peonia branca

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Rapunzel

A carruagem pára de repente.

-- Chegamos. -- o cocheiro me avisa.

Um guarda abre a porta, esticando sua mão.

Sinto o ar puro de novo, o cheiro desse sitio me traz paz, e felicidade.

Mas algo quebra meu coração tão rápido  que eu não aguento minhas emoções.

-- Não é aqui. -- eu grito para um dos guardas.

-- Princesa, foi aqui que encontramos você.

-- Não pode... -- eu fico olhando em volta, as árvores são familiares, tudo aqui é familiar, apenas um pequeno detalhe faltando. -- Cadê a casa?

Como assim a casa desaparece em algumas horas? Sem deixar rasto nenhum que algum, nem parece que teve uma casa aqui.

Minha horta, o celeiro, nada, tudo desapareceu, seria mágica?

Mas porquê? Eugene está em perigo? Alguem fez mal para ele e se livrou de tudo para nao deixar prova de nada?

Tantas perguntas, nenhuma resposta...

Estarei ficando louca?

Gothel está viva e usou uma poção para eu me sentir amada e livre mas ainda estou naquela torre vivendo um sonho?

Eu não sei, não sei o que pensar.

Vejo pascal em cima de uma pedra na areia do lago.

-- Pascal. -- o aperto de meu coração alivia um pouco vendo o meu amigo.

Pego ele em minhas mãos.

-- Quem me dera que você falasse, pascal, só você me pode explicar nesse momento o que está acontecendo.

-- Princesa.

Meu coração começa pulando de alegria escutando aquela voz, eu me viro para o encarar com um enorme sorriso.

-- Euge... -- me engasgo e meu sorriso se desfaz ao ver um senhor idoso, segurando uma bengala, vergado, quase nao se conseguindo manter de pé, seu corpo está todo tremendo.

Ele me chamou princesa, eu nem estou vestida como uma princesa, será porque escutou um dos guardas me chamando assim?

-- Sim? -- a desilusão deve estar estampada em minha cara, mas eu não me importo, sua voz soou igual a de Eugene, como assim?

Ele estica sua mão me entregando uma flor, sua mão treme toda, não de medo, mas de sua velhice provavelmente.

Mas não é qualquer flor, é uma peonia branca.

Eu adorava tomar banho com pétalas de peonias na torre, Gothel sempre trazia elas porque eu pedia, meu corpo estava sempre com esse odor.

-- Porque está me dando essa flor?

Eu levanto minha mão, hesitando um pouco pegar nela, nao sei sua intenção.

-- Cada flor tem seu significado,  a peonia branca significa paz e pureza, exatamente o que a princesa me transmite.

Fico olhando para a flor cheia de duvidas.

-- nao vai pegar, princesa? -- sua cara entristece.

Nao parece que ele tenha más intenções,  então eu apenas pego nela.

-- sim claro, obrigada senhor.

Ele sorri, virando costas e caminhando lentamente, meus olhos seguem todo seu caminho ate ele desaparecer.

Será que ele sabe de algo?

Eu podia ter perguntado, mas me perdi em meus pensamentos.

-- A gente ja tinha questionado ele, princesa. -- um dos guardas me informa, provavelmente percebeu o que eu estava pensando. -- ele não sabe de nada.

Imaginei...

-- Vamos embora.

A carruagem começa se movimentando e eu apenas fico olhando pela janela, esperando respostas do que acabou de acontecer.

A tristeza aperta meu coração tão forte que não consigo evitar não chorar.

Esperava encontrar Eugene aqui, encontrei menos do que eu esperava.

Fecho meus olhos e adormeço encostada contra a janela.

-- Você me abandonou, como foi capaz? Eu nunca fiz isso com você. -- eugene está chorando, desiludido comigo.

-- não, não, eu voltei.

-- voltou? Então onde está?

-- Eu não encontrei você, cade você Eugene?

Ele me olha sombriamente, segurando meu pescoço e me levantando no ar, sua expressão demonstra ódio. Ódio por mim?

-- Você vai se arrepender.

Acordo de repente com um pulo ainda na carruagem, que sonho horrível...

Minha cabeça dói, assim como meu peito.

Alguns minutos depois chegamos finalmente ao reino, me lembro das palavras de meus pais sobre jantar-mos juntos.

Nao tenho vontade, tudo o que quero é ir para meu quarto chorar.

-- Minha filha... -- passo por ela se cumprimentar.

-- Desculpe mãe, hoje não. -- continuo caminhando ate meu quarto, ainda lembro o caminho, mamãe disse que estava tudo como antes.

-- Tudo bem, durma bem, eu aviso seu pai...

Chegando a meu quarto tem uma moça de pé, ela tem cabelos pretos e curtos pelo seu queixo, talvez da mesma idade que eu, parece que estava me esperando.

-- boa noite princesa, sou sua nova dama de compan...

-- Saia por favor.

-- mas...

-- por favor -- eu interrompo novamente.

-- sim claro. -- ela abaixa sua cabeça, caminhando na direção da porta, a abrindo e no momento que vai sair ela pára e vira sua cabeça para trás. -- Amanhã de manhã eu estarei aqui novamente, durma bem princesa.

Ela sai assim logo assim que acaba de falar.

Eu coloco aquela peonia em cima da pequena mesa de meu quarto e me deito sem mudar minhas roupas imundas em minha cama.

Foi um dia horrível e não quero saber de mais nada.

Afundo minha cabeça na almofada, abafando meu choro.

Eugene, cade você?



Rapunzel (+18)Onde histórias criam vida. Descubra agora