Capítulo 13

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          Estava sentada ao lado de Tae-Moo e de frente para dois senhores americanos. Ambos pareciam ser bastante atraentes, não em termos físicos, mas pela simpatia que exalavam. A atmosfera era mais parecida com um encontro entre amigos do que com uma reunião de negócios. O senhor Louis aparentava ter cerca de quarenta anos, com pele bronzeada, olhos amendoados, lábios carnudos e cabelos grisalhos. Seu físico demonstrava que, independentemente da idade, ele mantinha um estilo de vida saudável — seus bíceps bem desenhados eram visíveis sob a camisa social branca.

          Diferente dele, o senhor Roi era o completo oposto. Seus cabelos loiros, misturados com castanho escuro, denunciavam um certo grau de vaidade. Seus lábios eram finos e seus olhos bem redondos, mas o que mais chamava atenção era seu maxilar perfeitamente simétrico. Seu corpo era mais magro que o de seu sócio, mas ambos compartilhavam um traço em comum: a simpatia. Estávamos nos comunicando em inglês para deixá-los mais confortáveis.

— Com todo respeito, senhorita, mas sua beleza é encantadora! Posso perguntar qual sua nacionalidade? — perguntou o senhor Louis, dando mais um gole em seu vinho.

— Obrigada! — sorri, um pouco sem graça. — Sou brasileira, senhor.

— Brazil! — o senhor Roi quase gritou ao ouvir minha resposta, fazendo Tae-Moo sobressaltar ao meu lado. Não contive uma risada diante da reação. — Estivemos lá no ano passado e ficamos encantados pelo país. Como se chama aquela comida que adoramos? — perguntou, virando-se para o senhor Louis.

— Feijo... feijão... — sua pronúncia era um tanto cômica. — Me perdoe por não lembrar o nome, mas era algo com feijão e muitas especiarias.

— Talvez fosse feijoada? — falei, sorridente. Era sempre bom poder falar sobre o Brasil.

— Isso! — O senhor Roi ergueu a taça. — Um brinde à melhor feijoada que já comemos!

— Um brinde! — respondi, e todos brindamos.

— Então, vamos aos negócios? — Tae-Moo cortou o clima descontraído, como sempre. Mas ele estava certo.

— Claro! — ambos concordaram em sintonia.

— Falem-me sobre o que têm em mente. Farei tudo que puder para ajudá-los. — Abri meu caderno de anotações. Costumava registrar tudo, pois minha memória nem sempre era das melhores.

— Vimos todo o trabalho da Golden com o novo lançamento focado em pacientes com desnutrição. A tecnologia é perfeita para o projeto que estamos idealizando. — O senhor Louis parecia animado.

— Exato! — concordou Roi. — Queremos desenvolver um produto voltado para idosos, mas não para desnutrição, e sim para osteoporose. Fizemos um levantamento e percebemos que o índice de idosos com problemas ósseos está aumentando cada vez mais, por inúmeros motivos. — Ele me entregou uma pasta enquanto Tae-Moo puxava meu caderno e anotava tópicos adicionais.

— Além da tecnologia, queremos utilizar uma abordagem diferente. Ainda não temos ideia de como, por isso gostaríamos de ouvir sugestões. — O senhor Louis se recostou confortavelmente na cadeira.

— Entendo perfeitamente. Preciso analisar o mercado de medicamentos para osteoporose e também a abordagem. Mas, antes que me esqueça, já existe uma marca por trás? — arqueei a sobrancelha, curiosa.

— O senhor Tae-Moo nos garantiu que sua equipe de marketing providenciaria isso. — Roi lançou um olhar para Tae-Moo, que me devolveu o caderno repleto de desenhos e até um possível nome para o produto.

— Nossa equipe é excelente com identidades visuais. Vamos garantir, além da qualidade, uma marca forte e sugestiva. — Tae-Moo disse com tanta confiança que, por um segundo, cheguei a acreditar que ele havia ensaiado aquela frase o dia inteiro.

— Só temos uma exigência. — O senhor Louis me encarou, sério.

— Exigência? — perguntei, desconfiada.

— Não queremos desenvolver pela Golden. Tivemos problemas com uma das sócias em um projeto anterior e, para ser honesto, só estamos aqui porque o senhor Tae-Moo garantiu que outra pessoa conduziria o projeto. — Encarei Tae-Moo, confusa. Uma onda de ansiedade me consumiu. Eu não sabia o que dizer. Não estava em meus planos trair minha sociedade. Abri a boca, mas nenhum som saiu. Voltei a encarar o senhor Louis, buscando uma resposta equilibrada. O projeto era excelente, mas trabalhar para um concorrente estava fora de cogitação.

Senti a mão de Tae-Moo pousar em minha coxa, sob a mesa. Ele me olhou, esperando que eu concordasse.

— Ela está ciente disso. O projeto será desenvolvido discretamente. Minha empresa será a responsável pelo P&D do produto, afinal, seremos os fabricantes. — Ele retirou a mão e continuou me encarando.

— Perfeito! Vamos desenvolver um contrato de confidencialidade. Assim, ninguém descumprirá o combinado. — O senhor Roi estava empolgado.

— Então, aguardamos o briefing preenchido? — Tae-Moo perguntou, sorridente.

— Com certeza! Hoje mesmo enviaremos nossas ideias e pesquisas. Ah! E pedirei ao meu advogado para preparar nosso contrato de confidencialidade. — O senhor Louis me estendeu a mão. — Nos encontraremos em breve?

— C-claro. — Apertei sua mão e a de Roi firmemente.

          No caminho para o estacionamento, minha mente fervilhava. Tae-Moo prometeu algo sem me consultar, ultrapassando todos os limites. Mas o projeto era promissor. Poderia significar uma grande oportunidade, mesmo que de forma discreta.

          Entramos no carro. Tae-Moo agia naturalmente. Antes que ele desse a partida, toquei em sua mão, o reprimindo.

— O que você fez? — perguntei, encarando-o.

Ele suspirou e apoiou a cabeça no banco.

— Eles vão enviar o contrato de confidencialidade. Não há com o que se preocupar.

— Não é sobre isso! Por que não me consultou antes? Acha que está me ajudando?

— E não estou? — Ele me olhou, debochado.

— Você quer destruir minha sociedade com a Golden?

— E por que não pode aceitar? Acha mesmo que Young-Seo está sendo honesta com você?

Seu tom me pegou de surpresa.

— O que quer dizer?

— Não posso falar. Não agora.

— Certo. Então, esqueça o projeto. — Saí do carro, batendo a porta. — Vou de táxi. Pelo menos sei para onde ele me levará.

Caminhei decidida. Eu precisava descobrir o que estava acontecendo na Golden.

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