Mortes.
Tantas mortes.
Mika havia se preparado para muitas coisas, sua vida inteira podia-se dizer que sempre foi um preparo: a escola, o serviço militar, a vigilância nos muros, os treinos incessantes. Preparara sua mira para ser um ótimo atirador, preparava-se para o dia em que finalmente seria agraciado com seu dom, preparava seu corpo e seu espírito para horas de intenso combate. Mas diante de tudo que se descortinava diante de seus olhos a uma velocidade que não conseguia compreender, descobria com pesar que não havia se preparado para uma única coisa: sentir medo.
Mika estava com medo e não havia se preparado para isso. Por sorte Geller estava ao lado dele, do contrário, podia facilmente ter perdido o controle.
Atacaram a noite, como haviam planejado. Eram sete times, mais o capitão Erwin e um suporte militar, totalizando cerca de noventa soldados em várias frentes e com missões bem definidas. O poço encontrava-se no centro das ruínas, haviam atiradores dos Bastardos em diversos prédios, uma equipe em torno do próprio poço com a artilharia mais pesada e rondas de vigia em todo o entorno. Eles também estariam preparados, afinal, aquela área era muito aberta e difícil de manter e eles sabiam que mais cedo ou mais tarde as forças da cidade viriam retomar aquele poço. Haviam armadilhas por toda a parte, minas enterradas, explosivos camuflados em escombros, cada pedaço, cada ruína daquele lugar era um potencial perigo.
Quando seu time realizou a inserção o combate já havia começado. A missão deles era limpar toda a ala sul até o poço (outros times fariam o mesmo com a ala norte, leste e oeste) e do alto não parecia tanto território para cobrir assim. O primeiro prédio foi limpo e Mika e Geller posicionaram-se em seu topo. Com os óculos de visão noturna Mika reconheceu três atiradores em seu perímetro nas construções à frente. Tinha que aniquilá-los antes que os vissem, e ir na frente para garantir passagem segura para seu time que viria atrás.
Uma saraivada despertou-o no susto e Mika mirou no primeiro atirador. Um único tiro e o corpo do homem caiu feito uma tábua de lá de cima. Geller acompanhava o movimento lá embaixo. Percebeu quando uma tropa veio correndo do corredor, apressou Mika para que eles avançassem e avisou por rádio ao time que aguardava lá embaixo na penumbra.
Mika preparou o DMT e eles voaram para o prédio seguinte. Embaixo de mais uma tonelada de tiros eles se agacharam embaixo do beiral enquanto Mika preparava a mira, a voz insistente de Geller escondido encolhido no chão "vai logo, vai logo". No rádio, as baixas iam sendo noticiadas. Os malditos tinham artilharia pesada, metralhadoras giratórias que atingiam tudo que se movesse posicionadas em janelas daqueles prédios que mal se aguentavam em pé mas tinham sobrevivido do bombardeio da última investida. Mika reconheceu outros atiradores do Exército posicionando-se nos prédios na frente dele. Alguns morreram bem na sua frente.
Ele localizou da onde vinha os disparos, pequenas faíscas piscando na escuridão. Esperou o momento certo. Atirou.
— Vão, vão, rápido! — Geller avisou no rádio
— Você está pronta? — Rivaille perguntou a Annie. Ela apenas acenou. O medo em seu rosto não podia ser visto na escuridão. Rivaille pegou o rádio: — Todos que estão na ala sul, preparem-se para ficar expostos. Katrina, ilumine.
Katrina, que havia ficado no topo da primeira construção, ergueu os braços para o céu e uma intensa tempestade elétrica o rasgou de ponta a ponta. Uma espécie de relâmpago permanente iluminou a área da onde estavam até o poço. Então era isso que ele queria dizer com iluminar o caminho.
— Lembre-se, eu só consigo lidar com seis de cada vez — disse Annie
— Tudo bem. Seis será o nosso número.
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Deuses e Homens
FanfictionNum mundo destruído pela própria ganância e ambição da humanidade, o que restou desta enfrenta o seu predador natural: criaturas humanóides quase indestrutíveis que devoram qualquer ser humano que estiver por perto. Recuada para dentro de suas cidad...
