Capítulo 24

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        O resto do dia passou tranquilamente, enquanto eu, a cada cinco minutos, conferia o telefone em busca de alguma novidade através do senhor Chá. Alice me parecia mais tranquila do que o habitual — talvez por estar em um lugar seguro ou por passar o dia quase de folga? Apesar de vê-la trabalhar quase a tarde inteira, eu gostava de observá-la. Estávamos incomunicáveis no momento, mas sempre que podíamos, trocávamos olhares um com o outro. Estava sentado no sofá com meu notebook entre as pernas, verificando algumas das pendências desde que abandonei a empresa às pressas pela primeira vez para cuidar de algo extremamente pessoal. Alice continuava concentrada, sentada à mesa da cozinha, e me peguei pensando sobre como talvez nos teríamos encontrado e ficado tão próximos se não fosse por essa situação na qual nos colocaram — ou, talvez, na qual eu nos coloquei.


          Meu telefone vibrou, e sem hesitar, abri-o rapidamente, vendo uma mensagem do senhor Chá. Ao mesmo tempo em que aquela mensagem me trazia certa felicidade, também me dava ansiedade. Disfarcei enquanto lia cada detalhe com cuidado, para não chamar muita atenção de Alice, que, ao contrário de mim, não sabia disfarçar nada quando estava incomodada com algo.


— Eles começaram com uma votação sobre mudanças administrativas com o conselho — disse o senhor Chá.


— Todos estão reunidos? — perguntei.


— Não todos, mas o senhor Seo está disposto a sugerir o afastamento da maioria dos funcionários da gestão atual. Acredito que sua presença seja essencial — respondeu ele.


— Preciso de cobertura — falei, fechando o telefone.


          Eu precisava acabar com aquela farra o mais rápido possível, mas ao mesmo tempo não poderia deixar Alice sozinha. Por enquanto, busquei algumas alternativas para resolver esse pequeno problema sem arriscar tanto as nossas vidas. Adentrei no closet e busquei um dos meus blazers — não poderia deixá-la suspeitar. Vesti uma camisa branca rapidamente, troquei por uma calça social e calcei meus sapatos, deixando o blazer por último.


— Enviei dois de nossos seguranças, eles chegarão em dez minutos. Use o carro da garagem 2 — informou o senhor Chá.


— Vai sair? — Alice entrou no closet, assustando-me.


— Sim, irei apenas assinar alguns documentos — respondi, sorrindo falsamente.


— Não pode apenas assinar digitalmente? — Ela arqueou a sobrancelha, desconfiada.


— Infelizmente não, é uma ação internacional — fingi estar decepcionado.


— Hum... — Ela continuou a me encarar, desconfiada. — Não está me escondendo nada, está?


— Claro que não — ri baixo, colocando meu telefone em um dos bolsos.


— Tem certeza de que é seguro?


— Ei... — Aproximei-me dela, segurando seus ombros e tocando em seu queixo, erguendo seu rosto para me encarar. — Vai ficar tudo bem, eu prometo.

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