Acordei um pouco antes do esperado e resolvi não dar indícios de que já havia despertado. Podia sentir os braços de Kang Tae-Moo em volta da minha cintura e seu queixo apoiado no topo da minha cabeça. Era notória a nossa diferença de tamanho. Aos poucos e com cuidado, fui me desvencilhando dele, que continuava em um sono pesado. Peguei uma de suas mãos, que me abraçavam, e a ergui delicadamente para conseguir passar. Assim que saí do sofá, deitei sua mão com cuidado e, na ponta dos pés, andei pegando cada peça de roupa que havia sido espalhada na noite anterior. Achei o sutiã e o vesti junto com a blusa, depois olhei ao redor, quase tropeçando em uma das garrafas de cerveja jogadas pelos cantos da sala. Encontrei minha saia atrás do sofá e aproveitei para vesti-la.
— Droga, a calcinha... — sussurrei para mim mesma, olhando ao redor, atordoada. Eu não queria que ele acordasse e me visse naquela situação constrangedora, muito menos ter que responder a perguntas sobre o que havia acontecido na noite anterior. Sem pensar duas vezes, peguei minha bolsa e os saltos que estavam na soleira da porta. Antes de sair, virei o rosto uma última vez para vê-lo dormir de forma despreocupada.
Seu corpo era, de fato, uma das coisas mais atraentes e eróticas que eu já havia visto. Tae-Moo não era apenas um homem alto e bonito, ele era diferente de todos os outros com quem eu já havia saído. No início, achei que sua timidez quebraria toda a tensão e desejo que pairavam no ar na noite passada, mas me enganei. Ele era o típico "cara sonso que come calado e por dois". Seu peito e bíceps bem delineados estavam parcialmente cobertos por um pequeno cobertor, e seus cabelos bagunçados caíam sobre os olhos. Dei um meio sorriso e saí do seu apartamento quase às pressas.
Meus cabelos estavam desarrumados, como constatei ao me ver no espelho do elevador. Enquanto colocava um dos saltos, passei rapidamente um batom. Não queria que o porteiro tivesse certeza do que havia acontecido, embora estivesse óbvio. Olhei para meu relógio de pulso: quatro da manhã. Era realmente mais cedo do que eu esperava fugir. Assim que o elevador bipou, saí apressada pelas portas de vidro da entrada do prédio e, para minha sorte, um táxi acabava de deixar um passageiro.
— Hey! — quase gritei. A senhora que saía do carro me encarou assustada. Talvez eu tivesse falado alto demais.
— Desculpe — falei, segurando a porta do táxi e tentando me justificar ao perceber seu olhar julgador, que me avaliava da cabeça aos pés. Entrei no veículo e coloquei o cinto de segurança.
— Para onde a senhorita deseja ir? — O taxista era mais jovem do que eu esperava, talvez tivesse a idade do meu sobrinho Edu. Seu aspecto magro e os cabelos bagunçados lembravam um pouco o dele, exceto pelos traços asiáticos. Sorri de canto e passei meu endereço, tentando não parecer tão suspeita no meu plano de fuga.
Não demorou muito para que eu chegasse em casa. Joguei os sapatos na soleira da porta e corri para um banho quente. Ainda era sábado e teríamos meio período de trabalho na empresa. Tentava não pensar no que havia acontecido. Se era um erro, eu não sabia dizer, mas a única certeza era que sessenta por cento da culpa era minha. Só de ter aceitado o convite já eram dez por cento. Escovei os dentes, joguei minhas roupas no cesto e prendi os cabelos em um coque antes de entrar debaixo do chuveiro. A água quente escorria pelo meu corpo, levando consigo os resquícios de maquiagem e da noite anterior.
— O que foi que eu fiz? — murmurei, encostando a testa no azulejo e deixando a água relaxar meus músculos tensos. Suspirei e desliguei a ducha. Saí enrolada no roupão e caminhei até o quarto em busca de uma roupa que combinasse com o pouco de dignidade que ainda me restava. Eu só podia estar enlouquecendo. Como seria nossa comunicação hoje? Estranha?
Balancei a cabeça, tentando afastar os pensamentos, e vesti uma lingerie branca junto com um vestido social tubinho verde e preto. Soltei os cabelos, escovei-os rapidamente e finalizei com uma maquiagem simples e batom vermelho. Não queria impressionar ninguém, mas, se essa fosse a intenção, eu não precisaria me esforçar. Calcei os saltos que combinavam com minha bolsa escura, peguei a chave do carro e saí em direção ao estacionamento.
Enquanto dirigia, flashes da noite anterior invadiam minha mente. Não éramos nós ali. Quero dizer, não éramos a senhorita Alice e o senhor Kang Tae-Moo, respeitáveis e responsáveis. Éramos apenas homem e mulher. Desejo e carne. Explicar isso para mim mesma era mais complicado do que aceitar que dormi com o homem que eu deveria odiar, simplesmente por ser mimado e acostumado a ter tudo quando e como quer. Dizer "não" para ele era um dos maiores desafios.
Estacionei o carro e olhei para o relógio: sete e cinquenta e cinco. Desci e caminhei até o elevador, tentando espantar os pensamentos sobre Tae-Moo me fodendo em sua sala enquanto eu pedia por mais. Engoli em seco e baixei a cabeça ao ouvir o bip do elevador, despertando-me dos devaneios.
Algumas pessoas ainda estavam se ajeitando em suas estações de trabalho. Eu sentia que simpatizavam comigo, mas havia um receio velado de desapontar o chefe, Kang Tae-Moo. Afinal, eu era a "inimiga" no campo de batalha criado por eles. Coloquei minha bolsa sobre a mesa e sentei, esperançosa de que o dia seguiria sem anormalidades. Olhei meu celular. Nenhuma mensagem. Liguei o computador e comecei a revisar os procedimentos padrões da produção dos produtos da Golden, até que uma mensagem de Young-Seo apareceu na tela:
"Estou voltando para casa. Quero tratar da produção pessoalmente."
Engoli em seco. Não estávamos em sintonia nos últimos meses. Ela era difícil de lidar. Tae-Moo dizia que eu era complicada, mas ele claramente não conhecia Young-Seo.
Pequenas batidas na porta interromperam meus pensamentos. Levantei os olhos e vi uma das visitas mais indesejáveis: Seo Hye-Won. Ela usava uma saia branca fluida, uma camisa rosa-bebê de mangas bufantes, e seus cabelos alinhados realçavam seu rosto arredondado. Sua maquiagem era mais discreta do que da última vez que nos vimos. Trazia alguns papéis nas mãos e uma bolsa menor. Seus saltos plataforma faziam um leve som no piso enquanto se aproximava. Mantive minha postura, sem expressar qualquer emoção.
— Pelo visto, você sabe bem como reaproveitar o que sobrou dos outros — disse, olhando ao redor, avaliando minha sala.
— Em que posso ajudar? — arqueei a sobrancelha, mudando de assunto.
— Esperava uma recepção mais calorosa. Dizem que os brasileiros são receptivos — debochou, sentando-se sem convite.
— Espero que esteja se divertindo. — Sorri falsamente.
Antes que eu pudesse responder qualquer outra coisa, ouvi uma voz atrás de mim.
— Na verdade, não foi isso que eu vi ontem...
Virei-me rapidamente. Kang Tae-Moo estava encostado na porta, sorridente, com uma das mãos no bolso. Há quanto tempo ele estava ali?
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Sparks Office
Fiksi PenggemarDestinado a fechar uma parceria de valor no mercado farmacêutico, Kang Tae-Moo está convencido de que terá maior chance de lucratividade na produção de medicamentos, ele só não imaginava que Alice a sócia majoritária da Golden faria questão de trata...
