Capítulo 04

60 13 10
                                        

Londres, The Boltons Street -Terça, 20:18PM

     'O Gregory não fala com você desde ontem por um garoto ter esbarrado em você?' Essa havia sido a última mensagem de Verônica.
     Yara ficou um tempo pensando se Greg havia mostrado insatisfação com algo que ela fez depois daquilo, mas nem se lembrava dele ter falado com ela depois daquilo.
     'Sim, ele tá todo estranho depois disso. Falou que era para eu ficar longe do garoto, mas ao menos me explicou o porquê, então eu neguei. Nem conheço o garoto e já vou me afastar dele? Não posso fazer isso em minha situação.' Yara enviou a mensagem, esperando por uma resposta da melhor amiga, que não demorou a chegar.
     'Mas e o garoto? Ele parecia ter algo de errado?' Por um momento, a garota achou que a amiga estava brincando, como Yara saberia se tem algo de errado com uma pessoa que ela nem conhecia?
     'Não, mas também não parece gostar muito do Greg. Até pensei que deveria ser rixinha de infância, mas algo me diz que é bem mais que isso.' Digitou com pesar no coração e na mente.
     'Pesado, amiga, mas pode ser cisma do seu irmão... O melhor que você pode fazer é ir perguntar para ele e depois, obviamente, vir me contar, mas agora eu tenho que ir. Tenho algumas coisas para fazer e eu tenho aula amanhã. Boa noite :)" Viu a última mensagem da garota e apenas a respondeu com outro boa noite.

     Desligou o computador e resolveu fazer o que a amiga falou, ir perguntar sobre o garoto para Gregory.
     Saiu do quarto e atravessou o corredor para chegar no quarto do irmão. Bateu duas vezes na porta e, quando recebeu permissão do garoto para entrar, abriu a porta e adentrou o cômodo.

– O que foi, Yara? – Ele falou sem nem ao menos olhá-la. –

– Olha, Gregory, – Começou a falar irritada. – você é um idiota por achar que pode me pedir algo sem explicações e achar ruim eu não querer te obedecer. E eu nem tenho a obrigação de te obedecer, você é como o meu irmão, não meus avôs.

     O garoto havia começado a olhá-la de soslaio, com uma expressão de poucos amigos.

– Sabe, eu deveria desistir de te chamar de Muttley e te chamar de Coyote, já que mais marcante que essa sua risada estranha, é a sua idiotice. – Seu tom se elevava ainda mais. – Acha mesmo que eu vim aqui para você ficar tratando todos como completos canibais e me tratando como a presa?

– Ei, – O garoto finalmente olhou para ela, com o dedo indicador levantado. – o Coiote não era um idiota, só era um gênio incompreendido e sabotado pela produção do desenho.

     Yara sorriu ao ouvir a voz de Greg direcionada a ela. Havia conseguido.

– Agora me diz, Muttley, o que tem de errado com aquele garoto para fazer você... Bem, quase jogá-lo da janela para manter ele longe de mim? – Perguntou se sentando na cama do garoto. –

     Gregory virou a sua cadeira para a direção da cama, ficando de costas para o monitor do computador.
     Respirou fundo antes de começar, mas precisava ter coragem se quisesse manter a garota segura.

– Bom, você conheceu meus amigos. – A garota afirmou com a cabeça. – Com você, agora somos um grupo de cinco, mas já foi um grupo maior antes, éramos sete, as vezes seis, quando ela aparecia. – Uma expressão espantada apareceu no rosto de Yara, fazendo Greg rir fraco. – Antes de você chegar, mais três pessoas se sentavam com a gente, andavam com a gente. A Thea, prima mais nova do Keith, Giselle, amiga de Abby e Thea, e Lux, o namorado de Giselle.

– Vou acabar com o suspense, Lux é o garoto que esbarrou em mim?

– Ele mesmo. – Concordou um pouco irritado. – Ele era o mais distante de nós, pois tinha outros amigos, então andava mais com eles. Só andava com a gente quando a Elle estava. A Giselle não era bem a nossa amiga, mas era legal, ela andava com a gente desde o primeiro ano do Ensino Médio, por conta das garotas.

– Nunca vi essa tal de Giselle, ela se distanciou de vocês como a Thea? – Perguntou curiosa, pois não se lembrava de ter escutado aquele nome antes. –

– Esse é o ponto. – Falou se lembrando de tudo. – A Elle foi assassinada alguns meses atrás, depois do treino das líderes de torcida. Naquele dia o treino de futebol acabaria mais tarde, então ela e uma garota foram pegar um táxi, mas Thea e Abby iriam esperar pelo Keith. O que sabemos depois, vem do Lux, pois a maldita escola ainda não havia colocado câmeras, inclusive, só colocaram por conta do ocorrido.

     Nesse momento, Yara já estava em completo choque, apenas esperando Gregory terminar a história.

– O Lux falou que, quando ele chegou lá, a Hadley estava desacordada e a Elle já estava morta, mas eu não acredito nisso. – O garoto revirou os olhos ao contar a versão de Lux. – A garota falou que quando acordou, viu ele próximo ao corpo da garota morta, gritando a plenos pulmões. No depoimento, ela falou que ele parecia desesperado, até arrependido. E é isso que me intriga, a própria irmã dele falar isso.

– Mas como o Lux chegou no local de assassinato?

– Os jogadores falaram que, minutos depois da Giselle se despedir, ele lembrou que, supostamente, ela estava sem dinheiro, então foi se encontrar com ela. – Continuava com a cara de poucos amigos. – Isso para mim é, no minimo, suspeito.

– Então acha que o Lux foi o responsável pela morte da própria namorada?

     Gregory virou a sua cadeira para a direção do monitor do computador novamente. Respirou fundo mais uma vez e respondeu a garota.

– Eu tenho certeza.

Londres, Westminster School - Quarta, 09:01AM

     Yara estava mais calada do que o normal naquele dia. Estava nervosa pelo o que havia descoberto sobre Lux e por saber que, de alguma forma, Abby estava envolvida. E, mesmo que a forma que Abby estava envolvida no caso, não fosse tão ruim, ainda deixava Yara incomodada.
     Ela deveria falar algo? O que deveria falar? O que deveria fazer? Deixar a ruiva de lado?

– Ei! – Ouviu a voz da garota em sua direção. –

– Oi? – Yara perguntou confusa e um pouco atordoada. –

– Ouviu algo do que eu falei? – Começou a sussurrar por conta da professora que estava presente na sala de aula. –

– Eu acho que sim. – Fez uma careta, que convenceu ainda menos Abby. – Está bem, eu não ouvi absolutamente nada. Ando meio distraída, enchi minha cabeça de coisa esses dias, foi demais para mim.

     A resposta da garota de cabelos escuros fez Abby bufar, revirando os olhos. Se frustrava com a forma que a nova amiga parecia fora de sinal naquele dia, como nunca antes.

– Eu perguntei o que havia acontecido com você e o Gregory naquele dia. – Repetiu a sua fala. –

– Que dia?

– O dia em que o Lux esbarrou em você, meu Deus, Yara, o que aconteceu com você hoje? – Olhou diretamente para a garota, obviamente estressada. –

– Acho que o sono também está me deixando avoada. – Mentiu. – Mas, respondendo a sua pergunta, o Muttley apenas ficou com raiva, ficou falando para eu me afastar dele e coisas do tipo. – Deu de ombros. – A gente já voltou a se falar.

– Bom, eu concordo com o seu irmão. – A ruiva voltou a atenção para o quadro. – O Lux pode ser uma ameaça.

– É, talvez. – Deu de ombros outra vez, se virando e encolhendo os lábios. –

     E as palavras de Abby fizeram Yara pensar ainda mais.
     Tudo apontava para Lux, mas seria ele capaz de fazer algo daquele teor? Algo na garota fazia com que todos aqueles dedos apontando para ele como o culpado, fossem invisíveis, falsos.
     Ela sentia medo, afinal, não era de menos, mas achava que o medo só a dava mais curiosidade e vontade de saber quem realmente era Lux.
     A única certeza que Yara tinha, era que, de alguma forma, aquilo não acabaria muito bem.

TenorOnde histórias criam vida. Descubra agora