O noivo

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Rapunzel

Acordo de manhã como todo mundo entrando de uma vez só em meu quarto, abrindo as cortinas, quase me cegando com a luz repentina.

-- O que está acontecendo?

Cassandra entra por último. -- Seu noivo está vindo, temos que a deixar pronta para o encontro, ordens do rei.

Reviro meus olhos e suspiro alto, Cassandra sorri, não sei dizer se ela está sempre bem disposta ou se está fingindo.

Ainda tenho vergonha de a encarar depois do que aconteceu a noite anterior.

Depois de colocarem um enorme vestido de princesa, da cor violeta, claro, todo mundo começa saindo por onde entrou, deixando apenas Cassandra comigo.

-- Está ansiosa? -- ela compõe alguns fios de cabelo soltos de meu penteado.

-- Não muito, apenas quero que esse dia acabe rápido.

-- Você vai conseguir tudo o que quer.

-- Ah sim?

-- Sim, princesas sempre conseguem.

Eu gargalho alto mas não digo nada, ela acha que ser princesa é fácil? Pois por mim poderia ficar ela com esse papel e eu sairia rápido daqui para viver como camponesa com Eugene na nossa casa do lago, tudo estava perfeito antes, até esse papel de princesa vir arruínar tudo e ser obrigada a casar com um homem que nem conheço.

Se eu não fosse princesa, também não teria sido raptada, manipulada, mal tratada.

Se não fosse Eugene, eu ainda estaria ali hoje, nesse momento, não estaria aqui chorando por causa de minha perfeita vida de princesa...

-- Ele já chegou?

-- Deve estar chegando, vamos para o jardim da entrada, o rei quer recebê-los pessoalmente.

Eu começo saindo do quarto em sua frente, ela me acompanha todo o caminho.

Passando pelo jardim, me traz lembranças boas de quando era pequena e brincava aqui, era muito lindo e ainda é, lembro de um pequeno lago e de como Carla tinha que me tirar sempre de lá de dentro.

Eu amava nadar.

Hoje em dia nem sei o que eu amo, às vezes simplesmente tenho saudades de estar fechada naquela torre.

Foram muitos anos, me acostumei.

-- Bom dia filha.

-- Cade a mamãe. -- Eu corto rápido qualquer conversa fiada.

-- Chegando... e você como está?

-- Bem.

Ele quase perde sua compostura,  mas respira fundo, endireita suas costas, ergue sua cabeça e olha fixamente por onde a carruagem de seu futuro filho preferido vai entrar.

Mamãe finalmente se junta a nós.

-- Bom dia queridos.

Ela me abraça, tão quente e aconchegante.

E dá um beijo em meu pai, um beijo rápido, apenas toque de lábios.

-- Estão demorando a chegar. -- Ela afirma.

-- Talvez não vão vir. -- eu sorrio.

-- Claro que vão vir, a carta dizia que eles estariam aqui hoje. -- Meu pai bufa.

Quando de repente um dos nossos guardas chega avisando que duas carruagens se aproximam.

A primeira chega, parando em nossa frente, tão linda, dourada e brilhante que parece feita de ouro, certeza que é ouro.

-- apresentando Rei Edmund do reino Dark.

A porta se abre, e meus olhos se arregalam.

Aquele idoso na casa do lago que me entregou a peonia branca.

É ele, so que não é mais um idoso, e seu corpo não treme, seu corpo está bem direito e saudável e ele aparenta estar com seus 40-50 anos e não com 80-90 como naquele dia.

O que está acontecendo?

Porque ele faria isso? Será que ele ameaçou Eugene?

Meu pai sorri, se chegando à frente para ser o primeiro a se apresentar.

-- Bom dia vossa majestade, rei Edmund, eu sou o Rei Frédéric, e essa -- Ele estica seu braço para mamãe, ela se envolve em seus braços. -- É minha mulher, a rainha Arianna, e ali -- ele aponta com seus olhos para mim, que não me mexo, apenas fico imóvel tentando compreender o que está acontecendo. -- é a sua nora, a princesa perdida, Rapunzel, que finalmente foi encontrada e foi a melhor coisa que poderia ter nos acontecido.

-- É um prazer ser bem recebido por suas majestades. -- ele segura a mão de minha mãe carinhosamente.

E então começa vindo em minha direção.

-- Princesa -- ele levanta sua mão, ele coloco a minha palma contra a dele e ele se inclina, dando um leve beijo nas costas de minha mão, voltando a se levantar, olhando diretamente em meus olhos. -- É uma hora. -- Ele solta minha mão, dando um sorriso sombrio, ele sabe que eu sei.

-- Meu filho estava bem atrás de mim, deve estar chegando, perdoem a demora.

-- Não tem problema nenhum, fique a vontade. -- Meu pai se coloca do lado de rei edmund, esperando o príncipe.

A sua carruagem finalmente chega, essa também é dourada, mas a porta é preta.

-- Apresentando o príncipe Eugene do reino Dark.

Eugene? Eu dou um riso abafado, tentando disfarçar. Será coincidência?

A porta se abre e eu tenho que cobrir minha boca para segurar a gargalhada que eu quero dar.

Eugene... o meu Eugene, vestido como um verdadeiro príncipe, exatamente como as cores de Edmund, escuras, e bem elegantes, sua postura parece mesmo da realeza, um autêntico príncipe.

-- Que palhaçada é essa? É uma brincadeira? -- meu pai explode. -- GUARDAS! Prendam aquele impostor

Rapunzel (+18)Onde histórias criam vida. Descubra agora