Abro os olhos ouvindo um barulho estranho e constante. Três batidas e parava. Três batidas e parava. Minha cabeça dói como nunca e sequer consigo me mexer direito. Parece que a qualquer momento vou explodir.
Alguém estava chamando o meu nome, mas eu não consigo identificar a voz. Minha vista ainda está embaçada, então espero alguns instantes até conseguir ao menos enxergar. Acabo deixando escapar um gemido baixo quando tento me levantar, o que me faz desistir, então volto a dormir.
Puxo um pouco mais o lençol, apenas para me certificar de que ainda estou coberta, até perceber que isto é a única coisa que está cobrindo o meu corpo. Prendo a respiração por dois segundos e me assusto. Seguro o lençol firmemente, tentando entender porque estou assim. Começo, então, a me virar lentamente, até me assustar ao ver Haymitch dormindo profundamente ao meu lado. O lençol cobre apenas da sua cintura para baixo e não preciso levantá-lo para chegar a conclusão de que ele também está nu.
Ai que droga!, começo a me lamentar mentalmente. Aperto os meus olhos e ponho uma mão na cabeça. Tento, então, me forçar a lembrar o que aconteceu. A enxaqueca só faz aumentar e isso não ajuda nem um pouco.
Começo a me lembrar vagamente do que aconteceu aqui. Alguns flashes me vem à cabeça, porém desconexos, confusos. Me vejo cambaleando no vagão-bar, Haymitch me trazendo até aqui, tomo um gole de bebida e faço uma careta, ele me beija, passeia a mão no meu corpo, mas o que me intriga é o fato de em momento algum eu ter tentado impedi-lo.
Volto a encostar a cabeça no travesseiro e me viro para Haymitch, que ainda está dormindo. Receio em acordá-lo, mas a confusão na minha mente é maior. Estico o braço e começo a sacudi-lo até que acorde.
– Haymitch - chamo, mas ele sequer se move. Começo a sacudi-lo novamente. - Haymitch! - tento falar mais alto, mas a dor de cabeça me impede. Então Haymitch geme em resposta. - Acorda, Haymitch! - paro de sacudi-lo e ele começa a se mexer. Seus olhos inchados se abrem aos poucos e ele franze o cenho.
– O que é? - pergunta, parecendo um pouco mal humorado. É só o Haymitch de sempre, digo para mim mesma.
– O que aconteceu? - indago, ainda sentindo-me confusa. Puxo ainda mais o lençol, certificando-me de que ele está me cobrindo bem. Haymitch parece revirar os olhos com certa impaciência, então apoia-se nos cotovelos e se aproxima de mim, mas recuo. O problema é que quando faço isso, acabo recuando rápido demais e me desequilibro, caindo da cama.
Sinto minha cabeça latejar ainda mais depois da queda e me adianto para cobrir o meu corpo novamente. Consigo ouvi-lo rir baixinho e levanto a cabeça para lhe lançar um olhar reprovador. Procuro algo para me cobrir que não seja o lençol e encontro meu robe jogado próximo a mim. Me
estico um pouco e o pego, vestindo-me com ele. Devo tê-lo deixado cair enquanto arrumava tudo e não me lembrei de colocá-lo no lugar, mas neste momento agradeço por tê-lo esquecido.
Tento me levantar e me apoio na mesinha de cabeceira. Vou cambaleando até o banheiro e lavo o meu rosto, tentando me despertar. Respiro fundo e me olho no espelho. A maquiagem está borrada e os meus cabelos curtos estão totalmente desarrumados. Passo a mão por eles, tentando colocá-los no lugar, mas não consigo com completo. Termino, então, de lavar o rosto e tiro a maquiagem. Acabo me sentindo um pouco estranha, mas deixo isso de lado.
Quando volto para o quarto, me assusto ao ver Haymitch ainda na cama, mas ao menos desta vez ele teve a decência de colocar uma cueca. Tento organizar os meus pensamentos, mas ainda continuo confusa. Tento escolher bem as palavras antes de abrir a boca.
– O que aconteceu? - pergunto. Haymitch, ainda sentado na cama, se vira para me olhar.
– Quer mesmo que eu explique?
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You're Always Here - Hayffie
RomanceExistem coisas que apenas o tempo pode nos mostrar. Coisas que estão na nossa frente o tempo inteiro, mas não conseguimos enxergar. Precisávamos um do outro cada vez mais, e essa necessidade de companheirismo acabou se transformando em algo maior.