xvii.

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Continuei na pista por mais alguns minutos, tentando fingir que a conversa com Justin tinha sido apenas mais uma troca de farpas. Nick estava ao meu lado, mas preferiu me dar espaço. Mas cada vez que a música batia no peito, eu sentia o eco da voz dele: "Vou te esperar no banheiro. Como nos velhos tempos."

Idiota. Arrogante. Convicto, como se tivesse certeza de que eu iria. Mas o pior é que... uma parte de mim realmente queria ir.

Nick puxou um assunto. Acho que comentou sobre a demora de Alyssa e Chaz. Infelizmente, minha mente já estava longe. Estava presa na possibilidade, no risco, no perigo delicioso de cair de novo em algo que eu sabia que não deveria. E então, como se tivessem escutado as reclamações de Nick, Alyssa e Chaz chegaram, animados, chamando o meu nome alto demais.

— Ari! — Alyssa me abraçou, rindo. — A Red Lights tá bizarra hoje. A energia tá... sei lá. Tensa.

Tensa. Exatamente como eu estava. Chaz acenou e me analisou rápido.

— Você tá com uma cara... — Ele franziu o cenho — De quem tá prestes a fazer merda. O que você vai fazer?

— Merda. — Sorri como uma criança que apronta. Eles não precisavam saber. Nenhum deles precisava saber.

Virei o rosto para observar o corredor que levava até os fundos. O mesmo corredor que também levava até os banheiros. O corredor onde Justin me puxou pela mão para conversar. E conversar foi a última coisa que aconteceu.

Respirei fundo mais uma vez e tomei a decisão que sabia que ia me arrepender depois. Decidi colocar o orgulho de lado, o lado racional. Eu queria sentir.

— Já volto — Disse para Alyssa, antes que alguém perguntasse. E fui.

Cada passo parecia empurrar meu coração para cima, acelerando até o limite. Quando virei o corredor, vi Justin encostado na parede, cabeça baixa, mexendo no celular como se estivesse tentando fingir que não estava contando cada segundo. Ele levantou o olhar. E o mundo parou. De novo. Duas vezes em apenas uma noite.

Ele não esperou resposta, não esperou explicação, não esperou permissão. Justin simplesmente me puxou pela cintura e me beijou. De um jeito que dizia "eu te odeio por me deixar assim", mas também "eu sinto falta de você mais do que deveria". E é claro, meu corpo foi mais rápido do que a minha própria mente e correspondeu com seus toques. Era automático.

Eu gosto que Justin sabe me segurar como ninguém mais sabe. Com o Riordan não era assim. Infelizmente os boatos eram verdadeiros. Justin Bieber sabe como segurar uma mulher.

Quando pude reagir, empurrei o peito dele, ainda ofegante.

— Você é ridículo — Disse, com a voz falhando entre raiva e desejo.

Justin lambeu o canto do lábio, provocando. O maldito sorriso convencido.

— E você é péssima em ficar longe de mim.

— Eu só vim aqui porque... — Comecei. Não sabia o que dizer.

— Mentir não combina com você. — Ele cortou, chegando tão perto que eu quase senti o cheiro dele. — Você veio porque queria. Porque você me queria.

— Justin, eu vim porque queria uma transa. — Ri com certo deboche. — Não se coloque em um pedestal, meu amor.

— Uma transa, é? — Ele ergueu a sobrancelha. Surpreso. — Como você não quer que eu me coloque em um pedestal quando você sempre vem correndo pro mesmo cara que você jura que odeia?

— Eu não corro pra ninguém.

— Mas mesmo assim, você veio.

— Porque sou educada demais pra deixar você esperando.

cruel summerHistórias para pegar e não largar. Descubra agora