Londres, Addison Avenue - Domingo, 00:36AM
Não era normal receber uma ligação dos pais da sua falecida namorada em uma madrugada de domingo, mas, mesmo assim, Lux estava em frente à casa. Não sabia como havia chegado tão rápido naquele lugar, nem como havia chegado e muito menos o motivo de estar lá, mas estava lá.
A porta estava completamente aberta, como se esperasse por ele. Mesmo a casa estando inteiramente iluminada, a única visão que Lux tinha pela porta, era o completo escuro. Mesmo assim, o loiro resolveu entrar.
Assim que entrou na casa, era como se várias vozes e placas o guiasse até o quarto que conhecia tanto, que tanto costumava frequentar. Mesmo com tantos acontecimentos estranhos, Lux, mais uma vez, não questionou e seguiu os seus instintos, influenciados por anomalias do ambiente.
Quando se aproximou um pouco mais do quarto, começou a ouvir um tipo de música clássica, que ficou extremamente alta quando o garoto entrou no cômodo. Observou por um tempo, até notar uma pessoa, que foi tomada pela sombra que foi formada por conta da sua posição contra a luz lunar da janela.
– Você. – Ouviu o sussurro doce, que ainda não se revelava para ele. – Eu o observei por tanto tempo, meu amor.
Lux sentiu o seu interior revirar quando ouviu aquela voz, tão familiar... Mas não, não era possível. Ficou estático por alguns instantes, até a pessoa se virar, revelando a sua face.
O loiro estava vendo um fantasma, sem metáforas. Teve certeza que tinha poderes sobrenaturais ao ver aqueles fios loiros, o par de olhos profundos, a pele artificialmente bronzeada e o sorriso doce e inocente, que não condizia nem um pouco com a pessoa que o portava.
Giselle, em carne e osso.
– O quê? Até parece que viu um fantasma. – Riu ao falar aquilo. – Ah, me desculpe, esqueci que ficou sabendo agora.
– Eu não me lembro de ter tomados os remédios, como
– Não foi remédio nenhum, querido Lux. – Sorriu zombeteira. – Novidades, estou viva!
A felicidade de Giselle apenas aumentava o desespero de Lux. Como era possível?
– Todo esse tempo. – Falou com a raiva começando a aparecer. –
– Eu queria ver como você iria se comportar, mas depois daquela tal de... Yara? Esse é o nome da biscate? – Revirou os olhos, mexendo no seu vestido azul. – Oh, Lux, os resultados não foram nada agradáveis.
Lux queria falar, mas a raiva que crescia em seu peito, simplesmente não deixava.
Como era possível a pessoa que dizia amar tanto ele, simplesmente fingir a morte por tanto tempo, apenas para desejo próprio? Mas, depois de tanta coisa que soube, como ele poderia esperar algo de Giselle?
Antes que reunisse forças para falar, se deparou com o cano reluzente na mão da loira.
– Te vejo do outro lado, desgraçado.
De repente, a visão de Fagan ficou completamente escura, deixando o som do tiro disparado pela arma, isolado.
Lux acordou extremamente ofegante, ainda tentando tirar aquele sonho terrível de sua mente. Poderia chamar aquilo de sonho?
Talvez o pior de toda aquela miragem não fosse o cenário assustador, ou o tiro que quase levara no final, mas sim o fato de Giselle estar viva. Era tão estranho pensar que, atualmente, Giselle estar viva era quase um pesadelo para Lux. Algo que ele nunca falaria há dez meses atrás.
A vida havia feito a maior peça contra Lux durante esse tempo.
Precisava falar para Gale que aquilo não importava mais.
Londres, Centro de Londres - Quinta, 15:21PM
Yara havia pedido a companhia de Abby para comprar presentes de Natal no centro de Londres, não poderia confiar nela mesma em um lugar tão grande que mal conhecia. Sem contar que ela, obviamente, sem sombra de dúvidas, precisaria de ajuda nas escolhas dos presentes. Só não sabia como compraria o presente e Abby escondido, talvez tivesse que voltar ali em uma outra hora.
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Tenor
Mystery / ThrillerEnquanto o sangue dela se espalhava pelo concreto e sua vida se despedia do mundo, ele sentia a sua alma sair do corpo junto com o morno da pele da amada. Quando Londres é assombrada com mais um assassinato frio, a cidade toda para quando desc...
