Capítulo 14 - O elixir da vida

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Quando Serena o alcançou, já no palácio, o rei passava um sermão em Erik. O príncipe demonstrava sua melhor expressão de desafio, uma que ela nunca o vira usar com o pai antes. Também estava surpresa por ele ter voltado tão cedo e por ter conseguido retirar o rei de seu auto imposto enclausuramento no castelo. É claro que a presença dele ali não indicava bons presságios.

Aparentemente a discussão era em decorrência do comportamento indecoroso das damas da corte devido a magia do capitão. Serena lançou um olhar pelo canto do olho ao pirata, que exibia um sorrisinho matreiro e, ao pegá-la espiando-o, piscou para ela. Eles ainda não tinham sido notados na entrada do palácio e Serena esperava que não o fossem. Pelo menos não antes dela conseguir se esconder em algum lugar, mas para onde quer que olhasse havia pessoas bisbilhotando a briga do rei e do príncipe. Criados curiosos fingiam estar polindo móveis e candelabros, um em específico parecia pensar estar invisível sobre uma escada, fingindo arrumar uma cortina na janela do outro lado do salão. As damas da corte, todas molhadas, exibiam expressões de culpa enquanto ensopavam o hall com seus vestidos gotejando água da fonte e os piratas, recostados na parede oposta, observavam tudo com cara de deboche e perplexidade, não parecia achar possível terem perdido o evento do capitão enfeitiçando as damas da corte.

Miguel, avistando o capitão nas sombras do hall, arqueou uma sobrancelha para ele e Aksel deu um passo à frente, interrompendo o discurso do rei.

— Acho que o garoto está levando muito da culpa em meu nome. — Ele se posicionou cuidadosamente ao lado de Erik, medindo o rei de cima a baixo. Erik sorriu de orelha a orelha, sua coragem renovada.

A rainha fechou a cara ao ver o pirata.

— Você deve ser o autor de tamanha bagunça, tanto em minha casa, literalmente, quanto na cabeça de meu filho.

Erik piscou ofendido perante as palavras do pai. O capitão sorriu.

— Sou um homem consumido pela loucura, é um prazer ter outros me acompanhando. O senhor deve ser o preocupado monarca deste reino. E pai do garoto.

— Peço que se retire com seus homens antes do amanhecer. A tolerância deste reino para com vocês já está no limite. Não permito piratas andando em minhas ruas livremente, muito menos pernoitando em meu palácio e importunando membros de minha casa. Se prestou algum serviço ao meu filho eu o agradeço permitindo que parta sem ser imediatamente preso, que é o que eu faria em situação semelhante.

Antes que Aksel pudesse responder, Erik se posicionou na frente do capitão. Os olhos furiosos voltados para o pai.

— Eu desejo a presença deste homem em meu casamento. Nós já tínhamos conversado sobre isso, pai!

— Não preciso olhar duas vezes para ele para saber que é impossível cumprir esse acordo, Erik. Olhe ao seu redor! Não podemos permitir essa gente...

— Essa gente? — O capitão o interrompeu — Minha gente salvou seu filho e o trouxe em segurança para casa. Além do mais, não estou aqui de livre e espontânea vontade. O garoto me convidou, temos negócios a tratar. — Ele se voltou para Erik, um traço de nervosismo começando a transparecer em suas feições. — É hora de colocarmos nossas cartas na mesa, rapaz. O que quer de mim? Não vim para brigar com nenhum rei ou colocar meus homens em perigo. Muito menos vou permitir que sejam humilhados. — Ele tirou a corrente com a panaceia do pescoço e estendeu na direção de Erik. — Se quer seu elixir da vida eterna pegue, pague e fim de nossas negociações.

— Elixir da vida eterna... Que história é essa? — o rei vociferou atrás do capitão. Tanto o pirata quanto o príncipe o ignoraram. Ninguém mais no salão se atrevia a piscar ou respirar.

O DevoradoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora