Que espécie de barganha seu pai tinha feito com o capitão, Erik não sabia, mas ninguém tentou impedi-lo de entrar no Netuno. Nem mesmo Mestre Joris. Pelo contrário, todos pareciam aliviados por ele ter saído do quarto.
Erik também não entendia o que o motivara a seguir o capitão desta vez, mas quando dera por si estava ajudando Maera a separar algumas coisas para a viagem e agora que estavam a bordo, uma espécie de entusiasmo começava a se espalhar sobre ele. Talvez conviver mais um pouco com o capitão, entender como funcionava a maldição das sereias e da sedução que devorava os homens, pudesse ajuda-lo a superar a morte de Soren para seguir a diante.
E também para perdoar Serena.
Ela estava fingindo não vê-lo, do outro lado do deque, contorcendo os dedos incessantemente. Erik se aproximou dela.
— Então você vem também.
Ela olhou para cima verdadeiramente surpresa. Talvez tivesse imaginado que ele nunca mais falaria com ela.
O capitão praticamente me obrigou. Mas posso sair se você não quiser minha presença.
Ela tremia enquanto gesticulava e Erik se adiantou para envolver as mãos dela.
— Está tudo bem. Quer dizer, não está, mas vai ficar. Ainda é cedo para dizer que te entendo, mas eu irei te perdoar no tempo certo. Só... Só me deixe absorver tudo.
Serena assentiu solenemente e quase sorriu. Era o máximo que ele conseguia fazer no momento, embora ansiasse pela antiga amizade deles agora toda vez que a encarava a imaginava abraçada a Soren, encantando-o e mesmo que tivesse sido de forma inocente, saber que aquele fora o fim dele, lembrar do desespero do irmão na torre, sabendo que ela era a culpada, era demais. Ainda era cedo para deixar passar.
Ao contrário da outra vez, Erik passou mais tempo com Maera, ensinando-a sobre os piratas, contando sobre as harpias e a tribo da Garganta. Ele não dividiu a cabine com ninguém e achou que isso foi importante para ajuda-lo a se recuperar. Conforme os dias foram passando no navio, Erik começou a se sentir melhor. A dor ainda estava lá, mas parecia doer um pouco menos. O capitão não o tratou de forma especial, seguindo a rotina que mantinha com seus homens, também ansiosos por voltar ao mar.
Erik ignorava os planos do capitão, só seguia as ordens de Miguel e tentava se concentrar na atividade do momento. Até Maera começou a ficar mais solta e envolvida e, em uma noite de cantoria ao luar, os piratas a convenceram a beber aguardente. Em pouco tempo ela estava corada, rindo a toa e jogando cartas com os marinheiros. Depois disso Erik percebeu que ela ganhou certo respeito entre os homens e ele... Bem, ele se sentiu mais apaixonado por ela.
Quanto a Serena... Eles às vezes conversavam, mas não era a mesma coisa e Erik não sabia quando voltaria a ser.
O navio aportou na ilha de Laos quinze dias depois. Aparentemente aquele era um ponto comum de revenda dos piratas e uma espécie de festa os aguardava. Serena não estava muito entusiasmada, mas Miguel não deixou que ela ficasse embarcada a noite, assim lá estava ela perambulando entre os músicos ao redor de fogueiras.
Mercadorias eram trocadas, bebidas iam de mão em mão, comidas apetitosas estavam nas grelhas e pessoas dançavam animadas. Os piratas tinham enchido seus cofres de dinheiro e esvaziado seus porões de mercadorias. Serena avistou o capitão sentado ao lado de um negociante, ambos jogando cartas. Erik estava dividindo um doce com Maera do outro lado da fogueira. Serena não sabia o que fazer consigo mesma.
Além da festa, da música e da algazarra, o mar a chamava e ela queria muito poder voltar para ele, mas sem Soren como faria?
Seus pés a levaram até lá praticamente sozinhos e ela admirou as ondas quebrando na areia, a espuma branca refletindo o luar. Nem mesmo isso Soren lhe deixara, a chance de virar espuma.
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O Devorado
RomanceE se a pequena sereia se apaixonasse pelo príncipe errado? O herdeiro do trono da Dinamarca está em busca de um elixir miraculoso que resolveria todos os problemas de um homem. Serena, sua companheira de viagem, é a sereia que um dia o salvou de um...
