Use Somebody

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Vamos para o capítulo número 11? Confesso que esse aqui mora no meu coração! <3

Lembrem de comentar, assim vou saber que estão gostando e que vale a pena continuar postando essa história. :) Sem mais enrolação, vamos lá:

Música 1 do Capítulo: Use Somebody - Kings Of Leon / Disponível no Youtube e Spotify
Música 2 do Capítulo: Sex on Fire - Kings Of Leon / Disponível no Youtube e Spotify

***

POV LAUREN

[PLAY – USE SOMEBODY]

Mais uma vez me via perdida no tempo.

Não sabia se haviam se passado segundos, minutos ou horas.

Eu estava sentada em um carro e Camila o dirigia pela cidade. Desde que saímos do Atrevida, ela não me direcionou nenhuma palavra e eu segui seu exemplo. Não sabia o que falar e, sinceramente, não queria.

Foquei em respirar fundo enquanto olhava passar pela janela a cidade em que cresci, tentando sentir o máximo possível o seu aroma enquanto matinha a cabeça encostada no banco. Essas duas semanas em que estive em L.A. me fizeram me sentir mais viva do que 10 anos vivendo na Colômbia. Tanta coisa aconteceu, fatos que me pegaram de surpresa, sentimentos que eu não entendia se misturando aos que me acompanham durante anos...

É como seu eu tivesse saído de um estado de dormência.

Quando você está deprimido, não consegue impedir de se sentir pior. Todas as crises e má humor são algo impossíveis de controlar, afinal, depressão é um desbalanceamento das substâncias químicas em nosso cérebro, simplesmente foge do nosso total controle. Quando a depressão te encontra, a melhor forma de fazer com que nossos neurotransmissores trabalhem corretamente é por meio de medicações e, quem sabe, terapia, para aprender a viver com isso.

Mas ir para ao psicólogo não era uma opção para mim. O que eu falaria? Sobre como são os meus dias? Minha vida e meu trabalho? Se eu fizesse isso tanto eu quanto o tal psicólogo acabaríamos no porta-malas de um carro em no máximo uma semana.

E em relação aos remédios, em minha defesa posso dizer que faço uso deles, apesar de saber que misturar com bebida alcóolica nunca foi o mais recomendado.

De uma coisa eu tinha certeza: eu estava cansada, muito cansada.

Mas foi interessante como as coisas aconteceram. O estado em que entrei no seu carro era vergonhoso, mas tudo mudou quando senti o cheiro dela que preenchia aquele veículo de luxo. Se segundos atrás eu achava que o ar fresco da cidade era o que precisava para me acalmar, salvo engano: aquele cheiro foi o meu antídoto.

Estar sentada nesse banco com Camila me levando para onde quer que ela quisesse foi o primeiro momento em anos em que senti como se um estado genuíno de relaxamento tomasse conta de mim.

Oh, eu ainda sentia o medo, as inseguranças, os arrependimentos, a saudade... Mas esse cheiro doce, o movimento delicado de suas mãos no volante que eu notava pelo canto do olho... Isso tudo parecia me abraçar e gerar um conforto totalmente inédito para mim.

- Então... – Ouvir, de repente, sua voz sedosa dentro daquele ambiente fechado fez meu coração esquecer que precisava manter um bombeamento regular do meu sangue nesse momento, fora que eu ainda não estava pronta para quebrar aquele silêncio confortável. – Acredito que já sei a resposta, mas vou perguntar da mesma forma: quer me contar o que aconteceu?

Se você pudesse me entender eu juro que contava, Camila. Nesse momento eu seria capaz de contar e dar o que quisesse de mim.

Mas como te explicar que sou uma recuperadora de drogas e armas do Cartel de Medellín? Que trabalho para a máfia em meio período e que os encontros que tive com você e as meninas em L.A. estão sendo o auge da minha vida em anos?

Plata o Plomo (Camren)Onde histórias criam vida. Descubra agora