Serena despertou em uma cama desconhecida. Pensava que jamais acordaria depois da enrascada em que se metera, mas aparentemente estava errada. Ela piscou. Uma leve dor de cabeça era todo o resquício da noite passada. Um raio de sol tocava seus cabelos, espalhados no travesseiro, fazendo-os brilhar como ouro. Serena se sentou, notando que usava um vestido rosa pálido cheio de conchinhas bordadas. Ela estreitou os olhos. Não estava usando aquele vestido na noite passada. Ergueu uma mão para tocar o corpete bordado e notou que o frasco do elixir estava preso entre seus dedos, o cordão de prata enrolado para não se perder.
— Capitão... — ela sussurrou se perguntando o que teria acontecido com ele. Então foi atingida pela surpresa de escutar a própria voz.
— Estou bem aqui.
Serena ergueu os olhos. O capitão estava muito bem vestido com uma camisa negra, calças igualmente escuras e um par de botas lustrosas. Alguém cortara um pouco seu cabelo, deixando-o na altura dos ombros e ele aparara a barba. Ainda era ele, mas parecia... Diferente. Serena franziu a testa, encarando os olhos azuis dele, que de repente pareciam mais chamativos, estreitos... Conhecidos.
Ela se lembrou que ele a beijara antes do navio explodir.
Bem, ela supunha que o navio havia explodido. Havia tanta pólvora... Mas ela tinha questões mais prementes para resolver e uma curiosa teoria se formando.
— Meu feitiço... — ela disse, ainda estranhando o som melodioso da própria voz, que parecia alta demais.
— Eu adoraria dizer que foi efeito da panaceia. — O capitão apontou para o frasco na mão dela. — Meu plano era deixa-lo com você como uma recordação e partir, mas não consegui. Além do mais acho que você não cairia nessa história. — Aksel estreitou os olhos para ela. — Você entendeu o que a sereias disseram aquele dia, não entendeu?
Serena assentiu, depositando o frasco na mesinha ao lado da cama. Era um quarto simples, apenas uma cama, a mesinha embaixo da janela com vista para a praia e a cadeira no canto da parede, o capitão se empoleirava naquele momento. Serena queria muito saber o que acontecera, mas queria mais ainda resolver o último enigma de sua vida, muito mais importante.
— Nunca existiu panaceia. — ela disse.
— Ainda assim você manteve o segredo.
Ela encolheu os ombros, se sentindo mais confiante agora que ouvia a própria voz de novo.
— Era importante para Erik e queria ver até onde você iria.
Ele abriu os braços.
— Como vê, vim para bem longe.
— Mas não foi a panaceia que quebrou meu feitiço.
Ele soltou os braços.
— Não, não foi.
Serena tocou os lábios.
— Você me beijou. Não sei como sobrevivemos, mas lembro que você me beijou. Você é o príncipe. — ela afirmou e um arrepio percorreu seu corpo. — era o único que podia quebrar o feitiço.
— Para alguém que se diz apaixonada por mim você me confunde com muitas pessoas. Um charlatão disfarçado, meu irmão mais novo...
— Soren. — ela falou, mais porque queria saborear o nome dele do que para chamar sua atenção, mas ainda assim o príncipe congelou no meio da frase, os olhos perdidos nela, sedentos.
— Sim. — ele respondeu depois de um tempo, quando voltou a piscar. — devoradora.
Serena sorriu.
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O Devorado
RomansaE se a pequena sereia se apaixonasse pelo príncipe errado? O herdeiro do trono da Dinamarca está em busca de um elixir miraculoso que resolveria todos os problemas de um homem. Serena, sua companheira de viagem, é a sereia que um dia o salvou de um...
