O porto dinamarquês pareceu chegar rápido demais no horizonte, antes que Aksel tivesse decidido o que fazer. Erik estava melhor, o sorriso voltara a sua expressão e ele já falava sobre o discurso que faria no funeral de Soren. Ele se permitia falar sobre o funeral do irmão, outro avanço. Se Aksel não fizesse nada, quando o príncipe desembarcasse sua estadia na Dinamarca realmente teria chegado ao fim e ele teria que partir. Realmente. Levaria Serena consigo, isso aparentemente era certo, mas agora, graças à Miguel, estava em duvida se não passaria o resto da vida se culpando por ter contato a verdade ao irmão.
No deque o príncipe o abraçou fortemente. Tinham menos de meia hora antes de atracar, Aksel teria que se decidir logo. Parecia conseguir sentir a reprovação emanando de Miguel, que o assistia se despedir do príncipe. Erik repetiu incontáveis vezes o quão grato era por tê-lo conhecido e tudo que o capitão conseguiu fazer foi dar tapinhas nas costas do garoto. Em seguida veio a noiva, também agradecendo pelos bons momentos passados em seu navio. Serena não fez menção de se despedir de ninguém, o que o levou a acreditar que ela realmente ficaria embarcada.
O navio atracou em um porto enfeitado com fitas e bandeiras. A princípio Aksel pensou que se tratasse de um comitê de boas vindas ao príncipe, mas aparentemente não era disso que se tratava uma vez que embora houvesse festa em todos os cantos, ninguém se preocupou ou veio de fato receber Erik no porto.
Uma multidão peregrinava até o palácio da rainha. Curiosos, a tripulação decidiu acompanhar o príncipe até lá com a desculpa de comer de graça e receber a gratidão do rei, mas na verdade Aksel tinha uma sensação alarmante percorrendo-o. Alguma coisa muito errada havia acontecido nessas semanas que passara fora com o príncipe, pois o reino que deixara para trás estava em luto e este que o recebia agora parecia tão feliz quanto no nascimento de um novo herdeiro da coroa.
A sensação só se agravou quando conseguiram vencer a multidão e adentrar o palácio, onde no salão principal, a festança continuava.
Erik estacou logo na entrada.
No alto do palanque real, junto do trono, o rei a rainha sorriam para o povo, abraçados a um homem que Aksel conhecia muito bem. A cena não fazia sentido algum. Ele se voltou para Miguel:
— O que o rei a rainha estão fazendo ao lado de Drake cara de raposa?
Miguel pareceu perplexo por um instante.
— Drake? Não faço ideia, ele está aqui?
— Está bem ali, junto do rei e da rainha.
Miguel balançou a cabeça.
— Não pode ser, aquele não é o Drake.
Antes que pudessem discutir, Erik puxou o braço do capitão. Lágrimas escorrendo por suas bochechas.
— É ele, capitão! — dizia o garoto. — Soren! Soren está vivo!
Aksel levou alguns instantes para entender o que Erik sugeria, mas ainda assim a informação não fazia sentido. Por onde quer que olhasse as pessoas estavam dando vivas ao príncipe que retornara. Até Serena parecia abalada, encolhida próxima a parede. Ninguém parecia conseguir desviar os olhos do homem no alto do palanque, homem este que era Drake, cara de raposa, embora apenas o capitão parecesse conseguir reconhece-lo.
— Isso não faz sentido algum. — ele resmungou quando Erik se enfiou na multidão até alcançar o tablado e se juntar aos pais e ao farsante, que o abraçou emocionado.
Aksel teve a impressão que, por sob o ombro do príncipe, o falso Soren o mirou diretamente com um sorriso de triunfo nas faces marcadas pelo sol.
— Eu que o diga. — comentou Miguel, juntando-se ao capitão, erguendo os braços para não ser acotovelado pela multidão exultante. — Pensei que você fosse o príncipe!
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O Devorado
RomansaE se a pequena sereia se apaixonasse pelo príncipe errado? O herdeiro do trono da Dinamarca está em busca de um elixir miraculoso que resolveria todos os problemas de um homem. Serena, sua companheira de viagem, é a sereia que um dia o salvou de um...
