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Anna Estrella:

Hoje a Fernanda tá completando dois meses de gestação.

Hoje tem baile, e eu tô super animada.

Terminei minha maquiagem e já vesti minha roupa. Passei um creme na pele e um perfume. Desci pro andar de baixo e vi o Ret sentado, mexendo no celular.

Anna: Vamos? — passei a mão no ombro dele, que me olhou de cima a baixo.

Ele levantou e veio me abraçando.

Ret: Pô, mina... tu tá gostosa demais, cara... — beijou meu pescoço — cheirosa... aí deixa qualquer um doido.

Sorri, me derretendo com o toque dele.

Anna: Ok, ok... vamos logo, senão a gente vai transar bem aqui mesmo.

Ret: Acho uma ótima ideia.

Revirei os olhos e saí puxando ele. Entramos no carro e subimos pro baile, que ia ser numa rua.

Ele estacionou uma rua antes e eu desci.

A Dani tava na casa do Th, então com certeza já tá no baile. Ret segurou minha mão e saímos andando.

Ret: Já sabe o proceder, né?

Concordei.

O pessoal foi abrindo espaço e fomos passando.

Ret tá vestido com uma calça jeans rasgada, uma blusa preta da Lacoste, tênis branco, cordões no pescoço, um anel no dedo e um relógio de ouro que custa meu rim.

Uma pulseira com a inicial "D e T".

Fomos entrando numa casa e eu não entendi.

Subimos as escadas e vi o povo todo na laje, dançando e curtindo os vários sons que tavam tocando. Ali tu escolhe qual vai curtir.

Ret: Não ia ficar a noite toda lá embaixo não, pô. Tá maluco.

Ri e fui cumprimentar as meninas.

Falei com os meninos e puxei as meninas pra dançar.

Desci até o chão junto com a Amanda e a Fernanda. Depois de dançar algumas músicas, fui pegar bebida.

Logo puxei as meninas pra ir pra baixo e elas vieram. Saímos passando pelo povo e foi aí que me liguei que não avisei o Ret.

Com certeza ele sabe que desci.

Ficamos dançando por um bom tempo.

Fomos pegar mais bebida, voltamos a dançar, até a grávida da Fernanda dizer que queria subir.

Passamos pela multidão com cuidado, entramos na casa e subimos. Olhei pra todo canto e não vi o Ret.

Fiz careta e vi duas meninas ali, conversando com o Th, que não dava muito papo, e o Paiva, que mexia no celular.

Fernanda: Deixa eu ali, né meninas...

Falou olhando, e eu cutuquei a Amanda.

Apontei com a cabeça, ela olhou, fez careta e foi até lá.

Ri e fui até o parapeito observar o pessoal e tentar achar o Ret.

Vi ele entrando num beco.

Saí descendo e entrei na multidão. Fui empurrando todo mundo e entrei no beco sem enrolação.

Mas que porra é essa?!

Por que caralhos tem uma garota de joelhos na frente dele, enquanto ele encara ela?!

Senti um aperto no coração, e o olhar do Ret veio em mim na hora.

Me virei com tudo e saí entrando pelo meio do povo. Corri pra casa e subi pra laje.

Fernanda: Anna, o que aconteceu? — me olhou, se levantando.

Minha visão tava embaçada e eu só queria ir embora.

Anna: Eu quero ir embora... agora!

Amanda e Fernanda se levantaram e saíram comigo.

Paiva veio junto e eu saí quase correndo daquele lugar, torcendo pra não encontrar o Filipe.

Entrei no carro do Paiva e ele meteu marcha pra casa do Ret.

Saí do carro quase correndo e subi, pegando minha mala e colocando em cima da cama.

Amanda: Explica o que aconteceu, Anna Estrella!

Anna: O Ret sumiu. Vi ele entrando num beco e, quando cheguei, vi uma menina de joelhos na frente dele. Ele me olhou e eu virei antes que ele viesse atrás de mim. E agora eu preciso ir embora dessa porra antes que ele chegue, entendeu? Vão me ajudar ou não?

Fernanda: Mas você nem sabe o que eles tavam fazendo, Anna. Tu viu direito?

Não respondi.

Elas ficaram quietas e me ajudaram.

Saí arrastando a mala e as duas bolsas. Paiva me olhou.

Paiva: Ret tá louco atrás de você, Anna...

Passei por ele e joguei tudo no carro.

Entramos e o Paiva saiu entrando nos becos.

Fernanda: Vamos pra casa...

Anna: Não! Quero sair do morro!

Paiva: Sair?! Tá maluca? Não vai não!

Anna: Eu quero, porra! Não tem essa de eu ir não!

Amanda: Anna... vamos lá pra casa do Th. A gente fica por lá até você se acalmar.

Paiva: Mas que porra o Ret fez?

Fernanda: Cala a boquinha, amor...

Paiva se calou e deixou a gente na casa do Th.

Entrei e senti meu peito doer.

Segurei o choro.

Amanda: Vamos tomar um banho quente e depois você explica tudo, ok?

Concordei.

Fernanda: Não diz nada pro Ret que ela tá aqui, Paiva. Ela precisa de um tempo pra pensar.

Paiva: Tá doida? Quero morrer não, fia.

Fernanda: Faz o que eu tô mandando, senão quem vai te matar aqui sou eu!

Ri de lado e fui em direção ao banheiro.

Primeira dama Onde histórias criam vida. Descubra agora