Capítulo 38

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N/A: Recomendo escutarem as músicas "Stan By Me" do cantor Ben E. King e "Every Breath You Take" da banda The Police durante o capítulo.

Londres, Putney Vale Cemetery - Domingo, 09:19AM

– E mesmo que você tenha partido, saiba que você sempre será o melhor irmão que eu terei na vida. – As lágrimas desciam sem cerimônia pelo rosto pálido de Lux. – Sinto a sua falta, até a próxima vida, te amo Erik.

     Saiu de onde estava e foi para os bancos, se sentando no seu lugar novamente, ao lado de Yara. Lux não tentava buscar consolo de ninguém, principalmente de Hadley, Thea e – obviamente – os familiares de Erik, eles estavam tão abalados quanto Lux, mas Yara estava lá mesmo sem ele pedir. Assim como todos, ela estava triste com a partida de Erik, mas tentava ser forte para que Lux encontrasse um conforto no meio da tempestade, e, no momento que os dedos do loiro se entrelaçaram com os dedos da morena, Lux conseguiu ver, conseguiu perceber e sentir o quão forte Yara era e continuava sendo toda a sua vida.
     Fagan deitou a sua cabeça no ombro da garota e ficou ali durante todo o restante do enterro, sentindo um pouco de amor diante de toda desgraça que o consumia. Assim que o enterro foi finalizado, Yara continuou ao lado do loiro, dando o suporte que foi necessário. Caminharam juntos até a lápide que, em breve, seria o que sinalizaria onde estava o caixão de Erik.

– Eu quero ter um momento a sós com o caixão. – Lux informou, acariciando a mão de Yara e soltando-a devagar. –

– Ok, eu vou ver se as meninas precisam de mim. – Sorriu fraco. –

     SaintClair acariciou de leve o ombro de Lux antes de sair, então se perdeu pela neblina do lugar.
     O loiro se aproximou do caixão de madeira escura e ficou observando o rosto de Erik pelo vidro. Era tão tragicamente engraçado, Lux sempre se imaginou em uma varanda, em uma casa de campo, já idoso e jogando xadrez com Erik, mas agora ele estava no enterro do melhor amigo, que não havia tido nem a chance de terminar o colégio. Era tão estranho não ter mais seu irmão por perto, que Lux ainda sentia que iria chegar em casa e ouvir as barbaridades que Erik não tinha vergonha de falar.
     Ao invés de desabar em um choro melancólico, como havia feito desde que havia encontrado Erik morto, Lux apenas sorriu ao se lembrar de seu amigo, sentindo algumas lágrimas rolarem por seu rosto gelado.
     Enquanto se lembrava das palhaçadas do amigo, Fagan escutou um choro fraco – que mais se parecia com um miado triste de um gato – ao seu lado. Mesmo que tivesse prometido a si mesmo de que focaria apenas em si naquele dia, não conseguiu hesitar em consolar Lacy assim que a viu. Abraçou-a de lado, ouvindo seu choro abafado. Lux achou que talvez a morte de Erik, de alguma forma, estivesse lembrando-a da morte de Cadence, sua melhor amiga, mas Lux estava errado.

– Eu sempre gostei muito de Erik. – A loira começou a falar entre os soluços. – Cady nunca me deixou dizer nada para ele, porque ela queria fazer aquela estúpida vingança com Thea e fazer ela ficar sozinha. Tudo isso por causa de um garoto que não gostava da Cadence e sim da Thea quando elas eram crianças, sendo que isso não era culpa de Thea, quanta tolice!

     Lux até se espantou um pouco ao ouvir as palavras de Lacy. Cadence queria estragar a vida de Thea por conta de um menino da infância delas? Sério?

– É estranho como uma rixa infantil pode acabar com tanta coisa. – Se encolheu, tremendo de frio e tristeza. – Agora cá estou eu, sem amiga e sabendo que a pessoa que eu gostava nunca vai saber disso.

– Eu sinto muito. – Lux falou com a voz rouca a única coisa que via sentido falar naquela situação. –

– Você perdeu alguém que era praticamente seu irmão, eu que sinto muito por desabar em você.

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