Justin ficou em silêncio por tempo demais.
Não era o tipo de silêncio confortável que a gente aprende a dividir quando se conhece bem alguém. Era pesado. Denso. Do tipo que ocupa espaço dentro do peito e faz o ar parecer insuficiente. Eu observei cada pequeno movimento dele, tentando entender o que não estava sendo dito. O jeito como entrelaçava os dedos, soltava, passava a mão no rosto. Parecia cansado. Não fisicamente. Cansado de sentir.
Naquele momento, soube o que ele estava pensando. Era cruel, dolorido, mas era real. Eu também pensava daquela forma.
— Eu não sei responder isso agora — Ele disse, finalmente. — E isso me assusta.
Assenti devagar. Não porque estivesse tudo bem, mas porque eu entendia. Talvez entendesse demais.
— Você sabe responder. Você só não quer. — Disse baixinho. — E eu não quero ouvir agora. Vai magoar...
Ficamos ali, sentados na cama, olhando para um ponto qualquer do quarto, como se a resposta estivesse escondida em algum detalhe banal. Mas não estava. A verdade era simples demais para ser confortável.
Justin se levantou primeiro.
— Eu preciso ir — Disse. — Não porque eu quero... mas porque, se eu ficar, vou fingir que tá tudo bem. E não tá.
Eu me levantei logo depois. Caminhei com ele até a porta, sentindo aquele peso conhecido no peito. O mesmo que eu sentia sempre que algo importante estava prestes a mudar. Ele segurou a maçaneta por alguns segundos, respirou fundo, como se estivesse se preparando para um impacto.
— Eu te amo — Disse baixo.
Não foi bonito. Não foi triunfante. Soou quase como um pedido de desculpas.
— Eu sei — Respondi. — Eu também.
Ele assentiu, abriu a porta e foi embora. Sem beijo. Sem promessa. Sem "a gente se fala amanhã". E, dessa vez, eu não pedi para ele avisar quando chegasse.
Eu queria que ele tivesse insistido mais. Queria que eu tivesse lutado mais contra esse sentimento ruim dentro de mim. Acho que eu poderia fingir que não entendi o que tinha acontecido, se ele quisesse.
Não consegui dormir aquela noite e nem nas duas seguintes. Foi como se o tempo tivesse diminuído a velocidade só para me provocar. Eu acordava esperando uma mensagem que não vinha. Depois me irritava comigo mesma por esperar. Tentava ocupar a cabeça, mas tudo parecia me levar de volta para ele.
Justin me deu um tempo de três dias. No quarto dia, acordei com uma mensagem dele. Perguntou se eu estava bem. Respondi que sim. Perguntei dele. Ele disse que também. Nenhum de nós perguntou quando iria ver o outro. Não tínhamos mais nada para falar um com o outro. Já havíamos entendido o recado, só estávamos adiando.
O verão avançava rápido demais. Os dias eram longos, quentes, cheios de lembranças espalhadas pela cidade. Eu passava por lugares que tinham se tornado nossos sem nem perceber e sentia o coração apertar. Às vezes dava vontade de chorar. Outras vezes, sorria sozinha, como quem aceita que algo foi bonito exatamente porque não durou.
Justin reapareceu na sexta-feira à noite. Não avisou. Tocou a campainha como se ainda tivesse esse direito. Meu coração disparou de um jeito quase automático, mas eu abri a porta. Estava sozinha em casa, Nick havia saído em um encontro.
Justin parecia diferente. Não melhor. Não pior. Apenas mais consciente. Mais inteiro dentro da própria decisão. Me arrepiei.
— Posso entrar? — Perguntou.
— Pode.
Sentamos na sala, mantendo uma distância cuidadosa. Não havia tensão física. Nenhum impulso fora de controle. Só emoção acumulada.
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cruel summer
FanfictionJustin era como fogo; ardente e selvagem por onde quer que passasse. Estava acostumado a arrancar suspiros apaixonados de garotas por toda Los Angeles. Menos os de uma pessoa em especial. Ariana nunca se interessou pelas molecagens de Justin. Não a...
