Aksel não conseguia enxergar direito quando acordou. Primeiro pensou que tivesse sido em decorrência de bater a cabeça, depois percebeu que era por causa da água turva do aquário. Ele se ergueu do fundo para respirar, mas deu de cara com uma tampa de vidro. Os homens, com medo de sua voz, o haviam trancado em um aquário com pouco oxigênio.
Ótimo.
Ele tentou esmurrar o vidro, mas nada aconteceu. Ele mal conseguia se virar dentro do esquife e suas barbatanas continuavam curvadas.
Aksel se deixou afundar de novo, tentando imaginar uma forma de se salvar. Não tinha espaço para tomar impulso e tentar quebrar as paredes de vidro, a tampa parecia bem lacrada e as paredes reforçadas. Era isso então? Morreria sem fôlego esquecido no porão de um navio imundo? Uma bolha de oxigênio solitária escapou por entre seus lábios e se perdeu no limo que recobria a tampa do aquário. Aksel sentiu nojo, mas o que faria?
Quem avisaria Erik e o rei de que estavam nas mãos de um farsante? O pensamento o encheu de raiva e impotência. Ele esmurrou a parede de vidro sem obter qualquer resultado diferente.
Já tinha se acalmado um pouco e tentava encontrar uma solução para seu problema quando a porta do porão foi aberta, seguido por passos na escada. Aksel estreitou os olhos para a réstia de luz marcando o chão úmido próximo ao aquário. Um pirata desceu apressado na frente e jogou o que parecia ser uma lona sobre o aquário, depois vozes masculinas preencheram o espaço. Aksel tentou se mover, mas era impossível. Mesmo que conseguisse se virar dentro do esquife, ainda assim a lona impediria sua visão. Tentou ficar imóvel então para que água se aquietasse e ele conseguisse absorver alguma coisa dos movimentos ao seu redor.
A luz pareceu oscilar, o que o fez imaginar que alguém tinha fechado a porta. Aksel aguardou. Instantes depois a lona foi retirada do aquário e Aksel pegou-se fitando o rosto mal acabado de Drake, a raposa dos mares, que batia no queixo e parecia muito satisfeito com a visão do Devorador dentro do aquário.
Ele falou alguma coisa em voz baixa para o outro pirata, mas Aksel não conseguiu compreendê-lo. Uma lanterna pendurada em um gancho a cima dele lançava sombras e uma luz bruxuleante em sua face, impedindo que conseguisse ler seus lábios. Depois de um instante os dois piratas deram as costas à Aksel para deixar o porão.
A lanterna permanecera pendurada no alto, sua chama iluminando de forma sombria dos arpões pendurados nas paredes e os restos de peixe acumulados nos cantos. Aksel ainda observava o local sob a parca luz quando um movimento lateral chamou sua atenção. Ele tentou se virar ao máximo que podia e quase deslocou o ombro, mas foi recompensado com a visão de Serena, encolhida em seu vestido rosa pálido, o mesmo em que a conhecera quando ela invadira seu navio. Os olhos dela estavam arregalados, mirando a cauda negra espremida dentro do aquário. Aksel moveu as mãos, chamando sua atenção. Apontou para a tampa do aquário e para o próprio rosto, indicando que não poderia respirar dali a pouco tempo.
Serena entendeu a mensagem. Levou muito tempo para se desenroscar da posição encolhida em que fora deixada, mas ela conseguiu ficar em pé e coxeou em direção ao aquário. Suas mãos estavam algemadas, mas ela conseguiu agarrar a ponta do esquife e empurrada para o lado o suficiente para que o ar entrasse e a voz melodiosa do capitão escapasse. Porém, o esforço a fizera sentir dor em todos os pontos que ferira tentando fugir do falso Soren e seu pé cedeu, fazendo com que ela escorregasse pela lateral do aquário até atingir o chão.
— Eles a machucaram? — ela ouviu a voz preocupada do capitão e balançou a cabeça. A história era longa demais para explicar e sentia-se muito cansada. — Consegue abrir mais? — ele perguntou, batendo na tampa. — Se conseguir eu posso sair e me secar, então volto a ter pernas.
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O Devorado
RomanceE se a pequena sereia se apaixonasse pelo príncipe errado? O herdeiro do trono da Dinamarca está em busca de um elixir miraculoso que resolveria todos os problemas de um homem. Serena, sua companheira de viagem, é a sereia que um dia o salvou de um...
