2. A perda da inocência

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O berro de Gabriela faz com que Balthazar se esqueça de todo o resto. Ele pisa no


freio, enquanto com uma das mãos vira o volante tentando reduzir a velocidade do


carro, mas ele está pouco concentrado nisso.



Com a outra mão ele segura a nuca da filha e começa a entoar palavras em um idioma


desconhecido para ela. Eles se encaram por um segundo e então ela some em pleno ar.



**************



Foi o som de uma explosão que a fez despertar. Gabriela olha ao redor e percebe que


está em um beco sem saída. Ela se levanta, ainda confusa e sem entender direito as


coisas, ela vai na direção das chamas.


Sua boca se abre em um grito mudo ao reconhecer o carro do pai na lataria capotada e


em chamas. Ela corre na direção da saída do beco para tentar ajudá-lo, mas é barrada


por algo.



Ela se levanta em um misto de choque, medo e raiva. Ela olha o chão à procura de


algo que possa ter a feito escorregar, mas não encontra nada. Intrigada e ainda


assustada ela estende o braço e a mão toca uma superfície lisa e invisível.



- Que porra é essa?!



Sua atenção é desviada pelo som de metal se rompendo, ao olhar na direção do carro


ela observa a porta do carona cair no chão e contra todas as expectativas, criadas pelo


cenário, seu pai se arrasta para fora do carro.



Sua roupa está rasgada, queimada e suja em diversos pontos, mas apesar disso e de


algumas manchas de sangue ele não parece gravemente ferido. Gabriela não sabe se


fica alegre ou assustada. O pai estar inteiro é ótimo, claro, mas que tipo de ser humano


sai de um carro capotado e recém incendiado sem nenhum ferimento?



Balthazar olha ao redor como se estivesse procurando por alguém. Apesar do carro


capotado atrás dele com as chamas crepitantes, junto a total ausência de pessoas na


rua comporem um cenário totalmente deserto.



Aparentemente. Sem nenhum som de aviso, um projétil voa na direção dele, mas é


desviado por um pedaço de ferro que Gabriela não havia reparado que ele segurava,


até aquele momento.



Apesar de os dois continuarem sem ver ninguém, um som ecoa pela rua. O som é


facilmente reconhecível para ambos: o engatilhar de uma arma.



No instante seguinte, a rua se enche com o som de diversas flechas cortando o ar e


sendo desviadas pela barra de ferro na mão de Balthazar, que a move em tamanha


velocidade que tudo que se pode ver dela é um borrão cinza metálico.



- Você é bom, mas eu sou melhor. -nesse momento ele baixa a barra de ferro e é


atingido por uma flecha no ombro.- Ok. a comemoração foi mal colocada.

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