3. Histórias de família

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Gabriela desperta em seu próprio quarto na casa do seu pai. Ela troca de roupa, toma banho e segue na direção das vozes exaltadas que ouve vindas do térreo.

Chegando lá ela encontra a mãe e Lauren discutindo, as duas quase batendo uma na outra. Ramon se interpõe entre elas e com ajuda de Morgana as separa.

- Em mais de 12 séculos nunca vi duas pessoas que gostassem tanto de se atracar


quanto vocês. Cruzes!


- Ramon eu te amo, mas se não tirar a mão de mim vou arrancar ela do seu braço.


- Promete que não vai tentar mutilar a Tamires?


- Ok.

Gabriela desce as escadas, observa o quase cenário de guerra e se senta à mesa. Ao vê-la, Tamires se solta das mãos de Morgana e começa a apalpá-la e apertá-la a procura de ferimentos e machucados.

- Me larga, mãe! -diz Gabriela se soltando nas mãos de Tamires.- Eu estou bem!


- Vamos embora agora, Gabriela!


- Não vão, não.

A voz de Balthazar vem da porta do escritório, suave, mas cheia de autoridade. Na mão direita, uma bengala de cabo negro e no topo a cabeça de um corvo feita de prata. Ele anda em direção a mesa usando um casaco vestido apenas no braço direito.

Ele indica mesa e todos, exceto Tamires, se sentam esperando o seu próximo movimento. Ela passa a mão pelos cabelos lisos e negros, pisca os olhos castanhos esverdeados e morde o lábio inferior antes de começar a falar.


- Eu não sou uma das suas empregadas, nem sua filha, Baltazar.


Adoro quando você fala o meu nome com esse desprezo, Tammy. Eu sei que você não gosta de receber ordens, mas hoje é minha vez de falar.


- Gabriela é minha filha...


- Nossa.


- Ela é menor de idade e nós temos um acordo que diz claramente...


- Circunstâncias atenuantes, Tammy. Quando você fez com que eu assinasse aquele acordo, onde você ficou com tudo que queria, nós dois concordamos que em certas situações eu teria o direito a isso.


- E que prova eu tenho de que isso realmente aconteceu e que não é na verdade apenas


você tentando me passar a perna?


- Eu não minto e você sabe disso.


- Todos os mentirosos dizem isso, B.


- Que tal isso como prova? -com um movimento do ombro ele faz o casaco escorregar pelo braço dele revelando o tronco desnudo. O lado esquerdo está ferido, o reflexo do ferimento começa no que sobrou do ombro, deixando o braço ausente, toda a pele e músculos removidos, suas costelas e a lateral da caixa torácica exposta.- Isso é resultado de um ataque que aconteceu hoje pela manhã. Atenuante suficiente para você?


- Puta que pariu!


- É. Parece pior do que é.


- Eu vou ficar no quarto de hóspedes. -dizendo isso ela sobe as escadas sem dar mais


nenhuma palavra


- O que houve? Melhor dizendo como isso é possível?


- Desde criança você sempre teve muitas perguntas. Sobre você, sobre nossa família e eu sempre lhe dei poucas respostas. Hoje isso muda. Hoje eu te contarei toda a verdade, mas como você viu pela manhã, essa verdade também é bastante perigosa. Tem certeza de que é isso o que quer?Como você disse, espero por isso há bastante tempo. Vai ser preciso mais do que um maníaco mascarado para me assustar.

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