Assim que cheguei ao quarto do hotel, joguei minha bolsa em algum canto da sala e me esparramei no sofá, fechando os olhos. Estava cansada — para falar a verdade, exausta. Enquanto refletia sobre o que havia acabado de acontecer naquela simples sala de escritório, me peguei revirando minhas lembranças, tentando identificar o momento em que deixei escapar a ideia de que Young-Seo poderia me trair daquela forma.Bufei e balancei a cabeça, levantando-me e indo em direção ao quarto em busca de meu roupão e de alguma roupa confortável. Foi então que ouvi meu estômago roncar, e só então me lembrei de que ainda não havia comido absolutamente nada. Abri meu aplicativo de delivery e pedi a primeira comida que apareceu. Precisava organizar meus pensamentos e encontrar uma solução para o suposto golpe.
— Eu deveria mesmo confiar no Tae-Moo? — perguntei a mim mesma. — Nos conhecemos há apenas alguns meses. Por que ele está se esforçando tanto para me ajudar? Eu tinha perguntas que precisavam de respostas claras, não vagas ou genéricas. Outra dúvida que me intrigava era a tentativa de Seo de se aproximar falsamente de Young-Seo. O que ela queria naquele momento? Aliados? Ou talvez uma tentativa falha de ganhar pontos com os incidentes que estavam ocorrendo com o Tae-Moo?
Eu seria sincera com Young-Seo e não deixaria passar a ideia de que estávamos em um relacionamento estável. Era apenas algo casual, afinal. Isso não era de interesse de ninguém além de mim e do Tae-Moo. Estávamos falando de algo pessoal.
Adentrei na banheira de água morna, amarrando meus cabelos em um coque. Tentei relaxar meu corpo entre as espumas e os sais aromáticos. A luz estava baixa, como de costume, criando um ambiente agradável. Suspirei algumas vezes, fechei os olhos e cantei baixinho uma melodia aleatória que surgiu em minha mente. Foi então que ouvi um pequeno barulho vindo da sala.
Sentei rapidamente, desconfiada e assustada, segurando a borda da banheira com força para me apoiar. Olhei para a porta do banheiro, que estava entreaberta. Ergui meu corpo, tentando fazer o mínimo de barulho possível, e vesti meu roupão rapidamente. Olhei ao redor, buscando algum objeto de defesa, e peguei um frasco de essência de vidro.
— Será que alguém entrou no quarto errado? — pensei, ainda confiante na segurança do hotel. Mas aquela sensação de insegurança me fez parecer uma idiota.
Caminhei em direção à porta, erguendo o frasco de essência na altura da minha cabeça, pronta para acertar quem quer que fosse. Continuei andando devagar, abri a porta lentamente e avancei na ponta dos pés. As luzes estavam apagadas, exceto na cozinha. Encostei-me na parede, indo em direção à varanda, onde a porta de vidro estava aberta, deixando a brisa fria bater contra minha pele, causando arrepios. Fechei a porta sem fazer barulho e peguei o telefone para ligar para a recepção do hotel.
— Recepção do hotel, em que posso ajudar? — a recepcionista atendeu no quinto toque.
— Olá, sou Alice do quarto 307. Poderia mandar a segurança para uma vistoria? Acredito que alguém entrou sem minha autorização.
— Sim, senhora. Você está sozinha? — perguntou a recepcionista.
No mesmo instante, ouvi outro barulho vindo do quarto.
— Estou! Mande alguém rápido! — falei, nervosa.
— Estarei enviando agora mesmo. Fique em algum lugar seguro.
— Seja rápida! — sussurrei, transparecendo medo.
Olhei ao redor mais uma vez e desliguei o telefone. Decidi ir em direção à cozinha em busca de uma faca. Era a única forma de defesa que eu tinha, além do frasco de vidro. Ouvi passos se aproximando, e minha respiração ficou ainda mais ofegante.
— Eu chamei a segurança. Vá embora enquanto pode! — gritei, sem desviar o olhar do quarto ao meu lado.
Não sei se era coisa da minha cabeça, mas jurei ter ouvido o barulho de uma arma sendo recarregada. Arregalei os olhos, e um frio percorreu minha espinha. Nunca imaginei que morreria assim, sem motivo aparente. Talvez eu nem soubesse o motivo, e não viveria para descobrir.
— Você deve ter se enganado — disse, percebendo que minha voz estava trêmula. — Deve ter confundido a pessoa. Sou Alice, trabalho atualmente na Golden. Não sou coreana e não tenho participação política.
Na ponta dos pés, dei um passo para o lado, sem desviar o olhar do quarto onde o suposto invasor estava. Por instinto, corri em direção à porta, mas a pessoa atrás de mim apressou os passos e me puxou pelos cabelos. O frasco de essência caiu no chão, e meu corpo caiu sobre os cacos, cortando minha mão e meu braço. A dor foi insuportável.
— Ah! — gritei, recebendo em seguida um soco no rosto e um chute no estômago, que me fez encolher de dor. Senti meus cabelos sendo puxados novamente, e uma figura masculina de boné preto e balaclava, que escondia seu rosto, encarou-me nos olhos. Seus olhos eram negros e vazios.
— Quem é você? — perguntei, segurando seu braço em apoio, sentindo os cacos de vidro furando minhas mãos enquanto apertava sua pele.
— Você sabe demais. Esse é o último aviso — ele disse, ajoelhado ao meu lado, ainda segurando meus cabelos próximos à nuca.
— Eu não sei do que está falando! Você está enganado — respondi, sentindo o desespero em minha própria voz.
Ele encostou a arma em minha cabeça, e eu fechei os olhos com força, esperando pelo pior. Mordi o lábio com tanta força que o senti sangrar. Do que ele estava falando? O que eu sabia que não deveria saber? Minhas últimas memórias vieram à mente: meus pais no Brasil, minha cachorrinha Lois, que sempre me esperava em casa... Minha infância passou diante dos meus olhos em meros segundos. Era assim que tudo acabaria? Sem explicação? Talvez um acidente de carro fosse mais digno e com sentido do que uma morte sem motivo.Uma forte dor atingiu minha cabeça, e tudo escureceu de uma vez, deixando apenas um vazio.
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Sparks Office
FanfictionDestinado a fechar uma parceria de valor no mercado farmacêutico, Kang Tae-Moo está convencido de que terá maior chance de lucratividade na produção de medicamentos, ele só não imaginava que Alice a sócia majoritária da Golden faria questão de trata...
