Assim que Alice adentrou na sala, respirei fundo e fechei os olhos. Aquele, sinceramente, não era o momento para se discutir qualquer tipo de negociação. Para ser bem sincero, eu não sabia por que Seo Hye-won estava na minha sala depois de tudo que havíamos conversado meses atrás. Ela resolve se explicar exatamente agora? Passei a mão no rosto e bufei, estava sem a mínima paciência para continuar com aquela discussão.
— O que está acontecendo aqui? — Alice parecia furiosa.
— Eu explico — falei, enquanto me afastava de Seo Hye-won. — Não é nada do que você está pensando.
— Nada do que eu estou pensando? Você ainda não assinou? Acha que estou de brincadeira, Tae-Moo? — Ela ergueu os papéis, deixando-me confuso, assim como Seo Hye-won, que não estava entendendo absolutamente nada.
— Podemos discutir isso mais tarde? — perguntei a Alice, tentando mostrar que tínhamos companhia.
— Eu não tenho tempo para discutir isso mais tarde. Sabe quanto tempo eu venho trabalhando nisso? — Ela se aproximou, colocando os papéis em meu peito e pressionando-os. — Se não assinar agora, eu vou embora, e outra empresa vai assumir o projeto! — Ela me encarava diretamente nos olhos, tão próxima que eu podia sentir sua respiração.Nem havia notado, mas o senhor Cha não conseguia emitir um som sequer. Parecia que ele tentou impedir a entrada da senhorita Alice na sala, mas sem sucesso. A situação tornara-se mais do que embaraçosa.
— Espera, então quer dizer que ela é sua cliente? — Seo Hye-won falou, chocada.
— Ele é meu cliente! — Alice respondeu com um tom de frieza.
— Então vocês não namoram? Tudo aquilo foi uma mentira, Tae-Moo? — Seo Hye-won parecia feliz ao falar e me encarava sorridente.
— Eu vou explicar tudo — falei, percebendo que o senhor Cha estava saindo de fininho enquanto fechava a porta.
— Você não vai explicar nada! — Alice interveio, afastando-se.
— É claro que ele vai! Vocês acham que podem me enganar?
— Enganar? Do que você está falando? — Alice arqueou a sobrancelha, ficando ainda mais irritada. Em tom de deboche, dirigiu-se à senhorita Seo Hye-won: — Se acha que vivo à base do dinheiro do Tae-Moo para viver bem, está enganada. Não estou implorando ou mendigando por atenção de um homem que não me quer mais. Minha vida profissional e particular não interessa a ninguém, e não vai ser agora que ela irá te interessar. Fui clara? — Nossa, Alice realmente estava afiada. Eu não sabia se era ciúmes de verdade ou raiva por eu não ter assinado o contrato. — Vai assinar ou não? — Ela arqueou a sobrancelha em tom de ameaça. Estava mais do que claro que ela não iria sair dali tão cedo e que, a qualquer momento, poderia contar toda a verdade ali mesmo.
Peguei os papéis, colocando-os sob a mesa e, sem nenhuma opção, os assinei. Meu maxilar estava trincado de raiva por me sentir submisso a uma situação em que eu mesmo me coloquei. Tudo culpa da minha grande impotência em não me impor em situações que fogem do meu controle. Assim que assinei os papéis, os entreguei a Alice sem encará-la.
— Ótimo, agora estamos entendidos. — Ela não esboçou nenhum sorriso. — Agora, se me der licença, tenho coisas mais importantes a resolver do que ver sua ex-namorada se humilhando à sua frente. — Ela bufou. — Te vejo hoje à noite.
O que ela quis dizer com o "te vejo hoje à noite"? Fazia parte do plano de despistar Seo Hye-won ou era sério? Não havíamos nos falado desde o beijo, e do nada ela aparece com os papéis justo no momento em que eu e Seo Hye-won estávamos em uma discussão pessoal? Ela me viu em um momento vulnerável e não pensou duas vezes antes de atirar. Ela é esperta e sábia, disso eu tenho que admitir. Então, depois de ter assinado o contrato, eu ainda tinha alguma dívida com ela? Eu precisava de respostas para perguntas que não tinha coragem de fazer a Alice.
— Pelo visto, vocês se merecem — Seo Hye-won falou com nojo, encarando-me. — Isso tudo não vai acabar desse jeito, porque eu vou fazer questão de acabar com você, Kan Tae-Moo. — Suas palavras eram ameaçadoras, mas eu estava anestesiado com tudo aquilo. Era muita informação para processar em tão pouco tempo.
Seo Hye-won pegou sua bolsa e caminhou a passos largos para fora da sala, revelando o senhor Cha, um tanto desesperado, fechando a porta atrás de si. Tanto ele quanto eu estávamos aflitos. O que realmente havia acabado de acontecer? Por que eu simplesmente não falei a verdade e acabei com tudo aquilo?
— Senhor Kan Tae-Moo! Me desculpe, eu não consegui impedir a senhorita Alice. Ela quase passou por cima de mim.
— Tudo bem, senhor Cha. — Sentei na poltrona, colocando os cotovelos sobre os joelhos enquanto esfregava o rosto.
— O que aconteceu, senhor? — Ele parecia curioso.
— O que nós não queríamos que acontecesse, senhor Cha. — Suspirei e tentei desligar minha mente.
— O senhor assinou? É isso? — Ele estava aflito.
— Sim, ela me encurralou na frente da Seo Hye-won, e, como imaginávamos, usou o que aconteceu ontem como vantagem na negociação.
— Meu Deus! — O senhor Cha suspirou, retirando os óculos e respirando fundo.
— O que eu faço com aquela mulher? — Falei baixo, para mim mesmo, enquanto repensava todas as possíveis alternativas que eu tinha para sair daquela situação.
**
Terminei o dia da pior forma possível, sem conseguir resolver cinquenta por cento do que havia planejado. Afinal, tudo saiu de controle em um estalar de dedos. A noite chovia, como de costume, visto que estávamos no início do inverno. Suspirei e desliguei as luzes do escritório, pegando minha maleta e caminhando em direção ao estacionamento. Eu estava literalmente frustrado com a forma como a semana não havia saído como esperado. O sentimento de impotência me atingiu em cheio. Andei em direção ao elevador e apertei o botão do térreo, esperando minuciosamente que as horas passassem rápido.
Ao entrar no carro, encostei a cabeça no banco e fechei os olhos, retirando meu telefone do bolso e jogando-o no porta-luvas. Eu precisava utilizar o resto das minhas energias em algo que realmente fosse produtivo. Acelerei o carro, saindo do estacionamento e adentrando na avenida em direção ao apartamento. O rádio tocava uma música conhecida do DPR Ian. Tratei de descobrir o nome da música: "Nerves". Isso me fez rir baixinho, ao lembrar que eu realmente estava nervoso. Ao dirigir por alguns minutos, entrei no estacionamento do prédio e estacionei o carro, desligando todos os meus sentimentos e a raiva que tive durante o dia.
Ao subir ao último andar, deixei meus sapatos na soleira da porta e calcei os chinelos, jogando a maleta no sofá e abrindo meu paletó para retirar os demais acessórios, como relógio e gravata. Tentei abrir os botões do pulso da camisa, junto aos demais, depois de retirar o paletó. Eu precisava de um banho e de um plano para desfazer tudo o que foi feito nestes últimos dias. E precisava pensar de forma inteligente, igual à Alice.
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Sparks Office
FanficDestinado a fechar uma parceria de valor no mercado farmacêutico, Kang Tae-Moo está convencido de que terá maior chance de lucratividade na produção de medicamentos, ele só não imaginava que Alice a sócia majoritária da Golden faria questão de trata...
