O berro de Gabriela faz com que Balthazar se esqueça de todo o resto. Ele pisa no
freio, enquanto com uma das mãos vira o volante tentando reduzir a velocidade do
carro, mas ele está pouco concentrado nisso.
Com a outra mão ele segura a nuca da filha e começa a entoar palavras em um idioma
desconhecido para ela. Eles se encaram por um segundo e então ela some em pleno ar.
**************
Foi o som de uma explosão que a fez despertar. Gabriela olha ao redor e percebe que
está em um beco sem saída. Ela se levanta, ainda confusa e sem entender direito as
coisas, ela vai na direção das chamas.
Sua boca se abre em um grito mudo ao reconhecer o carro do pai na lataria capotada e
em chamas. Ela corre na direção da saída do beco para tentar ajudá-lo, mas é barrada
por algo.
Ela se levanta em um misto de choque, medo e raiva. Ela olha o chão à procura de
algo que possa ter a feito escorregar, mas não encontra nada. Intrigada e ainda
assustada ela estende o braço e a mão toca uma superfície lisa e invisível.
- Que porra é essa?!
Sua atenção é desviada pelo som de metal se rompendo, ao olhar na direção do carro
ela observa a porta do carona cair no chão e contra todas as expectativas, criadas pelo
cenário, seu pai se arrasta para fora do carro.
Sua roupa está rasgada, queimada e suja em diversos pontos, mas apesar disso e de
algumas manchas de sangue ele não parece gravemente ferido. Gabriela não sabe se
fica alegre ou assustada. O pai estar inteiro é ótimo, claro, mas que tipo de ser humano
sai de um carro capotado e recém incendiado sem nenhum ferimento?
Balthazar olha ao redor como se estivesse procurando por alguém. Apesar do carro
capotado atrás dele com as chamas crepitantes, junto a total ausência de pessoas na
rua comporem um cenário totalmente deserto.
Aparentemente. Sem nenhum som de aviso, um projétil voa na direção dele, mas é
desviado por um pedaço de ferro que Gabriela não havia reparado que ele segurava,
até aquele momento.
Apesar de os dois continuarem sem ver ninguém, um som ecoa pela rua. O som é
facilmente reconhecível para ambos: o engatilhar de uma arma.
No instante seguinte, a rua se enche com o som de diversas flechas cortando o ar e
sendo desviadas pela barra de ferro na mão de Balthazar, que a move em tamanha
velocidade que tudo que se pode ver dela é um borrão cinza metálico.
- Você é bom, mas eu sou melhor. -nesse momento ele baixa a barra de ferro e é
atingido por uma flecha no ombro.- Ok. a comemoração foi mal colocada.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Blackword
FantasyFamília, segredos, poder, dinheiro, magia. Gabriela Blackword, sempre soube como era ser diferente. fosse a tensa relação entre os pais separados, fosse o fato de que o relacionamento dos Tios, sempre foi liberal demais, fosse a cor unica dos olhos...
