- Não, não. Depois de tudo isso, eu tô zoando com a sua cara. Claro que eu tô falando sério! Existe um negócio, um objeto, amuleto, não sei direito o que é. O importante não é como é chamado, mas o que ele é capaz de fazer e segundo Odan, ele é capaz de qualquer coisa. Mudar o próprio tecido do universo, por exemplo. Foi por isso que eu fui contratada e acho que era por isso que ele estava aqui. Acho que ele veio falar com meu pai sobre o último membro da Aliança.
- Aliança? Membro? Você não tá fazendo sentido menina.
Gabriela explica tudo o que os Al Fahrek contaram para ela. Conta sobre o resgate da profetisa, a traição de Sari e o fato de que ainda falta uma vaga na tropa que foi profetizada para o anjo. Assim que ouve isso, Morgana se levanta bruscamente.
- Então era realmente por isso que ele estava aqui. Por você Ramon.
- Como assim eu? O que eu tenho a ver com isso?
- Não é eu não queria ser estraga-prazeres, mas Ramon é apenas um imortal e só nessa sala tem outros dois de vocês.
- Na verdade -diz Lauren- Agora nós somos cinco.
- Da onde você tirou isso? -é a pergunta irritada de Gabriela.
- Sempre houve dúvida se você herdaria ou não nossa natureza "diferenciada", mas nunca tivemos como comprovar. Nenhum de nós quis, ou mesmo pensou em testar isso em um recém-nascido e mesmo que tivéssemos, seu pai teria nos desmembrado e deixado os pedaços separados por bastante tempo.
- Tá. E por que agora você tem certeza que eu estou fazendo parte do grupo? Porque eu sei que eu estou fazendo parte do grupo, assim como Emanuelle então é óbvio que você também iria ser incluída.
- Você está dizendo isso porque as cores dos olhos de vocês mudaram? Aliás, só pra constar, eu preferia roxo e só para lembrar meus olhos sempre foram laranja.
- Não tem a ver com a cor dos olhos. Eu posso sentir dentro de mim que algo mudou. Eu nunca fui imortal, apesar do que os outros presumiam. Apenas era mais difícil de matar, mas nós também nunca testamos em mim algo definitivo. Por causa da mistura genética de lobo, sangue de vampiro e com o sangue do seu pai, já era esperado que eu fosse mais resistente, mas a única maneira de realmente ter certeza da imortalidade, era tentando me matar definitivamente e seu pai jamais quis fazer esse teste. Seja lá o que ele fez, ativou em mim e em Emanuelle a imortalidade dos genes dele e em você também, tenho certeza. Em nós fisicamente ela se demonstrou através da mudança nos nossos olhos, mas em você ela também se mostrará. Só deve dar tempo ao tempo. Afinal de contas, tanto você quanto Emanuelle são diferentes de nós três. Vocês nasceram dele então é esperado que venham com habilidades bem mais similares às dele do que o resto de nós.
- Desculpa cortar o papo científico -fala Emanuelle interrompendo- Lauren, mas a pergunta era sobre o por que Ramon é diferente dos outros imortais.
- Porque Ramon é a causa disso tudo. Todos nós fomos modificados ou nascemos dessa maneira, mas ele não. Ele estava morto e foi ressuscitado. Todo o feitiço foi feito para que ele fosse trazido de volta e só. Tudo isso... -ela usa as mãos para indicar a casa e cada um deles.- Foi um efeito colateral. Nunca foi planejado.
- O fato dele ter morrido e ser trago de volta diferencia ele de nós. -fala Gabriela seguindo o raciocínio.- Faz dele um membro de uma espécie ameaçada, sendo guiado por uma desgraça. Isto que acabou de acontecer.
- Só tem um problema. -diz Ramon.- a profecia diz: "Última sobrevivente de um povo secular. Será a última a ser encontrada, trazida pela desgraça será ela quem encontrará o caminho para ser encontrada."
Ele se levanta, encarando Morgana e Lauren com humor nos olhos. Ele pensa no irmão, ele o xingaria pelo próximo comentário, mas ele também daria aquela risada única e que às vezes fazia ele parecer um porco roncando.
- Posso ser chamado de muita coisa, mas "ela" eu acho que não. Vocês duas são testemunhas disso.
Os quatro riem, mas Emanuelle não entende a piada. Ela sabe que não é proposital, mas aquilo só lembra que ela é uma estranha, uma intrusa naquele local, uma intrusa naquela família.
- É porque a profecia não está falando de você. Ela está falando de mim.
Gabriela vira os olhos na direção da outra, porém ela só encontra as costas da mesma. Emanuelle está olhando pela janela, segurando no parapeito. O olhar fixo no infinito. Fazendo questão de não olhar para nenhum deles.
- Você não é muito sociável né?
- Porque eu deveria ser? -sua voz está cheia de tristeza e cansaço.- Eu passei a vida procurando um pai e destruí ele. Não importa o que vocês digam. "Que ele me amava." "Que tudo que ele fazia, ele fazia porque ele queria." Porque isso não muda o fato final: ele está morto e a culpa é minha.
- Mesmo assim, o que você disse não tem lógica. -fala Morgana.
- A sobrevivente de um povo secular trazida pela desgraça. -ela cita o trecho da profecia sem emoção na voz.- Os ventanti são um povo antigo, mas que vem minguando ao passar dos séculos e milênios. Não a toa tem cada vez mais recorrido a busca de parceiros humanos para prosperar. -Ela suspira e após um momento de silêncio continua a falar.- A desgraça que a profecia se refere, não é o que acabou de acontecer. Ela fala da morte da minha mãe, o torturante e longo envenenamento que eu vi matá-la dia após dia. Eu cresci ouvindo as histórias do meu pai de como ele era incrível e maravilhoso, de como minha mãe amou ele, de como por medo ela se afastou.
Ela preferia não saber do que se desiludir sobre a verdadeira imagem de quem ele era. Só quando ela estava prestes a morrer, ela me disse quem ele era e como eu poderia achá-lo.
Ela olhou em meus olhos, apesar de tudo ela ainda era capaz de sorrir. Ali ela me disse que ele seria minha cura, mas ela me disse que ele também poderia ser a minha destruição. A desgraça que ocorreu com a minha mãe me trouxe até aqui. Ela foi o que deu início a todas as coisas que se seguiram, é por causa dela que sabemos sobre o tal artefato e assim eu posso ir atrás de Odan Al Fahrek. Eu diria adeus, mas pelo que você me disse vamos nos ver de novo bem rápido, irmãzinha. Realmente galera... -Ela se vira para eles, enquanto termina de falar. Seu rosto está lavado de lágrimas o que faz seus olhos laranjas brilharem de uma maneira inesperadamente bonita.- Eu sinto muito.
Sem dizer mais nada, ainda olhando para cada um dos quatro, ela se deixa cair para trás escorregando pela janela. Por um instante os quatro ficam em choque, logo em seguida eles correm para janela, tentando ver algum sinal dela. a princípio não conseguem enxergar nada.
Seja uma confusão no asfalto, ou pessoas encarando através de suas janelas, tudo parece normal, estranhamente normal, então eles a veem:
branca como uma nuvem, mal dá para identificar os membros dela, a não ser os olhos, Eles brilham laranjas como duas fogueiras. Ela dispara acima das cabeças dos cidadãos comuns e eles nem percebem o que acabou de acontecer.
- Realmente ela é filha do Balthazar. -Ramon comenta se afastando da janela.
- Isso podia ter dado muito errado.
- Não acho que ela estivesse se preocupando com isso. -fala Gabriela com um brilho sério no olhar.
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Blackword
FantasyFamília, segredos, poder, dinheiro, magia. Gabriela Blackword, sempre soube como era ser diferente. fosse a tensa relação entre os pais separados, fosse o fato de que o relacionamento dos Tios, sempre foi liberal demais, fosse a cor unica dos olhos...
