14 - Gárgulas

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O corredor estreito do quarto andar se estendia como veias negras, um labirinto de desespero onde as portas podres rangiam em agonia

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O corredor estreito do quarto andar se estendia como veias negras, um labirinto de desespero onde as portas podres rangiam em agonia. Cada maçaneta era uma promessa quebrada, uma passagem para o desconhecido apodrecendo na escuridão. Baratas se aglomeravam nos recantos, um enxame de sombras inquietantes que rastejava e sussurrava em resposta aos passos dos intrusos. Estátuas de gárgulas, com feições distorcidas e olhares vazios, observavam silenciosamente a jornada dos exploradores. Suas formas grotescas projetavam sombras dançantes nas paredes mofadas, como espectros que aguardavam pacientemente o próximo ato macabro. O eco dos passos reverberava como um lamento, ecoando pelos corredores como um aviso silencioso.

Luca, Emily, Victor e Jasper avançavam cautelosamente, seus passos ecoavam como batidas de coração acelerado. O ar estava impregnado com um cheiro de mofo e decadência, uma atmosfera de desesperança que se agarrava a eles como uma névoa gélida. Cada porta que encontravam era uma tentação proibida, mas algo sinistro sussurrava em seus ouvidos, impedindo-os de ceder à curiosidade.

- Que tal batermos na porta? – Victor propôs. - A última coisa que precisamos agora é de mais inimigos!

- Temos um Sherlock Holmes entre nós! – Emily começou a gargalhar. - Já que você deu a ideia, vá na frente!

Os quatro nômades se encontravam de frente para o quarto de número 19. Victor se aproximou cauteloso, seus passos ecoavam pelo corredor junto com o som dos diversos insetos que caminhavam pelo corredor; aquele era o piso mais destruído que já estiveram. Uma batida foi mais que o suficiente para quem quer que estivesse do outro lado se aproximar às pressas.

- Quem está aí? – Uma voz feminina perguntou do outro lado.

- Somos nômades! – Gritou Victor. - Estamos procurando comida e talvez um banho, pode nos ajudar?

- Como posso confiar em vocês?

- Não pode, vai ter que abrir a porta para descobrir! – Victor respondeu, fazendo seus três colegas lhe darem um tapa de repúdio.

- Você não mede suas palavras? – Emily sussurrou enquanto puxava a orelha do amigo. - Você é um idiota!

- Desse jeito, ela nunca vai nos ajudar! – Luca puxava a outra orelha. Não pretendemos ficar aqui muito tempo, mas você não calculou a situação!

- Me desculpem! Eu achei que não tínhamos um motivo para provarmos que somos confiáveis!

Jasper, com uma feição séria, passou por entre os três e se aproximou da porta.

- Não precisa abrir a porta! – Jasper começou. - Eu me considero um caçador de monstros, pode me dizer quais são os monstros deste andar?

A mulher do outro lado ficou longos segundos em silêncio, e pela sombra que transpassava a fresta debaixo da porta, pôde-se ver que ela havia sentado.

- Devem estar vendo as estátuas de gárgulas! – A mulher aumentou o tom de voz. - O pessoal daqui chama elas de gárgulas gélidas, elas basicamente ganham vida e atacam qualquer um que descumpra as regras. O motivo de vocês serem nômades e ainda não serem atacados prova que eu não posso confiar em vocês, me desculpem!

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