DMT.
Dispositivo móvel de transporte.
O nome simples não fazia juz ao brilhantismo da engenhoca criada pelo cientista Anders há muitas dezenas de anos atrás. Este tinha sua foto estampada do lado direito do hall de entrada da Escola de Ciências (ou talvez seria do lado esquerdo) ocupando toda a parede e era reverenciado até hoje como o maior inventor de todos os tempos. O DMT era um equipamento originalmente criado para auxiliar na construção e reforma de edifícios das cidades conquistadas e só foi incorporado ao exército após a Grande Revolta. Somente o Esquadrão de Elite era autorizado a utilizá-lo e dominá-lo exigia muitas semanas de afinco treinamento e elevada consciência corporal. Constituía-se de uma corda de fibra ultra-resistente retrátil, cilindros de gás comprimido e ganchos de ferro, que ao pressionar o botão de lançamento funciona como um gancho permitindo ao seu usuário alcançar alturas e distâncias impossíveis de serem percorridas sem o equipamento, enquanto os gases servem para dar impulso ao salto triplicando o alcance deste. Ideal para combates em grupo, aumentando o alcance dos ataques e permitindo escapadas muito mais eficazes e rápidas num caso de retirada de emergência.
O treinamento compunha-se de três partes: equilíbrio, escalada e salto. Na primeira parte os futuros usuários testavam sua elasticidade primeiramente em cordas elásticas no pátio de treinamentos, ensaiando grandes saltos e manobras, depois no próprio DMT para praticar equilíbrio e resistência. Depois de dominada estas técnicas vinha a escalada, normalmente praticadas no limite leste da muralha Maria, onde os usuários aprendiam a controlar o lançamento do gancho e treinavam sua força e resistência em grandes escaladas verticais e por último, os saltos, normalmente ocorrendo nos telhados das fábricas dos distritos industriais, quando os usuários finalmente aprendiam a controlar o DMT, saltar, ensaiar movimentos de luta e fuga e explorar toda a versatilidade do equipamento em todas as suas nuances. Esta última parte do treinamento era a mais perigosa e arriscada, portanto era acompanhada em todo seu percurso por membros da família Tsuhara, que podiam evitar com seu dom grandes desgraças. Era comum haver feridos durante os treinos, mas raramente ocorriam vítimas fatais.
Como esperado, Annie não teve muita dificuldade em dominar o equipamento. Naqueles quase dois meses de treinamento intensivo ela quase não tivera chances de se aproximar de Rivaille, exceto por uma ocasião logo no início dos treinos de equilíbrio. Ela tentava se equilibrar no aparelho pendurada por duas linhas amarradas em sua coxa e contando somente com o peso do seu corpo, sem apelar para as "vibrações" do ar a sua volta. Sem sucesso, ela sempre virava e batia com as costas no chão repetidas vezes após alguns segundos de estabilidade. Rivaille então segurou-a pelo abdômen, as suas costas, posicionando uma das mãos na altura de seu diafragma e resvalando em seus seios com as pontas dos dedos (Annie quase desmaiou nessa hora):
- Respire por aqui. você precisa controlar a entrada e saída de oxigênio.
Repassar aquele momento em sua mente foi sua principal distração nas horas vagas nos dias que se seguiram.
Mika, por mérito único de seu esforço, conseguiu alcançá-la depois de uma rotina exaustiva de treinos e reforços. Conseguira dominar o equilíbrio no cavalo alguns dias depois de iniciar os treinamentos noturnos (e antes que morresse de exaustão) e teve que se esforçar na mesma medida para dominar o DMT. Nos últimos treinos de saltos, quase despencou de lá de cima num vacilo pulando de um telhado a outro, por um erro de cálculo na distância, sendo salvo por um membro da família Tsuhara e suas lufadas salvadoras de vento. Reiner demonstrou muito mais robustez e foi o último a vencer o aparelhinho chato e traiçoeiro.
Rivaille continuava acompanhando os treinamentos de perto e sugando tudo que podia dos três recrutas, beirando muitas vezes a crueldade. Como por exemplo nos treinos corpo a corpo, última etapa antes da "formatura" dos recrutas no Esquadrão, em uma ocasião que ele colocou Annie para lutar contra um recruta do time Makali. Annie, por ser uma dotada, treinava separadamente dos demais com pessoas de sua própria espécie, mas um dia Rivaille decidiu colocá-la contra recrutas comuns como única condição de que ela não usasse seus poderes no combate. Ela apanhou miseravelmente, é claro. Reiner e Mika tinham exímias técnicas de combate corpo a corpo, mas nesse quesito, Annie, que sempre esteve à frente dos dois nos treinos, deixava muito a desejar. Era totalmente dependente do seu dom e não fazia frente a nenhum dos recrutas. No terceiro embate, já inchada e com os reflexos comprometidos, tomou um soco tão bem dado no rosto que caiu quase desacordada. O companheiro de treino imediatamente conteve-se, imaginando que já tinha feito sua parte, quando Rivaille incitou-o a continuar. Sem entender muito bem pediu para que o tenente repetisse a ordem, o que lhe rendeu muitos gritos e xingos exagerados, e sem querer contrariar o casca grossa o recruta passou a chutá-la impiedosamente até arrancar sangue de sua garganta.
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Deuses e Homens
FanfictionNum mundo destruído pela própria ganância e ambição da humanidade, o que restou desta enfrenta o seu predador natural: criaturas humanóides quase indestrutíveis que devoram qualquer ser humano que estiver por perto. Recuada para dentro de suas cidad...
