What Other People Say

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Bora esclarecer hoje os pontos que ainda estão no escuro? Esse capítulo é uma ponte importantíssima! Dois lembretinhos para vocês:• Essa fic também está sendo postada no Wattpad, para quem preferir ler por lá;• Cada capítulo leva o nome de uma música. Eu recomendo que preste atenção na letra e veja a tradução, caso tenha interesse em uma maior imersão na história. As letras das músicas SEMPRE terão a ver com o capítulo e podem até mesmo dar dicas do que irá acontecer. Além disso, as músicas podem transmitir o que os personagens estão sentindo e pensando, mesmo que isso não seja dito com as palavras exatas durante o capítulo. Sempre vou deixar um momento específico para dar play, mas pode deixar a música rolando o capítulo todo se preferir.Música do Capítulo: What Other People Say - Sam Fischer, Demi Lovato / Disponível no Youtube e Spotify.Sem mais enrolação, vamos a leitura? :)


***

POV LAUREN

Encarei o número 208 adesivado na porta fechada, tentando acalmar minha respiração por ter andado em passos tortos e apressados com as muletas até chegar aqui.

Eu sabia que veria meu amigo em uma situação obscura, mas tendo em mente que não seria pior do que quando o encontrei, me adiantei em logo segurar a maçaneta e empurrar a porta, adentrando no cômodo. Apenas a luz do abajur ao lado da maca estava acesa e, por ser de noite, era a única claridade que impedia a escuridão de tomar conta do quarto.

Meu amigo se encontrava deitado em uma cama centralizada ao lado direito do cômodo, os equipamentos conectados em seu corpo fazendo o bip monótono e repetitivo soar pelo ambiente, enquanto uma dose generosa de soro entrava em sua veia, com o objetivo de fazer seu corpo voltar a um estado saudável.

Sebastian tinha um curativo de uns 10 centímetros na sua têmpora esquerda e vestia com uma camisola hospitalar, com uma manta fina cobrindo seu corpo até o peitoral, impedindo-me de ver provavelmente o outro curativo que tampava o corte cirúrgico feito em sua barriga. Seu braço direito estava engessado e, mesmo com a pouca luz, podia enxergar com nitidez orosto inchado e arroxeado, além de outras marcas pelo seu braço esquerdo sobre a manta.

Não sei quanto tempo o observei sem me aproximar, com a porta ainda aberta, vendo o estado que meu amigo se encontrava por minha culpa.

Era para ser eu ali.

Era para eu ter apanhado tanto que precisaria de cirurgia.

Mas meu amigo havia levado a surra por mim, sem chance de defesa.

Esse pensamento fez uma nova ânsia de vômito me atingir, mesmo que não tivesse comido o dia todo. Não havia comida em meu estômago para ser jogada fora, mas essa aparentava ser uma forma de tentar me livrar dessa sensação de culpa, mesmo que eu duvidasse que ela fosse embora um dia.

A dor que eu sentia parecia querer me esmagar contra o chão do hospital.

A agonia era tanta, a culpa tão exorbitante, que constatei desesperadamente a necessidade de fazer meu corpo sentir os mesmos danos que Sebastian sentiu, como uma forma de compensá-lo pelo que havia feito ele passar.

Em paralelo a isso, percebi também a imposição feita por meu subconsciente de usar o que quer que fosse que me possibilitasse esquecer de tudo. Qualquer droga, entorpecente ou bebida que fizesse essas sensações adormecerem e eu pudesse agir no automático, sem ter que lidar com meus demônios e poder unicamente focar em cuidar dele.

Percebi um suave movimento pelo canto dos olhos, que serviu para me dispersar desses pensamentos esmagadores. Virei o rosto para o lado direito e me deparei com Ally, sentada no sofá branco de dois lugares.

Plata o Plomo (Camren)Onde histórias criam vida. Descubra agora