O silêncio no carro combinava com o meu espírito atual, após retornar para a sala de jogos não me animei mais. Fitei as luzes da cidade pela janela, suspirando entristecida, incerta se deveria falar ou não com o Christopher.
― O que houve, Dulce? ― Ucker sondou assim que abri a porta do apartamento.
Ele carregava o Matheus no colo, pois o menino adormeceu no trajeto de casa.― Estou cansada, podemos conversar amanhã?
Cruzei a sala, entrando no meu quarto, apontando para o rapaz deixar o Mati na cama enquanto eu guardava a minha bolsa.
― Alguém se divertiu bastante hoje ― Christopher comentou se referindo ao garotinho.
Em seguida, reparou no cômodo, seus olhos vagaram pelas prateleiras, chegando na minha escrivaninha.― É verdade, o pobrezinho ficou exausto. ― Um sorriso se desenhou nos meus lábios ao observar o menino dormindo.
O homem permaneceu alguns segundos calado, apreciando as pinturas. Eu mexi nos meus brincos, fingindo estar tranquila com a sua presença, retirei as bolinhas de pérolas colocando-as em uma caixinha.― Bem, então amanhã a gente conversa. ― Ele se aproximou, beijando a minha testa.
Logo que Christopher saiu, eu peguei a roupa de dormir me trocando para deitar na cama. Infelizmente, não consegui descansar, apenas cochilava. Irritada, levantei no meio da madrugada. Caminhando até a porta de vidro da varanda, uma brisa moderada escapava das frestas que arrepiavam meus pelos. A lua iluminava as ruas vazias, a maioria das casas estava totalmente escura a essa hora. O que eu devo fazer? Questionei sussurrando, pedindo um sinal ao céu.― Perdeu o sono também? ― A voz do Ucker ressoou no ambiente.
Assustada olhei em sua direção, ele vestia uma calça de moletom preta e uma blusa de malha branca. Os cabelos bagunçados deram um toque ainda mais atraente à sua aparência.― Pois é...
O rapaz veio ao meu encontro, parando do meu lado. Ficamos em silêncio alguns minutos reparando a calmaria da noite. Isso só poderia ser um sinal, nós dois aqui no meio da noite acordados. Soltei o ar impaciente, preparando-me para contar sobre o bebê.
― Eu nunca te esqueci ― ele declarou segurando no meu pulso. ― Você ainda é quem eu quero para a vida. ― Encarei o chão perplexa com suas palavras. ― Eu sei que não tenho direito de pedir nada.
Christopher se virou, frente a frente comigo, seu dedo ergueu o meu queixo, forçando-me a olhá-lo.― Mas por que a gente não tenta dessa vez? ― perguntou cheio de determinação.
― Tantas coisas aconteceram desde que você foi embora. ― Fechei os olhos, reunindo a coragem para falar.
― Eu não me importo! Desde o dia que nos esbarramos no hospital, não consigo pensar em outra coisa. ― Ucker confessou, parecia sincero.
― O Matheus... ― hesitante, não fui capaz de concluir o raciocínio.
― Tudo bem, quando quiser me contar sobre o pai dele, eu estarei aqui ― ele disse compreensivo. ― Garanto que isso não é um problema.
O rapaz encostou sua testa na minha e encarei sua íris castanha.― Só desejo a sua companhia, seu cheiro. O tempo pode ter passado, mas eu te amo do mesmo jeito ― declarou profundamente seus sentimentos.
Então, juntei nossos lábios deixando as emoções fluírem. Algumas lágrimas escorreram pela minha bochecha, como se estivesse vivendo uma fantasia criada pela minha cabeça. Estar em seus braços outra vez, era um recomeço, algo que nunca imaginei que existiria.
Minhas mãos deslizaram suavemente pelos seus ombros, traçando um caminho até a parte de trás de sua nuca, onde afundaram nos cabelos macios dele. Christopher me puxou para perto de si, pressionando nossos corpos um contra o outro, segurando minhas costas com firmeza. Aos poucos, o beijo se intensificou, reacendendo a chama que não havia se apagado. Nossas respirações ficaram pesadas, sentindo o calor que emanava dele, ansiava por um contato mais íntimo entre as peles. Como se lesse meus pensamentos, o rapaz me prensou na parede, seus dedos agarraram a minha coxa levantando-a para trazer em direção ao seu quadril. Uma arfada escapou pela minha boca quando notei o volume nas suas calças. Lembrando de suas palavras mais cedo, desci meus lábios para seu pescoço. Ucker pendeu a cabeça para trás, aproveitei a oportunidade para continuar a carícia, deixando algumas mordidas suaves. Cada mordida era seguida por um resmungo sensual de sua parte, indicando que gostava, ele subiu uma mão por dentro da minha blusa, alçando meus seios, apertando-os com carinho. Enviando arrepios de prazer por todo o meu corpo, reprimi um gemido por causa do afago. Só por esse contato já senti as pernas trêmulas, percebendo minha reação, o rapaz segurou a barra do tecido. Eu sabia o que viria no momento, a antecipação desse próximo passo aumentava ainda mais a tensão, fazendo meu coração bater descompassadamente.― Espera! ― murmurei, buscando o ar e a clareza.
Coloquei meus dedos bambos em seu peito, nossos olhos se encontraram carregados de desejo. De repente, lembrei do Matheus no outro quarto, e se ele acordasse?― Muito rápido, tigrão. ― Christopher riu baixinho.
― São seis anos separados, Dulce ― o homem argumentou.
― Tudo isso? ― respondi com um sorriso torto e para provocá-lo rocei meu nariz em seu pescoço. Ele travou o maxilar enquanto eu explicava o motivo. ― Só que tem um garotinho no outro cômodo...
Então, como se quisesse reforçar a minha ideia, escutei a voz desesperada do Mati.― Mamãe, mamãe! Cadê você? ― Parecia que o menino ainda dormia, estava sonolento.
― Preciso ir ― sussurrei contra a sua boca. ― Todos esses anos, era tudo o que eu ansiava, acho que devemos nos dar essa chance. ― Apertei meus dedos em torno de sua bochecha, depositando um último beijo.
Ucker assentiu, refletindo seu entendimento, mas antes de me deixar ir, ele segurou a minha mão me desejando boa noite. Naquela sala, sob a luz suave da penumbra que permeava a escuridão, esse gesto representou um passo corajoso em direção a um futuro desconhecido. À medida que me acomodei na cama ao lado do garotinho para acalmá-lo, uma sensação de serenidade começou a se instalar em mim. Era o começo de algo novo e, por mais complicado que fosse, havia uma chama de esperança queimando em meu interior.---
Eles vão tentar!! Quem estava esperando por esse momento 🙋 ? E, será que vai dar certo, dessa vez? Dulce, não demore pra contar para ele não, hein...
Vejo vocês na terça-feira, tenham um ótimo domingo! Beeijos, amores ;*
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Coração Ferido
Fiksi Penggemar|+16| Há seis anos, Dulce e Christopher se entregaram a um amor avassalador, uma paixão desenfreada os consumiu, apaixonaram-se perdidamente. No entanto, quando o rapaz recebe uma proposta irrecusável de estudar e estagiar no exterior, o relacioname...