Odan olha o infinito e lembra de outras épocas, a eterna adoração a Yahweh, a convocação de Lúcifer, a guerra, a queda, o inferno e então os humanos, quando começaram a descer, suas punições. O reino humano, a profecia, sua mulher, recrutar os membros para conseguir que seu plano se cumprisse, a extração da profetisa e agora milênios depois uma única pessoa é o obstáculo para começar o verdadeiro desafio.
- Preocupado, querido?
- Você acha que tudo é preocupação, Amaya.
- Então você não está preocupado?
- Uma pessoa, minha garota. Uma única pessoa, é o que está entre nós e o que planejamos por séculos!! Não aguento mais!! -no impulso ele arranca o parapeito da varanda e arremessá ele longe.
- Odan! Você precisa se conter. Você esperou 5 mil anos por isso, o que são alguns meses perante isso?
- Sim. Mesmo assim... a pedra das origens, é tudo aquilo que sonhamos!
- Sim. Por isso mesmo, não vale a pena perder a calma.
- O senhor é bem estressado, né?
Rastros de névoa entram pela janela, levados pelo vento repentino. Atrás deles a névoa se condensa lentamente em uma silhueta feita de nuvens e com olhos de chamas, mas vai pouco a pouco se revelando uma jovem adolescente, usando uma regata azul com estampa de letras douradas e um short jeans. Ela tem cabelos brancos como neve e olhos laranjas feito cobre.
- Quem é você?
- Emanuelle Agnarr Blackword.
- Eu conheço toda a família Blackword e não tem ninguém com esse nome nela.
- As coisas mudam, Senhor Al Fahrek.
- O que você quer, garota?
- "A estrada para o que você busca é longa, cheia de curvas e engodos. Você precisará de tempo, pessoas certas e as ferramentas específicas. Se deixar de ter um deles que seja sua missão estará condenada ao fracasso antes mesmo de começar.
O fruto da escória de Eva com aquele que desafiou o sobrenatural;
Um casal cuja a vida desde o nascimento foi uma condenação e por causa disso se veem sempre presos na mesma posição;
Uma feiticeira que sem usar as mãos arrancará seu coração e usará seu sangue para preencher seu copo;
Uma andarilha que para seu lar jamais deseja retornar. Seja em vida, seja em morte é aqui que ela deseja ficar;
Um homo magi pelos nove círculos apaixonado;
Uma dama com poderes de outra dimensão, carregando em seus olhos toda sua extensão;
Última sobrevivente de um povo secular. Será a última a ser encontrada, trazida pela desgraça será ela quem encontrará o caminho para ser encontrada.
Rode o planeta,
Cave a terra,
Ou mesmo seque o mar.
Não há caminho para a entrada,
Pelo menos não um que possa enxergar
Só os olhos de um Deus podem encontrar,
Mas nenhum deles pode nem mesmo pensar em procurar."
- Onde ouviu isso?
- Realmente importa? Precisa de mim, Al Fahrek e eu quero apenas uma coisa.
- Se você for quem eu espero, terá um belo salário, ótimas acomodações até encontrarmos o que procuro e eu ficarei te devendo um favor.
- Não. -ela diz sem mover um músculo.
Ele se aproxima dela e fala espumando de raiva.
- Não? Como assim, "não"?
- Não. No. Nein. Not. O contrário de "sim", sabe?
Dá pra ver na expressão do anjo, que ele está prestes a atacar, ou berrar com a garota, muito provavelmente os dois, mas antes que isso ocorra. Amaya põe a mão no ombro dele e encara a visitante.
Postura rígida, olhar decidido, nenhum tique nervoso aparente. Ela não está de brincadeira, ou testando ele, seja lá o que ela quer como pagamento, percebe a vampira, é a única coisa que ela vai aceitar. Enfim, Amaya pergunta:
- O que você quer de pagamento?
- Usar a pedra da origem, assino o que for pra garantir que não vou trair vocês, fugir com ela, usá-la contra vocês nem algo do gênero, mas quero que vocês façam a mesma coisa garantindo que eu serei a primeira a usar a pedra.
- O que é que você quer com tanto força? -pergunta Odan com curiosidade.
- Isso realmente interessa?
*************
- Sargento, ele se movimentou.
- Quero a Capitã e o mercenário aqui. Agora. -diz ele na cadeira virada de costas para o soldado.
- Senhor. -diz ele se curvando e saindo de lá.
- Veremos o que você acha disso Odan.
Alguns minutos após o soldado sair. Duas pessoas entram no aposento. A mulher usa uma roupa militar de couro preto e o homem um terno negro, luvas brancas, um chapéu e uma máscara.
- Marisa Xavier Gregório e It Akashiro. Sabem porque chamei os dois aqui?
- Blackword. -falam os dois ao mesmo tempo.
- Exato. Capitã, você jurou lealdade a nossa causa, não é mesmo?
- Sim, sargento.
- Sua dedicação a nosso objetivo mudou?
- Não, senhor. Jamais abandonarei nossa causa.
- Prove.
Ele não dá mais nenhum comentário. Porém não é necessário, com uma velocidade acima do esperado em um ser humano, ela puxa uma faca de combate e crava entre as costelas do mercenário.
- Sabe, senhor Akashiro, você foi contratado para executar uma única tarefa. Disseram que você era o melhor e ainda assim você falhou, como minha organização não acredita em reembolso você vai me pagar de outra maneira. Com a sua vida. Prossiga, Capitã Xavier.
Akashiro gagueja pateticamente, enquanto o corpo desaba no chão. Ela retira a lâmina do tronco dele e o observa.
- Queria ter mais tempo para fazer isso da forma apropriada, mas é como dizem "querer não é poder."
Ela enfia a faça no baixo ventre dele, logo abaixo do umbigo, sobe o corte até a base da garganta dele. Ela retira a faca, põe de volta na bainha e então enfia o braço esquerdo no corte e com algum esforço puxa a mão de volta e nela está o coração do mercenário. Ela dá as costas para o cadáver, coloca um dos joelhos no chão, ergue o órgão na direção do sargento e olhando para as costas da cadeira diz:
- Eu nunca irei abandonar nossa causa.
Ele vira a cadeira e sem falar nada pega o coração da mão dela. Ele sussurra ao coração e o órgão ganha a cor de piche.
- Exatamente o que precisávamos. Quando encontrar o anjo, use isso.
- Sim, Senhor. -ela responde, pega o coração de volta e sai da sala imediatamente.
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Blackword
FantasyFamília, segredos, poder, dinheiro, magia. Gabriela Blackword, sempre soube como era ser diferente. fosse a tensa relação entre os pais separados, fosse o fato de que o relacionamento dos Tios, sempre foi liberal demais, fosse a cor unica dos olhos...
