xv.

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Por alguns instantes, o mundo parece parar. Os cílios de Justin parecem tocar sua pele de forma mais lenta, a sua respiração parece me tocar muito mais devagar mas o meu coração é o único agitado naquele instante.

Eu sempre pensei que tivesse que deixar o coração guiar, mas o que fazer quando o seu coração salta tão alto que fica difícil de ouvir seus conselhos? Não consigo entender a cena que desenrola a seguir, mas consigo vivenciar cada pequeno pedacinho.

Quero que ele diga que eu ouvi errado, mas ao mesmo tempo, quero que ele repita as três palavras mágicas. Preciso ouvir de novo.

— O que disse? — As palavras escapam de meus lábios e Justin sorri.

— Eu disse que eu te amo. — Afirma. — Eu te amo.

— Você tem certeza? — Estou assustada o suficiente para dizer algo mais.

Não há uma resposta em voz alta, acho que eu prefiro que não haja mesmo. Somos muito novos e é impossível ter tanta certeza de algo na nossa idade. Justin só pode estar maluco.

Como uma resposta silenciosa, seu polegar acaricia a minha bochecha e depois contorna o meu lábio. Ele não está maluco.

— Ah — Justin se estica e puxa a sua calça. — Chega de anéis de papel. Você merece a joia mais brilhante que já existiu. Aliás, você merece todas as joias mais brilhantes que já existiram e mesmo assim, isso ainda não seria o suficiente pra você.

Justin me estende uma caixinha com um anel de brilhantes e um par de alianças. Meu coração acelera e eu sinto que as paredes vão se fechar em nós dois. Eu gosto dele, gosto mesmo, mas quando eu pensei que fôssemos durar, ele vacilou. E então, eu não quis que nós durássemos mais do que o verão inteiro.

Justin gosta de mim mas vai me machucar, assim como machucou Alyssa. Só consigo pensar nisso, enquanto me sinto pressionada por uma resposta. Meus olhos transbordam de desespero e ele sorri encantador pra mim. Acho que ele pensa que são lágrimas de alegria.

— Isso é lindo, Justin! — Digo com a voz trêmula. — Eu não mereço isso...

— Você merece. — Ele sorri e se aproxima para me beijar.

Justin coloca a aliança no meu dedo e depois coloca em seu dedo. Ele entrelaça os nossos dedos e beija a minha mão.

— Ariana Grande, minha namorada! Que ironia. — Ele sorri extremamente alegre e eu engulo em seco e sorrio de volta. Preciso mudar o foco da conversa, enquanto penso no que fazer.

— Não vou te dar uma trégua na faculdade. Ainda somos rivais! — Digo em um tom brincalhão, mas sinto que deixei meu desespero transparecer.

— É o que dizem, mantenha seus amigos por perto, mas mantenha seus inimigos mais próximos ainda! — Ele dá de ombros e eu o empurro com o ombro de leve. — Não se preocupa, eu ainda te amasso em Cálculo.

— Por favor, acorda né filhão! — Reviro os olhos. — Até parece que você esqueceu que eu te coloco no bolso quando o assunto é Linguagens.

Continuamos com as provocações, até Justin cansar de pensar em trocadilhos melhores que os meus e tentar me convencer com beijos. Eu me afasto dele, depois de um tempo e encaro seus olhos.

— Desculpa por toda a confusão com a Harper. Eu surtei. — Confesso e ele revira os olhos.

— Podemos esquecer a Harper por favor? — Justin segura minhas mãos e as junta em súplica. — É o nosso momento.

Nosso momento.

— Nunca mais faça aquilo. — Digo. — Ou eu vou te castrar e você nunca mais vai usar esse pintinho em outra mulher.

cruel summerOnde histórias criam vida. Descubra agora