Acompanhei com os olhos atentos enquanto Christopher se encaminhava para o departamento financeiro. Após a nossa reunião matinal junto do pessoal da diretoria, segui atrás dele sem muito entusiasmo.
― Oi, flor do dia. ― Christian me cumprimentou ao abrir a porta do escritório. ― O que o Deus Grego deseja aqui? ― ele sussurrou perto do meu ouvido.
― Veio se inteirar dos balancetes. Ele quer ficar por dentro de todos os processos da empresa.
Umas três garotas se animaram quando o rapaz se aproximou da mesa delas. Inclusive, uma tocou em seu antebraço, cheia de confiança, ao mesmo tempo que eu negava a cabeça pelo seu atrevimento.― Está tudo bem, amiga?
― Maravilhoso! ― respondi forçando um sorriso.
Christian abafou uma risadinha e eu o encarei, fuzilando-o.― Na minha terra isso se chama ciúmes ― ele comentou baixinho.
― Ah, por favor, você também não. ― Revirei os olhos.
― Dulce? ― Christopher elevou a voz. ― Pode voltar para a sua mesa, vou permanecer aqui mais um pouco. ― As três garotas quase saltaram de felicidade, um sorriso enorme surgiu no rosto delas.
― Claro, deseja mais alguma coisa, senhor? ― Tentei controlar o tom de irritação, sem saber se tinha conseguido obter sucesso.
O rapaz então pareceu pensar, abriu os botões de seu paletó e sentou em uma cadeira vaga. Por um triz não bufei impaciente, enquanto as oferecidas só faltavam suspirar apaixonadas.― Um café ― ele mencionou depois de alguns segundos, esboçando um sorriso arteiro.
Christian olhava intercalando para nós dois, certeza que se divertia com a situação. Eu inspirei o ar tomando fôlego, já que o sangue começou a ferver no meu corpo.― Pois pegue você! O senhor possui dois braços, não é mesmo?
Um silêncio reinou por alguns instantes, provavelmente todos estavam assustados pela minha resposta, já que ele era o filho do chefe.― Eu busco, com maior prazer ― a líder das oferecidas logo se apressou em dizer.
Sem mais paciência para a ceninha patética, abri a porta, caminhando para o lado da diretoria. Que isso, Dulce Maria! Eu me repreendi. Por que eu agia feito uma cachorra raivosa desse jeito? Não me reconhecia mais, perto desse homem eu viro outra mulher.Quando o relógio marcou meio-dia, Christopher ainda não havia retornado do departamento financeiro. Terminei de escrever um e-mail e decidi almoçar.
― Poxa, nem me esperou hoje! ― Christian apareceu cinco minutos depois de eu me acomodar em uma mesa. ― Não precisa ficar preocupada, eu afastei as oferecidas do Deus Grego. ― Ele sentou no banco, na minha frente.
Eu apenas dei de ombros, balançando o talher no macarrão.― Nossa, na boa, como você aguenta aquele pedaço de mal caminho sem agarrá-lo? Eu já teria colocado aquela mesa para tremer. ― Ele apertou sua bandeja ao mesmo tempo que parecia possuir um orgasmo.
― É complicado...
― Não vejo nada complicado, vocês precisam resolver essa atração toda.
― Que atração toda, Christian? ― Gesticulei como se ele falasse bobagem.
― Você precisa de óculos, então, só faltou sair faíscas dos dois naquela sala. Gente, quanta química. ― Abanou as mãos.
― Não exagera também. ― Balancei a cabeça, levando um pedaço de torta de legumes à boca.
― Posso sentar com vocês? ― Christopher perguntou segundos depois de eu mastigar a comida.
― Claro, chefinho. ― Notei uma provocação na voz do meu amigo. ― Então... ― Ele pigarreou quando o silêncio se instaurou. ― Planos para hoje à noite? ― Olhou para nós dois. ― Alguém topa um barzinho?
― Minha cota de bebida da semana já foi atingida ― retruquei.
― Ah, Dulce Maria! Será que um dia eu consigo amolecer esse coração? ― Christian comentou brincando.
― Acho difícil. ― Peguei meu suco para beber. ― O cara certo ainda não apareceu. ― Encostei o lábio no copo, tomando o líquido.
― Nunca se sabe, vai que ele está do seu lado. ― O rapaz me encarou sugestivo. ― E você, Christopher?
― Queria descansar hoje, tem muito tempo que não faço isso. ― Ele suspirou desanimado. ― Ficar sossegado em casa.
― Credo, vocês dois são um par perfeito! Já até parecem casados e com filhos.
Eu quase não consegui engolir a torta que havia acabado de comer, o negócio entalou na garganta. Precisei beber o suco novamente.― Esqueceu o remedinho de novo, foi? ― pronunciei assim que me recuperei.
Christopher gargalhou com a minha resposta e o rapaz mostrou a língua para mim.― Pior que sou assim naturalmente. É pegar ou largar, querida ― Christian piscou. ― Angel, mi vida, o que você vai fazer depois do serviço? ― Ele se levantou indo até a garota nova do TI.
― Ele é sempre desse jeito? ― Ucker perguntou ainda rindo.
― Ah, sim, sempre! Uma figura. ― Balancei a cabeça enquanto sorria divertida.
― Caramba, o jeito descontraído é igualzinho ao do Tomás, aquele cara da sua turma de pintura.
― É mesmo, muito parecidos. ― Concordei espantada, pois o rapaz nem frequentava as festas na sua casa. Mas o que me deixou mais chocada foi o fato dele lembrar que estudei por poucas semanas essa matéria.
― Mesmo você trocando o curso de Artes, seus olhos sempre brilhavam quando a Annie comentava de algumas aulas.
Encarei Christopher perplexa, meu sonho era trabalhar nesse ramo, mas infelizmente meus pais não me apoiaram e precisei mudar de formação.― Você ainda pinta? ― ele perguntou curioso.
― Às vezes.
― E não pensa em voltar para o curso?
― Bem, agora o momento já passou. ― Dei de ombros.
― Discordo, acho que nunca é tarde.
Nossos olhos se encontraram e outra vez, fiquei surpreendida por suas palavras. Então, o rapaz segurou a minha mão por cima da mesa, um choque elétrico percorreu meu corpo.― Se é o seu sonho, você não pode desistir disso.
Abalada, apertei um lábio no outro. Fitando sua íris castanha, enxerguei que apesar do tempo, nós ainda continuávamos na mesma sintonia, respondia ao seu toque sem pestanejar. Era assustador constatar isso, pois eu não queria me render a esse sentimento de novo.― É melhor eu retornar para o trabalho. ― Imediatamente me levantei da cadeira. ― Ouvi por aí que meu chefe pode ser mau ― declarei para aliviar o desconforto.
Christopher esboçou um sorriso jocoso e eu segui meu rumo para a diretoria. No meio da tarde, eu tentava me concentrar para preencher uma planilha, em vão, já que havia repetido o processo várias vezes. Minha cabeça insistia em pensar no irmão da minha melhor amiga. Ainda me sentia chateada por tudo o que aconteceu, imaginando que muitas coisas poderiam ser diferentes. Porém, uma parte desejava tanto retomar de onde paramos...― Um café? ― O rapaz colocou um copo em cima da minha mesa. ― Para não dizer que sou muito cruel.
Desviei minha atenção do monitor, parando de balançar uma caneta entre os dedos para pegar a bebida.― Parece até que viu o passarinho verde... Acordou de bom humor hoje, chefinho? ― Provoquei.
― Agora é chefinho, é?
Concordando com um aceno, não consegui evitar uma risadinha antes de tomar o líquido quente. Acho que Christian estava certo no fim das contas, não pude deixar de reparar naquela faísca que chamuscava entre nós. Talvez fosse impossível negar a tal química daqui para frente.---
Dulce Maria, mulher tu morreu de ciúmes, até o Ucker notou!!! Agora tava bem na cara que ainda ama o homem, mas nunca é tarde, não é mesmo? Será que ela vai fazer o que o Christian disse? Vai agarrar o pedaço de mal caminho? Só digo que esse karaokê promete!!
Ps: Gente hoje tô ruim da enxaqueca, então alguns comentários pode ser que eu responda só amanhã, ok? Estou pensando em postar outro no domingo, vamos ver se vai dar certo... Beijos, até o próximo ;*
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Coração Ferido
Фанфик|+16| Há seis anos, Dulce e Christopher se entregaram a um amor avassalador, uma paixão desenfreada os consumiu, apaixonaram-se perdidamente. No entanto, quando o rapaz recebe uma proposta irrecusável de estudar e estagiar no exterior, o relacioname...