com Icarus, eu fiquei mais propício a pensar demais. As vezes sinto como se meu corpo vivesse em uma eterna tensão que eu não consigo dissipar. Eu preciso relaxar. Corpo, alma e espírito.

Meu telefone apita, mas não tenho forças nem para averiguar do que se trata. Só quero manter os olhos fechados. Ele apita de novo, e mais uma vez e eu me irrito, abrindo os olhos, frustrados e destravando a tela.

Me deparo com três chamadas perdidas... de Harry.

Olho com surpresa para as notificações. Desde que ele me chamou no Instagram, semana passada, nós trocamos celulares e algumas palavras. Normalmente nada muito profundo, apenas algumas poucas conversas durante o dia. Ele me contou que o ferimento estava cicatrizando bem e que eu fiz um bom trabalho com a "costura". Também me disse que no segundo dia, já estava no bar, trabalhando. Contei a ele da semana de provas e que seu tio tem babando o ovo meu e de Liam desde que "quebramos o galho" dele. No entanto, estranho o fato dele me ligar.

Abro a sua conversa no meu celular e percebo que há uma mensagem. Uma somente.

Harry (Estranho): Hoje?

Quando clico na barra para começar a digitar, me surpreendo com ele me ligando mais uma vez. Fico olhando para o seu nome na tela, e por um instante, penso em recusar a ligação. Mas, isso é estranho, talvez ele esteja me ligando porque precisa de ajuda com o ferimento. Então, hesito levemente, mas atendo.

CONTINGÊNCIA [L.S]Onde histórias criam vida. Descubra agora