A chuva caía de forma desesperada lá fora. O cheiro dos pães frescos invadia a cozinha, misturando-se ao aroma do molho repleto de especiarias. Aquela era uma noite que eu não trocaria por nenhuma outra reunião ou compromisso. Aumentei um pouco a temperatura do aquecedor e deixei a luz da sala mais baixa. O frio logo se instalaria no ambiente por causa da chuva que não dava sinais de cessar.
Alice estava sentada ao meu lado enquanto bebíamos as últimas cervejas. Estávamos bem à vontade, largados no chão.
Já passava da meia-noite, e nem percebemos o quão rápido o tempo havia corrido. Algumas garrafas de cerveja estavam espalhadas pela sala e uma música baixa tocava ao fundo enquanto conversávamos. Havíamos bebido mais do que prevíamos. Tive até de pedir algumas reposições via delivery. Alice aguentava mais álcool do que eu imaginava.
— Então quer dizer que você saiu de lá correndo? — ela perguntou entre risadas, após compartilharmos algumas de nossas histórias de fracassos amorosos.
— O que eu podia fazer? — respondi e logo respirei fundo, balançando a cabeça. — Aquela era uma ótima época para errar.
— Verdade... Sinto saudade de quando uma simples escolha não afetava tanto algumas decisões importantes da nossa vida. — Ela pareceu pensativa e suspirou, olhando ao redor. — Você não é tão ruim quanto imaginei.
— Então quer dizer que a senhorita mudou de opinião? — Dei um último gole na cerveja.
— Não que eu tenha mudado de opinião — ela sorriu e deu de ombros. — Você continua o mesmo ignorante de sempre.
— O que disse? — perguntei surpreso, mas sorrindo. — Eu te convido para minha casa, faço um jantar e você me retribui dessa forma?
— Verdade. A diferença é que agora você me parece um ignorante que cozinha muito bem. — Ela olhou para os pães, que quase não haviam sobrado. — E que também gosta de se meter em problemas. — Alice me encarou e riu baixo.
— Não sou tão ignorante quanto imagina. — A corrigi.
— Verdade, mas em breve não serei obrigada a vê-lo. — Aquilo me pegou de surpresa.
— Como assim? — Tentei não parecer desesperado.
— Logo terei de voltar ao Brasil. Temos negócios pendentes. — Ela olhou para o teto. — E alguém precisa colocar ordem na casa.
— Tem alguma... previsão? — Eu estava sendo intrometido demais. Alice percebeu meu interesse e apertou os olhos, quando um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.
— Por que tanto interesse, senhor Tae-Moo? Não sabia que iria deixar saudades.
— Você é bem convencida, senhorita Alice. Apenas estou preocupado com a empresa e como os negócios seguirão após sua partida. Será um alívio. — Menti enquanto olhava para o lado, evitando encará-la.
— Hum... aposto que vai sentir saudade de brigar com alguém. — Ela riu baixo e um pequeno silêncio se estendeu entre nós. Nossos olhares se encontraram e se mantiveram fixos por um longo tempo. Percebi quando Alice mordeu levemente o lábio, suas maçãs do rosto estavam coradas. O que ela poderia estar pensando? Eu estava curioso e, às vezes, sentia que essa minha curiosidade ainda me mataria algum dia. Até que pude ouvi-la quase sussurrando:
— Também irei sentir sua falta.
Sem hesitar, toquei seu rosto, acariciando-o. Sua pele era macia e quente. Passei meu polegar por seu lábio inferior e o encarei em silêncio. Talvez o álcool estivesse falando por mim, mas não era apenas um impulso momentâneo. Era algo que eu queria fazer há muito tempo.
Aproximei meu rosto do dela devagar, querendo aproveitar cada segundo daquele momento que talvez não se repetisse. Encostei meus lábios nos seus e, aos poucos, Alice foi cedendo sem muita cerimônia. Sua língua encontrou a minha, explorando o beijo sem pressa, enquanto suas mãos subiam entre meus cabelos, apertando-os levemente. Não demorou para que eu encontrasse sua cintura e a puxasse para o meu colo.
Alice posicionou uma perna de cada lado enquanto se sentava confortavelmente sobre mim, encarando-me com aquele olhar que me fazia perder todos os sentidos. Sem perder tempo, voltou a me beijar, desta vez com mais pressa e urgência. Minhas mãos desceram por seus quadris, apertando sua bunda com firmeza. Pude ouvir um pequeno grunhido escapando de seus lábios. Por Deus, eu iria enlouquecer com aquela mulher. Podia sentir sua pélvis roçar de forma provocante contra meu membro já rígido.
— Tem certeza? — perguntei entre os beijos, enquanto passava minhas mãos por baixo de sua saia, apertando sua pele com força, como se quisesse deixar uma marca daquela noite.
— É tarde demais para voltar atrás. — Seu tom de voz era suave, mas cheio de certeza.
Meu corpo queimava de desejo. Alice se inclinou para frente e passou uma perna de cada lado do meu quadril, segurando-me com firmeza. Sua respiração estava acelerada, assim como a minha. Meu desejo escapou do peito em um gemido rouco. Eu queria tocá-la, sentir sua pele, beijá-la e tomar cada parte dela para mim.
— Depois não vai ter volta. — Falei baixo.
— Eu sei. — Seus olhos me fitaram intensamente antes de um sorriso malicioso surgir em seus lábios.
O desejo pulsava entre nós, nos consumindo a cada segundo. Naquela noite, tudo mudou. E eu sabia que nada voltaria a ser como antes.
— Tae-Moo... — ela sussurrou meu nome, ainda ofegante.
— O que foi? — perguntei, encarando-a.
— Quando podemos fazer isso de novo?
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Sparks Office
FanfictionDestinado a fechar uma parceria de valor no mercado farmacêutico, Kang Tae-Moo está convencido de que terá maior chance de lucratividade na produção de medicamentos, ele só não imaginava que Alice a sócia majoritária da Golden faria questão de trata...
