Capítulo 20

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        Quando acordamos, já passava das oito da manhã. Meu corpo estava dolorido mais do que nunca, e talvez fosse pelo efeito da medicação ter passado. Tae-Moo havia desmarcado os compromissos, como havia informado anteriormente, e o senhor Cha estava apenas repassando algumas informações e aguardando assinaturas antes de sair do hospital. Ele havia sido cuidadoso com as palavras, a fim de não me fazer lembrar do ocorrido. Encarei Tae-Moo, que estava concentrado ao meu lado, digitando algumas informações no iPad, enquanto o senhor Cha organizava papeladas na mesa ao lado.


— Preciso que o senhor faça uma ligação para nosso fornecedor. Ele se recusa a entregar a matéria-prima no prazo, e já pagamos adiantado — disse o senhor Cha, oferecendo seu telefone.


— Não perderemos tempo. Cancele e busque com o concorrente — respondeu Tae-Moo, sem sequer olhar para o senhor Cha, que recolheu o telefone e assentiu, guardando-o no bolso do sobretudo.


— Mas este é o concorrente, senhor. Os demais não conseguem entregar em nosso prazo — ele falou tão baixo que mal pude ouvi-lo.


— Me passe isso — Tae-Moo pegou o telefone com um pouco de impaciência, levantou-se e caminhou até a varanda, fechando a porta de vidro atrás de si, deixando-nos a sós.


— Eu não queria causar tanto problema — falei, me desculpando.


— Isto nunca foi culpa da senhorita — o senhor Cha deu um meio sorriso e guardou os últimos papéis em sua pasta. — Sente-se melhor? Ficamos preocupados.


— Sim, estou bem melhor. Em breve voltarei ao trabalho — encarei minhas mãos, que ainda estavam enfaixadas, e suspirei. — A segurança conseguiu alguma informação útil?


— Verificamos as câmeras de segurança, mas não conseguimos identificar o responsável. O senhor Tae-Moo irá seguir com uma investigação privada, afinal, você é estrangeira. É bastante difícil as autoridades priorizarem a segurança de um americano ao invés de um coreano. Infelizmente — ele se desculpou, e eu apenas assenti. Olhei para o lado e vi que Tae-Moo parecia irritado na ligação, gesticulando e andando de um lado para o outro.


— Sabe onde irei ficar? — perguntei, arqueando a sobrancelha e lançando um meio sorriso.


— Onde irão ficar, a senhorita quis dizer — ele riu sem graça e logo encarou Tae-Moo, verificando se o mesmo voltaria a tempo. Aproximou-se um pouco mais de mim e continuou: — Fica em um lugar mais reservado de Seul. A senhorita irá gostar de lá. Encomendei algumas frutas brasileiras para você.


— Ah, obrigada! — agradeci com um sorriso, tocada por todo o cuidado e atenção que ambos vinham me dedicando. — Não pode dizer onde fica? — perguntei em um tom mais baixo.


— Infelizmente, não tenho autorização para isso — ele encarou Tae-Moo, que agora voltava da varanda, fechando a porta de vidro e entregando o celular ao senhor Cha.


— Resolvido. Eles entregarão no prazo — Tae-Moo me encarou, confuso, e voltou a olhar para o senhor Cha. — Sobre o que estavam conversando?

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