Capítulo 16 - Luto

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Quando Erik completou quinze dias sem sair do quarto, Maxim entendeu que precisaria fazer alguma coisa. Nem mesmo a garota muda de quem ele parecia tanto gostar estava tendo acesso a ele. Maera havia contado que ele e Serena brigaram e que Erik não queria vê-la de forma alguma. Ele se perguntava o que a garota poderia ter feito de tão grave, mas não tinha tempo para descobrir.

Precisava que Erik reagisse.

Elga estava se consumindo de culpa e o reino estava mergulhando em um caos de fofocas sem fim. Um reino nesse estado, com um herdeiro deprimido e fraco, é um reino vulnerável. Maxim temia ser atacado ou intimidado por outras nações. Ele precisava fazer algo. Elaborou uma cerimônia para um enterro oficial para Soren, mas Erik não quis nem ouvir falar nos preparativos. Tentou pedir perdão, mas foi rechaçado. Tentou falar com a moça muda, mas no final não sabia usar a língua de sinais e ela parecia tão arrasada quanto o garoto, deixando Maxim desconcertado.

Ele por fim só imaginava uma saída: o tal capitão, que ainda estava em seus portos como se esperasse alguma coisa.

Foi quase surpreso com sua própria atitude que Maxim se viu cavalgando até o navio pirata e subindo a tábua de embarque com outros cinco soldados.

A tripulação, que se mantivera bastante comportada nesses dias todos, parecia entediada jogando cartas e dados no deque e olhou com esperança para a chegada do rei, como se fossem uma baleia encalhada na praia, esperando por resgate. O imediato do navio o levou até o gabinete do capitão, onde este o recebeu com uma garrafa de vinho e um olhar enviesado.

— Imaginei que alguém viria finalmente pagar pelos meus préstimos! — exclamou o pirata. Cruzando as botas sobre a mesa. — Diga, majestade, quanto trouxe para mim?

O rei piscou ofendido, controlando a língua, para divertimento do pirata.

— Vim pedir sua ajuda.

O pirata piscou surpreso, descruzando as pernas para poder se inclinar na direção do monarca.

— Em que eu poderia ajuda-lo? Não trago os mortos de volta a vida.

O rei deliberadamente ignorou o comentário.

— Apesar de reprovar seu comportamento, sou obrigado a admitir que nunca vi Erik tão empolgado do que quando veio me contar de sua presença, capitão, em meu reino. Pensei que depois das terríveis notícias a noiva pudesse consolá-lo e trazê-lo de volta a seu estado normal, mas tampouco isso funcionou. A jovem Maera mal consegue tirá-lo da cama para comer alguma coisa.

Aksel arqueou as sobrancelhas.

— O garoto está tendo dificuldade para consumar o casamento, é?

— Eles não se casaram ainda. E Erik se recusa a sair do luto em que mergulhou por causa de Soren. É como se estivesse punindo a todos nós.

Aksel recostou-se na cadeira, tamborilando os dedos pensativamente no tampo da mesa.

— O que acha que eu posso fazer?

Para sua surpresa o rei encolheu os ombros, parecendo bastante vulnerável.

— Eu não sei. Mas vim pedir sua ajuda. Pago seja qual for o preço.

— Não sou um curandeiro, majestade, apenas um pirata. Não penso que o garoto estava empolgado por minha causa, mas pelo que eu significava. Sem essa causa acho que me torno tão irrelevante quanto qualquer outro pirata por aí. — ele entortou a cabeça, analisando o rei. — Por que escondeu do garoto que o irmão havia morrido? Não achou que seria cruel?

O rei suspirou, finalmente entornando a taça de vinho que Aksel servira.

— Sou um homem, apesar da coroa. Tenho sentimentos totalmente humanos. Não consegui fazer isso. — Maxim fechou os olhos. — Fui fraco. Eu sei. Mas o que Soren fez... Ou melhor, o que aconteceu com ele, me destruiu. Não suportei imaginar contar para Erik.

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