Capítulo 8

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   Quando finalmente recuperei minha consciência, abri meus olhos, mas tudo ainda parecia escuro a minha volta. Senti meu corpo paralisado, as mãos e os pés atados e apertados.

— Não. Socorro! — Gritei, nenhuma força no mundo iria romper aqueles nós.

Sacudi a cabeça até finalmente alguém puxar o saco e a luz incomodar meus olhos. Keynes estava sentada em um banco, costurando o corte que fiz em seu ombro.

— O que foi? Não consegue usar suas habilidades de choque? — Ela sugeriu e olhou para minhas mãos, assim que disse notei que estavam cobertas por tecido e amarradas com firmeza.

— Vai se arrepender, o Luffy vai vir me salvar! — Gritei, ela riu como se já soubesse a resposta.

— Arlong atirou o chapéu de palha no mar, e eu aposto que ele não sabe nadar. — Ela disse arrebentando a linha na sua pele, fiquei boquiaberta em surpresa.

— N-não. Não pode ser.

— Ninguém vai vir te buscar garota. — Cuspiu as palavras com um sorriso pleno, estremeci. — Nem mesmo aquela sua amiga com cabelo de barro.

— Não fala assim dela!

— É incrível como você consegue defender até mesmo seus inimigos. — Levantou-se e andou em volta, ela então parou e tocou a espada. — Aquela garota é do bando do Arlong, um tipo de bichinho. Pensando assim, você até que podia ser meu bichinho.

— Eu vou acabar com você! — Gritei tentando me soltar, ela permaneceu parada sem sequer hesitar.

— Quanto será que você vale? Não sabia que tinha estas habilidades, se enfiou na minha tripulação como um rato e agora até parece um. — Foi direta, senti meu rosto quente e as lágrimas quase pulando para fora, mas não me deixei afetar. — Como conseguiu explodir meu navio? Rata imunda!

Ela acertou um chute no meu ombro, empurrando-me na parede do seu navio.

— Eu vou destruir este também. — Resmunguei, ela arqueou as sobrancelhas em surpresa. — Eu vou queimar este navio e toda a sua tripulação junto!

— Sua- — Antes de completar, Keynes ouviu algo vindo do deck.

— Capitã, capitã eles estão aqui! — Um de seus tripulantes chamou, ela enfiou o saco na minha cabeça e desapareceu.

Me encolhi no canto, meu corpo estava dolorido e minhas forças já não eram mais as mesmas. Queria poder acreditar que alguém viria me buscar, mas ela disse com todas as palavras que Luffy havia sido atirado no mar, e que Nami na verdade fazia parte do bando de Arlong... as coisas não podiam estar indo para um caminho pior.

— M-mamãe. V-você tinha razão. Eu odeio piratas, e-eu os odeio. — Disse para mim mesma tentando soltar minhas mãos, mas foi uma tentativa sem sucesso.

Acabei apagando ali mesmo na umidade e escuridão do porão, o navio se movia de forma violenta, e as ondas batiam forte em seu casco. Passei tanto tempo no mar, sozinha, sem comer, sem beber, sem saber se era dia ou noite. Que acabei me esquecendo da raiva, da dor de perder meus companheiros, agora só me restava a esperança de sobreviver para descobrir para onde estava indo.

— Nós chegamos!

— A âncora! Pode descer, vamos atracar! — Ouvi os tripulantes conversando, um silêncio ensurdecedor se estabeleceu em todo o navio.

Comecei a me mover tentando me soltar, tentando arrancar o saco da minha cabeça, tentando fazer qualquer coisa. Mas as amarras estavam tão apertadas que mal conseguia sentir o sangue passando por entre minhas veias. Me deitei no chão outra vez, a sensação de chateação e perda voltava a me atingir de modo que me fazia querer desistir de tentar, nem mesmo sabia porque ainda estava tentando.

LOVE FRUIT, Monkey D. LuffyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora